Já passava das 22horas da noite quando, aos poucos, a casa foi voltando à vida. As garotas haviam dormido o dia inteiro, embaladas por dores de cabeça, corpos exaustos e emoções à flor da pele. Agora, acordavam uma a uma, ainda meio grogues, mas com as memórias da madrugada anterior pulsando forte.
No quarto da Kelly…
Ela abriu os olhos devagar. A luz do abajur estava acesa, e Otávio estava deitado ao seu lado, mexendo no celular, em silêncio. Assim que percebeu que ela despertava, ele largou o celular e se virou para ela.
— Como você está?
Ela respirou fundo, o estômago ainda revirando.
— Com vergonha… e sede.
Ele sorriu, oferecendo a garrafa de água que já esperava ao lado da cama.
— Bebe. Você precisa se hidratar.
Ela tomou um gole e depois ficou encarando o teto.
— Otávio… tudo que eu falei ontem… era verdade, tá? Eu não tô feliz sendo tratada como uma menininha que precisa de permissão pra tudo.
— Eu sei — ele respondeu com calma. — Eu te ouvi. E eu te entendi. Se eu quero estar com você… tenho que aprender a caminhar ao seu lado, não na sua frente.
Ela virou o rosto, emocionada, e o abraçou forte.
— Obrigada por não desistir de mim.
No quarto da luiza...
Leandro estava sentado na ponta da cama, de cabeça baixa, ainda com a mesma camiseta da noite anterior. luiza acordou, a cara amassada, os cabelos emaranhados e um gosto amargo na boca. Mas o olhar encontrou o dele, e ali havia algo que doía mais do que a ressaca: o arrependimento.
— Leandro… — a voz saiu baixa.
— Fica calma — ele respondeu, se levantando e se sentando ao lado dela. — Eu não tô bravo. Só tô tentando entender.
— Eu me senti presa. Sufocada. Eu precisava me sentir viva, nem que fosse por uma noite.
Ele pegou a mão dela com delicadeza.
— Então eu vou tentar te deixar respirar. Só não some de mim, por favor.
Ela fechou os olhos e deitou no peito dele. Ainda tonta, mas mais leve.
No quarto da Renata...
João estava recostado na cabeceira, com o celular na mão, lendo as notícias enquanto ela dormia. Quando ela despertou, soltou um resmungo e levou a mão à testa.
— c*****o… minha cabeça tá explodindo.
— Aqui — ele estendeu um comprimido e um copo com água.
Ela o encarou. Ainda magoada.
— Ontem eu te disse o que penso. E não retiro nada. Eu te amo, João, mas se for pra continuar me controlando… eu prefiro não continuar.
Ele assentiu com os olhos baixos.
— Eu entendi. E eu mereço ouvir isso. Só quero consertar. A gente vai consertar juntos, se você deixar.
Ela suspirou e tomou o remédio, deitando de lado.
— Um passo de cada vez, João.
No quarto da Isadora…
Caio estava deitado ao lado dela, vendo vídeos no celular, quando ela abriu os olhos.
— Eu morri e tô no inferno? — ela resmungou.
— Quase. Mas a gente te salvou a tempo — ele riu fraco.
Ela sorriu de leve, mas logo ficou séria.
— Eu fui escrota ontem?
— Não — ele disse, virando-se de lado para encará-la. — Você foi uma mulher engasgada com tudo que segurou por muito tempo.
— E você? Vai querer ficar comigo mesmo eu sendo assim?
— Sim. Principalmente por você ser exatamente assim. Só me promete que a gente vai conversar mais e explodir menos.
— Prometo — ela sussurrou, e os dois se abraçaram.
No quarto da Carla…
Tudo estava em paz. Carla acordou devagar, sentindo o cheiro do sabonete no travesseiro. Marcos estava ao lado, tranquilo, jogando um joguinho no celular.
Ela virou para ele com um sorriso:
— A gente sobreviveu à tempestade, hein?
— E saímos secos — ele riu, se inclinando para beijá-la.
— A gente tá bem, né?
— Estamos. Porque a gente se escuta, se entende, e não tenta mudar um ao outro.
Ela o abraçou.