Voltei para casa com a sensação estranha de que o dia ainda não tinha terminado — como se tudo o que eu tivesse vivido até então fosse apenas o prólogo de algo maior. Estacionei o carro na garagem e desliguei o motor com cuidado, permanecendo alguns segundos ali, sentado, olhando para frente sem enxergar nada. Jantar na casa dela. A ideia parecia simples, mas carregava um peso silencioso. Não era como sair para um restaurante neutro, onde tudo é território compartilhado e impessoal. Casa é outra coisa. Casa é i********e. É convite. É abrir portas que normalmente ficam fechadas. Entrei, larguei as chaves no aparador e tirei o paletó devagar, como se o tecido estivesse impregnado do dia inteiro. A casa estava silenciosa, limpa demais, organizada demais — reflexo fiel de quem eu tinha sido

