O silêncio dentro da minha sala particular no hospital era ensurdecedor, um silêncio de som que parecia sugar o oxigênio dos meus pulmões. Eu ainda estava encostada na porta, sentindo a frieza da madeira contra as minhas costas, enquanto o mundo que eu levei anos para projetar cada viga de confiança, cada pilar de amor sagrado desmoronava em câmera lenta. Leonardo Alencar Duarte. Aquele nome era uma adaga de gelo cravada no centro da minha existência, girando lentamente para garantir que nenhuma fibra do meu coração ficasse intacta. Arranquei o jaleco com uma violência que nunca imaginei possuir. O tecido branco, que sempre foi o símbolo da minha autoridade e do meu propósito, agora me causava repulsa física, como se estivesse contaminado por uma praga invisível. Dois botões saltaram e ro

