Capítulo 2

1526 Words
CAPÍTULO 2 Alice Narrando — Qual é! Vamos! Você precisa beber! — Tracy disse pela QUINTA vez e eu quis muito bater nela naquele momento. Eu a amava, era sério, mas... — qual era o problema dela em entender um simples não? “Seja compreensiva, Alice.” Eu continuava a dizer a mim mesma. “Tracy não sabe lidar com seus próprios sentimentos.” Eu repetia desde o dia em que Thomas havia decidido se divorciar, mas a verdade, era que em momentos como aqueles, eu começava a me incomodar com a sua insistência. — Beba, Alice! Vamos! — Ela dizia rindo e dançando, quase subindo na mesa do bar. Bar esse para o qual ela havia insistido tanto em ir, ao ponto de que não pude dizer não. Quando me dei conta, ela estava outra vez pulando sobre o balcão do bar e flertando com o pobre bartender enquanto se agarrava a outro copo de vodka. — Não! — Eu disse a puxando pelo quadril e oferecendo ao rapaz, um sorriso sem jeito. — Você já bebeu demais por hoje, nada disso. — Uuuuh! — Ela me vaiou, seu rosto se tornando um grande emoji de tristeza. — Alice má! Alice muito má! Bufei de incredulidade por sua falta de consciência naquele momento, mas não a soltei. Não podia. — Certo, Alice é uma pessoa horrível. — Eu concordei e enquanto concordava com ela, a arrastei para longe dali. Foi tortuoso carregar uma versão de Tracy que mais se assemelhava a um bonecão do posto — em direção ao carro que estava estacionado em uma rua apertada. — Veja só onde você me mete. — Resmunguei a jogando no banco do passageiro e atacando seu cinto. — Não me odeie, Alice... — ela choramingou, os olhos fechados, o rosto emburrado, — você não pode me odiar... você não. Suspirei. Era em momentos como aqueles que eu me lembrava do fato de que realmente, eu amava Tracy. Mesmo ela sendo egoísta, metida e egocêntrica, ela era a minha melhor amiga. Minha pequena princesa que não conseguia enxergar um palmo abaixo de seus pés. — Eu não te odeio, Try... — murmurei beijando sua testa e entrando no carro, no banco do motorista. Eu odiava dirigir, mas era fato que em momentos como aqueles — era necessário. Então, eu o fiz. Dirigi por aquelas estradas escuras e vielas desconhecidas, sendo guiada apenas pelo maps e pelo meu próprio coração. Estava tão perdida, que considerei um milagre o fato de ter retornado para a mansão de Thomas — sem ter meus orgãos roubados e vendidos no mercado n***o. — Vem — eu chamei Tracy enquanto tentava tira-la do carro, — está na hora de ir para o quarto. — Não! — Ela gritou em revolta, — Tracy não quer dormir! Tracy odeia dormir! Eu ri, afinal era impossível não rir quando ela perdia totalmente a pose de senhora dona de si. Esse era o grande ponto fraco da Tracy, a sua versão bêbada. — Claro, claro... Tracy odeia dormir. — Eu concordei a arrastando escada acima, — então a Tracy vai ter um lindo encontro. — Encontro? — Ela pareceu se empolgar e por alguns segundos, foi bem mais fácil guia-la em direção ao quarto. — Aham, — eu sorri, — um encontro com a sua linda cama. Por sorte, não houve revolta dessa vez. Apenas uma versão da Tracy que cedeu e me permitiu coloca-la em sua cama. Eu tirei seus sapatos, arrumei meramente seu cabelo e ajudei a trocar ao menos a parte de cima de sua roupa — que era justa demais para se dormir. Quando retornei ao meu quarto — o último no corredor de paredes brancas, — me vi impaciente. Inquieta. Eu tomei um banho longo, me troquei, entrei embaixo do edredom e ainda assim? O sono não veio. Ver Tracy bêbada, rindo e querendo dançar — me fez lembrar de Tony. — Vamos, Ali! Você tem que se divertir! — Ele costumava dizer enquanto girava e girava comigo em seus braços. Aquela memória, fez meus olhos se encherem com lágrimas. Eu amava o Tony. Eu pensava que ele seria meu único namorado e único amor. Sonhava com nossa futura casa, nossos futuros filhos e uma vida que jamais iriamos ter — porque Tony era um babaca e também... um traidor. A vergonha tomou conta do meu corpo e eu me encolhi em minha própria cama enquanto me lembrava da traição. Do frio que me subiu a espinha quando entrei no apartamento de Tony e ouvi os gemidos vindo de seu quarto. Tony destruiu meu coração. Ele destruiu toda a minha visão de romantismo e também, a garotinha que tinha se apaixonado perdidamente por ele. “Thomas jamais faria isso,” eu me peguei pensando enquanto me recordava dele na piscina. Thomas era um homem maduro, bem resolvido e claramente fiel. Mesmo lidando com anos e anos de infidelidade, eu sabia bem que ele jamais havia tocado outra mulher que não fosse a mãe de Tracy — e isso me fazia desejar... pensar, em como seria estar no lugar daquela velha ranzinza. Ele certamente me traria flores todos os dias, abriria a porta do carro, seguraria em minha mão para qualquer mínimo esforço... — Thomas seria cuidadoso, me trataria como uma verdadeira rainha e a noite, quando estivéssemos sozinhos, me foderia como eu-... Meu rosto esquentou quando me dei conta do que estava pensando. Eu novamente havia me deixado levar. Pensado demais. — Chega. — Resmunguei saltando para fora da cama, — eu preciso de um copo de água. Com a pressa, deixei meus chinelos para trás e o chão frio contra meus pés era quase um lembrete de que tudo aquilo era real, mas a brisa da noite que entrava pelas grandes janelas da casa de Thomas —, parecia trazer mistério e fantasia para as noites escuras. Então como eu poderia não imaginar? Como eu poderia parar em frente aquela enorme janela da cozinha — e não pensar em Thomas me encarando no reflexo do vidro, em seu corpo pressionando o meu contra a porta trancada, enquanto ele me fodia e sussurrava ao meu ouvido, “você não deveria ter perdido tanto tempo com outros, Alice querida. Não era óbvio que você sempre foi minha?” Eu arfei, minha mão desceu por meu próprio corpo e eu me recostei a bancada da cozinha — que ainda se encontrava totalmente escura, — meus dedos deslizaram por entre minhas coxas e eu senti com um mero toque o quão molhada estava. O quanto estava excitada com aquela simples imagem, com o sorriso de canto que Thomas me daria enquanto me fodia. — Alice? — A voz de Thomas me fez ter um sobressalto e no susto, eu me virei, colocando ambas as mãos para trás e agradecendo aos céus por ao menos, ter estado de costas. “Ele não viu nada,” tentei dizer a mim mesma, mas quando o encarei — a lua pareceu brilhar no céu noturno e a imagem de Thomas, era nítida demais. Nú. Cabelos bagunçados, toalha em torno do quadril. MERDA! Eu quis gritar e senti minha garganta secar enquanto forçava minhas pernas a funcionarem. — P-perdão. — Eu disse fechando minhas mãos em punhos e tentando me controlar. — Pelo que está pedindo perdão? — Ele me perguntou sorrindo e eu não sabia o que responder, não algo que não me entregasse completamente. — Eu vi quando você e Tracy chegaram, mas pensei que a essa hora... estariam dormindo. — Ele disse quando o meu silêncio prosseguiu, e eu suspirei. Era hora de mentir. — E-eu... não consegui. — Falei tentando limpar a garganta e Thomas me encarou, como se tentasse me decifrar. — Pesadelos? — Algo assim... — menti, — eu acabei me lembrando do meu ex. Os olhos de Thomas se estreitaram. — Seu ex? — Antony — eu disse me forçando a sorrir. — Certo... — Thomas pigarreou, — e por que vocês terminaram? Me lembro de Tracy dizer que ele era o seu... primeiro amor. O meu rosto se tornou inegavelmente triste e sem coragem, eu encarei o chão. — Tony me traiu. — Eu disse com simplicidade, mas em minha voz, era óbvia a decepção. A mão de Thomas tocou gentilmente minha bochecha — me pegando de surpresa. — Eu sinto muito por isso, Alice. Mas alguém como Antony, que é capaz de te trair, não merece você. Eu engoli em seco. — E o que eu mereço? — Você... — ele começou e eu podia sentir a respiração dele em meu rosto de tão próximo que seu corpo estava do meu, — você merece algo melhor. — Como... você? Os olhos de Thomas se tornaram turvos e ele me encarou, quase como se me perguntasse se eu realmente tinha coragem de continuar. — Essa não seria uma boa escolha, querida. — Ele acabou por me dizer e sua voz rouca e fria me fez entender onde eu estava prestes a me meter. — E-Eu... — simplesmente não consegui falar e antes que Thomas pudesse abrir a boca para continuar, eu fugi.
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