Quando John começa a descer o beco, em direção ao seu carro que estava estacionado logo na da rua de baixo, ouve os burburinhos da vizinhança e sente o olhar intimidante dos olheiros do tráfico. Ele apressa o passo e agradece a Deus por ver que estar chegando próximo ao carro.
Peter destrava a porta para que John entre rapidamente, pois, percebeu o seu desconforto em andar sozinho naquele lugar. Eles entram no carro e vão embora o mais rápido possível antes que toda aquela passividade e trégua acabasse.
Ele percebeu que Neto tinha alguma influência sobre aqueles homens, percebeu também que ele provavelmente desempenhava um papel de autoridade naquela comunidade, e que tinha permitido a sua entrada em segurança.
Porém, agora que ele não estava mais na companhia de Rosa, nem de Dona Helena, temia que aquele acordo de trégua estivesse acabado.
Já que as duas não estavam mais com ele, não tinha por que Neto manter a sua palavra.
Ainda mais porque ele tinha certeza de que, aquele homem sentia alguma coisa por Rosa, então eliminá-lo agora seria fácil, porque absolutamente, ninguém que ele conhecia, exceto Peter que estava com ele no carro, sabia da sua ida até aquele local.
Caso eles desaparecessem, nenhuma das duas mulheres imaginaria que eles não haviam saído de lá.
Quando saem do território perigoso eles respiram aliviados, John afrouxa o nó da gravata, e relaxa no banco do carro.
Peter então pergunta:
— Para onde vamos, patrão?
Ele responde:
— Para casa. Ele estranha, pois, John nunca tirava uma folga, realmente essa menina mexeu com o meu garoto. Pensou Peter.
Chegando em casa, ele pede a Peter que faça o mesmo e também tire a tarde de folga.
— Vá passear no shopping, visitar um parente, uma namorada sei lá... falando nisso, o senhor tem namorada?
Ele dispara em tom de brincadeira, vendo Peter corar de vergonha.
Nunca em tantos anos de convivência falaram sobre as suas vidas particulares, ele responde meio sem graça, dizendo:
— Não patrão! Estou velho demais para essas coisas.
John sobe as escadas em direção ao seu quarto dando gargalhadas.
— Nunca é tarde para começar meu caro, nunca é tarde…
John entra no seu quarto e se joga em cima da sua cama, se vira em direção ao teto, e um sorriso bobo surge no seu rosto. A lembrança de Rosa junto ao seu corpo o fazia arrepiar.
Quando ele a pegou no colo, sentiu os seus s***s dela pressionados contra o seu peito, ele teve que se segurar para não tentar beijá-la, o que com certeza o faria levar um tapa no meio da cara.
O cheiro gostoso dos seus cabelos, os braços dela em volta do seu pescoço.
Ainda bem que o esforço que fazia para subir aquele beco, disfarçou a sua respiração acelerada, e a sua transpiração excessiva também foi disfarçada, pois o seu corpo estava queimando de desejo por Rosa.
Sua pele era da cor do pecado e ele imaginou qual seria a cor da lingerie que ela estaria usando.
O desejo de John começa a ficar mais forte e a sua imaginação vai além do ingênuo contato físico que teve com ela a poucas horas.
Então ele coloca a sua mão dentro da sua calça e começa a acariciar o seu m****o, devagar e depois mais rápido, fecha os olhos e se imagina beijando os lábios dela, mordendo o canto da sua boca, como se degustasse uma fruta saborosa.
Sua mão acelera os movimentos e então solta um gemido, foi a primeira vez em que ele e Rosa fizeram amor. Pelo menos na cabeça de John.
Ele se levanta da cama, tira sua roupa, e vai direto para o chuveiro tentando esfriar o fogo que ainda o consumia.
Com certeza não entendia o que estava acontecendo com ele. Nunca desejou uma mulher a ponto de se tocar por ela nem mesmo na época de adolescente.
No colégio, John sempre conquistou a menina que quis, afinal, ele era popular e tinha muito dinheiro, uma combinação que fazia sucesso.
Praticamente todas as garotas se jogavam em cima dele, e agora estando adulto não gostava de perder tempo com essas brincadeiras solitárias, preferia pagar por suas transas, pois assim não precisaria dormir e nem falar com ninguém no dia seguinte.
Quando saía para caçar, como ele e os amigos chamavam, deixava claro que seria apenas aquela noite, que não era um homem para romances, e casamento então, fora de cogitação.
Ele sai do banho nu secando os cabelos, coloca um short de seda que ressalta ainda mais sua masculinidade, e vai para o computador checar os e-mails.
Em consequência da sua folga repentina todos estão loucos procurando algum contato com ele, inclusive sua secretária, que liga insistentemente para saber o que havia acontecido, e para saber se deveria desmarcar todos os seus compromissos.
A tarde está quente no Rio de Janeiro, e Rosa no seu barraco na comunidade sofre com o calor de quase quarenta graus, ela se vira de um lado para o outro em cima da cama, tentando achar uma posição confortável para o seu pé que voltava a doer.
Olha para o criado mudo que fica ao lado de sua cama e, pega o cartão que John a entregou e se lembra de seu pedido,
— Pode me ligar a hora que precisar.
Rosa precisava, sim, de um bom banho de água gelada para acalmar o calor que estava sentindo, não somente pela alta temperatura que fazia lá fora, como também, pelo fogo que subia por dentro cada vez que sentia o cheiro do perfume que aquele homem tinha deixado impregnado em seu corpo.
Alguns dias se passaram e Jonh não sabia mais o que fazer para ficar próximo de Rosa. Ligou algumas vezes para ver como ela estava se recuperando.
Perguntou se sua mãe estava bem. Quando voltaria trabalhar. Se estava conseguindo acompanhar as matérias da faculdade. E então, pediu para que ela o avisasse quando estivesse disponível para tratarem sobre o conserto da sua moto.
Foi uma excelente desculpa que ele arranjou para estar com Rosa novamente.
Primeiramente, ele não poderia voltar à comunidade porque teve a sensação de que, seria morto ao sair de lá, segundo, não queria parecer um perseguidor.
Como explicaria tanto interesse pela recuperação da moça, sem assumir que estava interessado por ela?
Rosa também não via a hora de poder vê-lo novamente, aguardava ansiosa que o médico a liberasse para pisar no chão
Quando ela recebe a autorização médica, a primeira coisa que faz é pegar o telefone e ligar para John combinando de se encontrarem.
Ele recebe a notícia tentando disfarçar a empolgação que estava sentindo.
— Fico muito feliz que esteja completamente recuperada. Então, podemos nos hoje?
— Com toda certeza. Respondeu ela.
— Então, às onze, o Peter vai até a sua casa para te buscar.
Rosa, delega o telefone e começa a cantarolar, a sua mãe olha para ela e pergunta:
— Posso saber qual o motivo para tanta animação? Ela sorri e diz:
— A Vida é bela, minha mãe, a vida é bela…
Sua mãe sorri de volta e brinca:
— Será que essa alegria tem nome? Por acaso seria John?
Ela faz cara de pouco caso e diz que sua alegria não tem nada a ver com ele, e que está feliz porque hoje depois de tanto tempo reclusa em casa, enfim sairia.
Estava recuperada e poderia ir lá fora ver gente, resolver os seus próprios problemas, trabalhar e voltar a estudar, enfim retomar a sua vida.
Dona Helena sabe que não era esse apenas o motivo de tanta alegria. Depois que conheceu John algo mudou em sua filha, estava mais feliz e também mais aérea. Ficava o dia todo esperando que ele ligasse para saber como ela estava se sentindo. E depois que se falavam ficava toda feliz, rindo pelos cantos.
Rosa pega seu roupão e liga um velho rádio que fica do lado de sua escrivaninha. Coloca a sua música preferida para tocar e vai para o banheiro dançando ao som de oceano.
Uma bela canção interpretada por Djavan, um dos seus cantores preferidos. Rosa tem uma paixão especial por ela, pois a fazia recordar da sua infância, quando o seu pai tirava sua mãe para dançar, e os dois eram embalados por aquele mesmo som que tocava no rádio, que a agora pertencia a ela.
Ela se ensaboa enquanto canta por quase uma hora. Agora, interpretando as performances dos seus artistas favoritos, desliga o chuveiro se cobre e sai do banho.
Abre o guarda-roupa e começa a dúvida c***l. Que roupa escolheria para se encontrar com John.
Escolheu um vestido que trazia uma estampa em tons pastéis, pouco acima do joelho. Com um decote mais ousado nas costas, ele deixava as suas curvas levemente aparentes. Calçou um salto baixo, pois ainda era dia. Os cabelos ela preferiu deixá-los soltos, com os cachos caindo sobre os ombros, colocou um brinco de argola, e borrifou algumas gotas do seu perfume preferido. Estava pronta.
Sua mãe entra no quarto e assovia.
— Você está linda, minha filha, tem certeza de que vocês só vão olhar a moto?
Rosa pega o travesseiro que estava em cima da sua cama e joga em direção a sua mãe que se esquiva. As duas riem e se abraçam.Logo em seguida o telefone de Rosa toca. É Peter avisando que a aguardava na rua de baixo.
Ela se despede da mãe e desce o beco para encontrar o motorista.
Enquanto isso no escritório, John aguardava inquieto o momento em que iria se encontrar com Rosa novamente, não a via desde o dia seguinte do acidente. Queria muito ter ido até a comunidade fazer uma visita para ela e Dona Helena, mas devido ao risco correu naquele dia, não quis colocar nem a ele, nem a Peter em perigo.
Neto naquela ocasião, ofereceu uma trégua por causa de Dona Helena, mas com certeza pelo que ele percebeu, ele amava Rosa, e não sabia qual seria a reação dele, se John aparecesse na comunidade para fazer uma visita social, e se esse acordo de passagem livre ainda existiria.
John é avisado pela secretaria que Peter o aguardava na entrada do escritório.
Ele respira fundo. Se olha no espelho, arruma o cabelo e responde que já estava a caminho.
Dentro do carro, Rosa aguarda ansiosa a chegada dele.
Suas mãos começam a soar frio e seu coração dispara, quando o vê chegando próximo ao carro, ela diz a si mesma:
“Ele é ainda mais bonito do que eu me lembrava.”
Ele abre a porta do carro e a cumprimenta se sentando ao seu lado. Pega sua mão e a beija.
— Como tem passado mocinha?
— Eu estou muito bem, obrigada! E você como tem passado?
— Com certeza estou bem melhor agora que te vi. Peter podemos descansar em paz, graças a Deus não matamos a moça. O motorista dá um suspiro como se também se sentisse aliviado, e então, pergunta:
— Para onde vamos, patrão?
— Por mim, vamos almoçar, estou faminto. Tudo bem para você Rosa?
Ela consente com um movimento de cabeça, e então, Peter os leva a um restaurante onde John costumava almoçar.
O motorista os deixa em frente ao restaurante.
John desce do carro, abrindo a porta para Rosa.
— Nossa quanta gentileza. Ela agradece.
Só nesse momento ele consegue observar melhor o quanto ela está linda. No dia do acidente ela vestia uma calça jeans surrada, jaqueta de couro e botas, seus cabelos estavam presos em um coque para acomodar o capacete.
Ela tinha um ar selvagem que expressava bem sua personalidade, como se tivesse um espírito indomável.
Mas, naquela ocasião, ela estava ainda mais bonita. Aquele dia estava machucada caída naquele chão, com toda razão estava também muito irritada, porém, agora parecia uma doce e suave brisa.
— Você está linda. Ele a elogia.
Ela agradece com um belo sorriso.
Entram no restaurante. Um pouco menos requintado do que Rosa esperava.