A segunda-feira amanheceu com o céu pesado, de um cinza que parecia refletir o cansaço do fim de semana. O som constante da chuva contra os vidros do quarto me serviu de despertador. Abri os olhos antes mesmo do alarme tocar — o corpo fiel à disciplina, mesmo quando a mente parecia distante. Fazia tempo que uma noite não me deixava tão... inquieto. Não no sentido comum da palavra, mas em algo mais sutil, mais silencioso. Aquela conversa no bar ainda ressoava dentro de mim — não pelas palavras, mas pelo que ficou nas entrelinhas. O som do riso dela, o olhar demorado, o modo como pronunciou meu nome. “Tenho a sensação de que ainda vamos nos ver por aí.” A frase voltou à memória com nitidez, como se tivesse sido dita segundos atrás. Não era comum que alguém deixasse esse tipo de impr

