Isadora estava jogada no sofá do quarto os cabelos desgrenhados, os pés sujos de areia e a voz arrastada.
— Caiooo... me deixa aqui. Tô bem... tô ótima... tô maravilhosa... — ela riu alto, e logo depois gemeu, levando a mão à testa. — Ai, minha cabeça... acho que tô morrendo.
Caio fechou a porta e se aproximou devagar, com uma toalha e um pijama nas mãos.
— Vem, Isa. Você precisa tomar um banho. Tá cheia de areia, suor, bebida... até batom tem no seu pescoço e não é seu.
—com as mãos na cabeça ela,murmurou — Isso é culpa sua, sabia?
— Minha?
— É... você fica me olhando como se quisesse me trancar em casa, Caio. Aí eu me revolto... e viro isso aqui.
Caio abaixou-se à frente dela, tirando devagar as sandálias.
— Eu não quero te trancar. Só quero cuidar. Mas se pareço um babaca controlador, então me desculpa. Vamos ajustar isso juntos. Mas agora, banho.
— Eu não quero... — ela disse manhosa, escorregando no sofá como se fosse virar líquido.
— Você vai. Mesmo que eu tenha que te carregar.
E ele fez. Pegou Isadora no colo, entrou com ela no banheiro e a sentou com cuidado no chão do box. Ligou a água fria, fazendo-a dar um gritinho.
— Ai, Caio! Água gelada! Eu vou virar picolé!
— Melhor do que virar um barril de cachaça.
Ela riu, meio tonta, e se entregou. Ele a lavou com calma, tirando os resquícios da noite: glitter, areia, suor e o cheiro forte de bebida. Cuidava dela com mãos firmes, mas gentis, como se estivesse limpando não só o corpo, mas a dor que Isadora escondia por trás da rebeldia.
Depois do banho, ele a enxugou, vestiu o pijama nela e a levou para a cama. Ela se encolheu nos lençóis, ainda com o rosto corado e os olhos pesados.
— Vai embora?
— Não. Vou ficar aqui. Só até você dormir.
— Caio... — ela sussurrou, segurando a mão dele. — Não tenta me dominar, tá? Só me ama.
— Só isso que eu quero, Isa.
Ela fechou os olhos com um suspiro. Em poucos minutos, adormeceu.