O domingo amanheceu diferente. Não houve despertador, nem compromissos, nem aquela ansiedade silenciosa que costumava me acompanhar mesmo nos dias livres. A luz da manhã atravessava as cortinas da sala, desenhando faixas claras no chão de madeira. Por alguns segundos, fiquei deitado no sofá, olhando o teto, tentando entender aquela sensação nova de pertencimento. Manuela dormia ao meu lado. O rosto relaxado, os cabelos espalhados pelo travesseiro improvisado, a respiração tranquila. Observei-a por um tempo maior do que seria razoável, como se quisesse memorizar cada detalhe daquele instante simples e precioso. Levantei devagar para não acordá-la. Fui até a cozinha com cuidado, como quem protege um segredo. Abri as janelas, deixei o ar fresco entrar e comecei a preparar o café. Não por

