past and present intersect

2646 Words
Minha semana de volta a Nova York foi tranquila. Ryan e eu nos vimos quase todos os dias, exceto por quarta-feira, que ele teve um imprevisto na empresa. Fora isso, aproveitamos todos os dias juntos, planejando o jantar que faríamos para a nossa família no final de semana. Todos nossos familiares - pelo menos a grande maioria - está de férias do trabalho, o que quer dizer que muitos estão planejando ficar por um tempo em Manhattan. Alguns primos com quem Ryan cresceu passará alguns dias em sua casa, então teremos dias agitados em família. Meu noivo também está entrando em férias, então todos estaremos em breve curtindo os dias de descanso. Nossos pais, em especial, queriam um jantar em família para oficializar nosso noivado. Eu conheço boa parte dos familiares do Ryan, mas há alguns que estavam fora do país dos quais eu não tive a oportunidade de conhecer. O final de semana chegou rápido demais. Estava tudo pronto para recebermos nossas famílias. O sábado de junho amanheceu ensolarado, me deixando animada para o dia em família que eu teria. Me olho no espelho, me certificando de estar tudo em seu devido lugar. Um sorriso surge em meus lábios assim que me dou conta do trabalho excelente que fiz ao produzir meu vestido para o almoço do final de semana. Passei os últimos dias o produzindo. Não foi tão difícil, já que bastou levar o modelo e minhas exigências para a minha costureira de confiança no ateliê que tudo ficou do jeito que eu queria. Observo o colar fino de prata, com um pequeno pingente de diamante pendurado em meu pescoço e sorrio. Meu pai me deu esse colar no meu aniversário de quinze anos e desde então eu o uso sem tirá-lo para absolutamente nada. Se fosse em qualquer outra família, esse almoço seria casual e informal, mas é da minha família e do Ryan que estamos falando. Sendo uma das maiores elites de Nova York, ambas as famílias estão sempre muito bem vestidas. Eu não poderia aparecer com qualquer outra roupa que não fosse elegante o suficiente para eles e para o meu nome no mundo da moda. Já atrasada, pego meu celular de cima da minha penteadeira e começo a me apressar para sair do quarto. Consigo escutar vozes no andar de baixo, o que quer dizer que um pessoal já chegou. Ryan desceu minutos atrás, enquanto eu ainda terminava de me arrumar, para se certificar que tudo estava ocorrendo perfeitamente bem. Meus saltos altos fazem barulho pelo corredor de quartos da casa do Ryan, indicando minha presença. Não vejo nossas famílias há um bom tempo, já que estive durante todo o último mês fora. Mas antes disso já faziam longas semanas sem a presença dos meus pais ou dos seus. Quando estou trabalhando meu dia costuma ser uma loucura total. Eu não tenho muito tempo para ver meus pais ou qualquer outra pessoa que não seja o Ryan. - Oh meu Deus, se não é a noiva do ano! - escuto a voz grave e familiar do meu pai, enquanto desço o lance de degraus da escada, focada para não acabar caindo. Assim que direciono meu olhar para a sala principal vejo meus pais, primeiramente, que estão perto da escada, bem vestidos como sempre. Eles não são mais casados. O divórcio veio a sete anos atrás, no entanto, ambos convivem perfeitamente bem. E há algo no olhar de minha mãe que me preocupa. Ela tem seu sorriso doce e maternal de sempre bem ali, mas ainda assim seu olhar está assustado e eu garanto que não é pela minha beleza ofuscante, brincadeiras a parte. Ao terminar de descer o lance de degraus, recebo a mão do meu pai como apoio e aproveito para lhe abraçar, o cumprimentando. Papai é alto, quase do mesmo tamanho que Ryan. É um coroa bonito; de cabelos um tanto grisalhos, belos olhos azuis cristalinos, como os meus, e está sempre com um sorriso encantador estampado nossos lábios. Apesar de ter sido tão focado no trabalho, ele sempre foi o pai mais presente durante toda a minha criação. Tenho uma baita sorte por ter tido esse privilégio. A maioria dos filhos dos amigos dos meus pais ficavam em internatos, porque os pais deles simplesmente "não" tinham tempo para os criar. Eu sei que dei muita sorte. Então abraço minha mãe, cumprimentando. Ela é quase da minha altura, sendo uns três centímetros maior. Seus cabelos são sempre sedosos, em um tom dourado lindo. Seus olhos são verdes como pedras de esmeralda. Ela é, com toda certeza, uma das mulheres mais bonitas que já conheci. Mesmo após os cinquenta anos, ela continua tendo uma beleza invejável. - Meus parabéns, Aud. Fiquei tão feliz quando soube... - esta me parabenizar pelo noivado e agradeço. - Eu gosto da união de vocês dois! - ao me soltar, ela diz, olhando para detrás de mim, onde Ryan se encontra, se aproximando. - Obrigado, Sra. Daugherty. - meu noivo passa uma mão suavemente pela minha cintura, me fazendo o olhar e sorrir. Os pais do Ryan vieram nos parabenizar, também bem vestidos e elegantes. Eu sabia que tinham algumas pessoas que eu não conhecia, mas não tive tempo de conversar com nenhum antes de cumprimentar todos que eu já conhecia. Duas primas e um casal de tio do Ryan depois, ele começou a me apresentar aos seus primos e foi nesse exato momento que uma parte de mim quase parou de funcionar. Não tinha como eu estar vendo o que estava a minha frente. Uma avalanche de sentimentos me atingiu no exato momento em que meus olhos se cruzaram com o olhar mesclado entre o cinza e o verde do homem a minha frente. Havia um sorriso em meus lábios pouco antes de eu ver aqueles mesmos olhos conhecidos e sentir aquele perfume forte e conhecido, deixando um sabor amargo na minha boca. - Nic, essa é a Audrey, minha noiva. E baby, esse é Nikolai, o primo do qual eu disse que cresceu junto comigo... - a voz do Ryan era como um som abafado ao meu lado. Eu conseguia ver o olhar surpreso do Nikolai, enquanto se direcionava a mim. - Baby, tudo bem? - meu coração está batendo tão rápido que consigo o escutar pelas têmporas. Levanto meu olhar para o Ryan e sorrio, tentando não transparecer o turbilhão de sentimentos que bate forte em meu peito. - É claro... É, Nikolai, certo? - olho novamente para os olhos do homem a minha frente e estendo minha mão para cumprimentá-lo. - É um - des - prazer - rever - conhecer você. - sua mão grande e quente aperta a minha em um cumprimento. - É um prazer, Ay... Audrey. - ele concerta rapidamente o que ia dizendo, me fazendo então soltar sua mão. - Meus parabéns pelo noivado, Ryan... - este desvia o olhar para o meu noivo. O grande motivo pelo qual eu ainda estou em êxtase é o fato de que Nikolai é meu ex namorado. Foi por causa dele que eu demorei para me envolver com qualquer outra pessoa. Ele foi minha maior ruína. Nosso relacionamento foi a pior coisa que poderia ter me acontecido e eu m*l posso acreditar que ele é o cara de quem Ryan tanto fala. p**a m***a! Ele sempre me fala sobre o primo do qual cresceu junto e que se distanciou após ir fazer faculdade na França. E foi nesse período que tive meu relacionamento com Nikolai, cerca de cinco anos atrás. O motivo pelo qual eu jamais desconfiaria sobre seu envolvimento com a família do Ryan é porque eles não são primos de verdade. São primos de consideração. Pelo que Ryan me disse algumas vezes, Nikolai é filho da mulher do tio dele; eles são casados até hoje. E por conta desse casamento Nikolai e ele cresceram juntos. De qualquer maneira, não teria como eu saber sobre a ligação da família de ambos, porque eu nunca cheguei a conhecer a família do meu ex namorado e o sobrenome do qual ele carrega não é o Jackson e sim o Maverick, do seu falecido pai, do qual ele já falou para mim algumas vezes durante nosso relacionamento. Os últimos primos a cumprimentar do Ryan foi a irmã mais nova do Nikolai, a doce e adorável Madelyn. Agora ela já não é mais tão nova quanto na época em que a conheci, tendo por volta dos seus treze anos. Diferente de muitos traços do Nikolai, por ser filha do tio do Ryan, ela é loira. É uma garotinha linda e que entendeu que era para fingir não me conhecer. Eu conversaria com ela mais tarde, se eu tivesse a oportunidade. Mady e eu costumávamos nos dar bem, eu a adorava. Foi a única pessoa da família do Nikolai que eu cheguei a conhecer. E por último um primo aparentemente da idade do Ryan. Eu não consegui prestar muita atenção nele, pois minha cabeça não em deixava em paz. Eu estava em completa combustão por dentro. Tudo dentro de mim parecia que ia explodir a qualquer momento. - Ei meu doce, tudo bem? - Ryan, me conhecendo perfeitamente, pergunta, levando meu olhar até si. Faz alguns minutos que estamos todos no deck do jardim de trás, sentados em um sofá confortável, conversando e bebendo vinho. - Claro amor. - sorrio para ele, recebendo em seguida um suave beijinho na testa. - Está sentindo alguma coisa? Você está muito aérea, meu doce. - sua mão encontra o meu rosto, onde o mesmo alisa minha bochecha suavemente com seu polegar. - Fica tranquilo, está tudo bem. - levo a taça aos meus lábios e bebo o líquido de pouco teor alcoólico. Eu não contava mesmo com a presença do Nikolai. Isso me desestabilizou de uma forma indescritível. Há anos eu não lembrava dele, não lembrava do caos que foi nosso relacionamento. E foi só vê-lo que todas as lembranças se explodiram dentro da minha cabeça, trazendo à tona um sentimento tão confuso dentro de mim. A real é que o que tivemos me afetou tanto psicologicamente. Eu fiquei tão m*l quando tudo acabou. Era uma relação completamente tóxica de ambas as partes. E tudo isso resultou em um término com traição. Uma traição de sua parte acabou com o nosso relacionamento. Hoje eu agradeço, já que, somente hoje, eu consigo admitir que aquilo foi a pior coisa que me aconteceu. Eu era muito dependente emocional dele. Ele me fez m*l em um nível absurdo. Eu era praticamente proibida de falar com os meus amigos do s**o oposto, porque ele não gostava e dizia que todos eles queriam ficar comigo. E eu acreditava nessa historinha furada. Foi h******l. Ser dependente emocionalmente de alguém é um porre. Não conseguir se dar conta de que seu relacionamento não é saudável é a pior sensação de todas. Eu não desejo isso para ninguém. - Ah, os desfiles na Europa foram incrível! - falo, conversando com a mãe do Ryan, enquanto o resto do pessoal presta atenção. - As modelos eram tão calmas e centradas... Foi incrível trabalhar com elas! - Eles estavam impecáveis, Aud. - a mulher de olhos verdes e sorriso materno me olha. - Você se superou nessa coleção! - Sim, estava tudo tão lindo. - Ryan diz, ao meu lado, alisando meu joelho suavemente. - Ela não brinca em serviço! - seu olhar se dirige a mim e sorrio automaticamente. - Bem, você tem a data do casamento já? - o tio Antoine de Ryan pergunta. Ele é o loiro padastro do Nikolai. É um senhor de meia idade, pouco parecido com o restante da família. Todos são muito bonitos, mesmo com idade elevada, e todos tem cabelos escuros, exceto por Antoine e Alícia, outra tia de Ryan. - Ainda não tivemos tempo o suficiente para falar sobre isso, tio. No entanto, queremos que seja antes de novembro. Dezembro começa toda a loucura da coleção de inverno e eu quero ter um tempo com a Aud antes de ela voltar ao trabalho nas passarelas... - E qual será a estilista que irá produzir o vestido? - papai sorri para mim, me fazendo rir baixinho. - Eu não vou perder a oportunidade de desenhar meu vestido, papai. Eu sonho com isso há alguns anos... - olho para o solitário em minha meu anelar da mão direita, sorrindo então. Eu não perderia essa oportunidade. Todos ficamos conversando por mais longos minutos, rindo e bebendo vinho, enquanto o almoço terminava de ficar pronto. Quando todos começamos a entrar, fiquei por último, junto com a pequena Madelyn. - Ei, parabéns pela coleção. Eu vi fotos esses dias. Os vestidos estavam de fato muito lindos, Aya. - a garota sussurra ao meu lado, me chamando pelo apelido do qual seu irmão costumava me chamar. - Obrigada, Mady. - passo minha mão pelo seu cabelo, acariciando os fios loiros e sedosos. - Você está tão linda! - sussurro de volta, vendo um sorriso ser dirigido a mim. - Você também. E meus parabéns pelo noivado. RJ é um primo incrível... - de tudo o que meu relacionamento com o Nikolai me tirou, a Madelyn foi a pior coisa. Eu me dava muito bem com ela. Nós costumávamos ficar parte do dia juntas e eu adorava ter sua presença. O almoço era um grande banquete com diversas comidas. A cozinheira do Ryan é impecável, ela é uma das melhores que há pela redondeza. Foi um momento bom em família. E teria sido completamente incrível se não fosse pela presença do Nikolai. Eu senti assim olhar em mim ora ou outra. É surreal como ele continua sendo o mesmo cara do qual eu conheci. Obviamente mais maduro, no entanto, o olhar ali é o mesmo. Evitei o olhar durante todo o almoço, porque eu não conseguia suportar o fato de memórias atingindo minha cabeça a todo momento em que nossos olhares se cruzavam. Eu só desejava, silenciosamente, que aquela m***a acabasse logo e eu pudesse ir para casa. Sempre me senti confortável na casa do Ryan, porém isso mudou a partir do momento em que eu soube que os primos que ficariam na casa do Ryan era justamente Nikolai, o tal Paul, mais um dos primos que cresceu com ele, e Alex, o primo mais próximo dele atualmente e do qual eu converso sempre que há reuniões familiares. Eu não podia acreditar que a casa do meu noivo ia mesmo ter como visita meu ex namorado. Minha língua coçava para contar para Ryan sobre Nikolai e eu, entretanto, não queria mesmo estragar o reencontro deles. Aparentemente Nikolai passou anos viajando o mundo desde o nosso término e Ryan e ele não se viam há anos. Eu não queria mesmo f***r com tudo; eu definitivamente não tinha esse direito. - Ei meu doce, te percebi longe o dia todo. Me fala o que houve! - em um raro momento a sós do dia, Ryan passa a mão pela minha bochecha, enquanto me olha nos olhos. - Você poderia parar de insistir nessa ideia equivocada. Eu estou bem. - passo meus braços ao redor de seu pescoço, aproximando nossos corpos mais um pouco. - Só foi uma semana longa. O almoço foi projetado milimetricamente... Só estou me recuperando do mês mais complicado do ano. - deposito um suave beijo em seus lábios. - Okay, eu prometo te fazer relaxar mais tarde... - há um tom malicioso em sua voz que me faz rir baixinho. - Você é péssimo! - sorrio, olhando em seus olhos. Me permito desfrutar do seu beijo lento e carinhoso por alguns segundos, finalmente podendo ter alguns minutos com ele. m*l consegui ficar com ele pelo dia todo. Agora que uma parte do pessoal se foi e a outra parte se encontra dentro da casa, posso enfim ter um momento com ele.
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