Mariana Narrando Depois que ele me deixou na varanda, depois da queda, da vergonha, daquela conversa absurda sobre calcinha, meu coração era um tambor desgovernado no peito. Ele virou as costas e entrou em casa, e eu fiquei ali, parada, sentindo o sol queimar minha pele e a confusão queimar minha mente. Ouvi o barulho do portão batendo. Ele havia saído. A casa ficou em um silêncio profundo, mas diferente. Era um silêncio que respirava, cheio dos ecos da presença dele. Entrei, fechando a porta da varanda atrás de mim. O cheiro de café fresco ainda pairava no ar, um contraste absurdo com o caos dos minutos anteriores. Na mesa da cozinha, como em outros dias, havia comida. Pão, manteiga, um pedaço de queijo. Dessa vez, também uma garrafa térmica de café. Meu estômago roncou, mas a ficha a

