Narrado por Aurora A mansão estava diferente. Não exatamente nos móveis ou nos corredores de mármore — era o ar. Como se até as paredes estivessem esperando. Carmen correu de um lado para o outro desde a manhã, dando ordens para os empregados com uma voz mais nervosa do que de costume. Elías, por sua vez, manteve o rosto impassível, mas eu conhecia seu silêncio. Era o tipo que dizia muito mais do que qualquer grito. — Eles vão chegar antes do almoço — ele me disse ao sair do quarto, com o terno n***o impecável e o andar confiante que ele recuperou nos últimos dias. — Não quero você lá fora. Eles vêm até você. Assenti com um nó na garganta. Eu me sentei na escada do hall, com as mãos apertadas entre os joelhos. Carmen havia preparado um almoço completo. Flores frescas, louças luxuosas,

