Passei a madrugada ali, sentada na poltrona ao lado da cama, observando o peito dela subir e descer. Afonso andava de um lado para o outro no escritório; eu ouvia o som seco dos papéis sendo remexidos, o clique furioso do mouse, as chamadas telefônicas abafadas. Ele estava caçando fantasmas, rastreando a vida dupla do Rafael como um predador. Mas eu? Eu estava caçando a alma da minha filha, tentando trazê-la de volta do abismo onde ela se jogou. De madrugada, o rosto da Íris relaxou um pouco. Peguei o meu terço de contas de cristal, mas não rezei pela morte de ninguém, nem pedi vingança ao céu. Rezei para que, quando ela abrisse aqueles olhos verdes e inteligentes, o gelo que ela sempre usou como proteção não se tornasse uma prisão de amargura eterna. Rezei para que ela entendesse que ser

