Os dias seguintes correram com a precisão de um relógio caro — frios, ordenados e silenciosos. Nenhum novo evento, nenhuma notícia. Manuela Vasconcelos havia desaparecido da rotina com a mesma elegância com que entrou nela. Era curioso. Em outras circunstâncias, eu teria esquecido. Pessoas entram e saem de nossas vidas o tempo todo, e eu me acostumei a ver isso acontecer com naturalidade. Mas havia algo nela que não se encaixava na categoria do efêmero. O domingo chegou, e o apartamento parecia ainda mais vazio do que o habitual. O som da chuva fina do lado de fora era o único ruído. Fiquei diante da janela, observando as gotas escorrerem pelo vidro, lembrando sem querer da última vez que a vi — o vestido vermelho, o sorriso tranquilo, o modo como ela se despediu com aquele olhar

