Os dias começaram a escorrer. Não de forma lenta, nem suave — eles simplesmente aconteciam, um após o outro, empilhando compromissos, emoções e pequenas certezas que iam se consolidando sem pedir licença. Havia algo de diferente no meu ritmo. Eu sempre fui um homem metódico. Organizado. Acostumado a dividir a vida em blocos claros: trabalho, silêncio, noites longas demais. Durante anos, sobrevivi assim. Funcionava. Ou pelo menos parecia funcionar. Mas agora… agora havia Manuela. E, com ela, os dias deixaram de ser apenas produtivos. Eles passaram a ser habitáveis. Os dias no hospital... O hospital continuava sendo o meu território mais sólido. Corredores conhecidos, vozes que eu reconhecia pelo tom, pelo jeito de chamar meu nome. Eu entrava cedo, saía tarde, como sempre fiz. Mas alg

