Capítulo 3

1068 Words
CAPÍTULO 3 Thomas Narrando As letras miúdas estavam começando a me matar, mas não havia o que se fazer quando se era responsável por tantas empresas. — Senhor? Gostaria de confirmar a reunião das 19:45 com os negociadores da... Eu simplesmente a interrompi com um simples gesto de mão. — Apenas marque a porcaria da reunião, Valquíria. Não havia nada que me irritasse mais do que reuniões, mas eu sabia que infelizmente — elas eram necessárias. — Claro, senhor... — ela disse anotando algo em seu maldito caderninho e meus dedos massageiam minhas têmporas enquanto me focava outra vez nos papéis. Eram tantos cálculos, tantos resultados a serem esperados de cada filial. As vezes eu me questionava sobre como tudo aquilo acabaria em alguns anos, sobre como todos sobreviveriam sem mim e justamente nesse momento, meu celular estremeceu sobre a pasta preta que estava do meu lado direito. “Olhe como estou linda, papai!” Era o que a mensagem cintilando em minha tela dizia, e por um momento, não pude evitar de sorrir. Era Tracy, claro. Minha pequena e adorável Tracy. Minha menina de olhos de ouro — que havia tomado conta de todo o meu universo e transformado o meu mundo em um grande castelo cor de rosa. Eu amava a minha filha, a amava tanto que cheguei a cogitar a ideia de continuar infeliz naquele maldito casamento — mas eu era inteligente o suficiente para saber que nada vindo de uma união com aquela cobra que ela chamava de mãe, poderia ser bom. “Veja como meu cabelo está incrível!” Ela me enviou uma segunda mensagem e então, uma terceira. “Você não acha que meu cabelo está merecendo um carro novo para combinar com meu novo corte?” Eu soltei uma risada bufada, surpreso com a tamanha cara de p*u que a minha pequena estrela — havia adquirido com o tempo. “Papai! Pare de me ignorar!” Ela dizia em uma quarta mensagem. “Não nos ignore!” Ela mandou em uma quinta e nessa, ela já não estava sozinha. A minha pequena criatura mimada — que havia sido completamente estragada pela cobra que costumava chamar de mãe —, estava acompanhada. Lindamente acompanhada. A jovem de olhos sedutores e ao mesmo tempo inocentes, com lábios rosados e tanta delicada. Alice. Eu a reconheceria em qualquer lugar, a qualquer instante. Alice era... diferente. E nesse momento eu nem mesmo estava me referindo as suas curvas e... qualidades. Não. Havia algo diferente no olhar daquela garota. Havia algo na forma como ela andava, na forma como sorria. Meus olhos repousaram sobre aquela foto outra vez, uma foto onde Tracy sorria ao lado de Alice. Uma Alice com olhos semicerrados e um sorriso de canto. Era bem diferente da Alice que vi a duas noites atrás. Bem diferente da garota que se tocava — recostada a minha bancada, — com a luz da lua a iluminando de forma quase teatral. Eu quis fode-la bem ali. Com o rosto contra o balcão, a b***a empinada e os braços presos em suas costas. Queria ouvi-la gritar e implorar por mais, enquanto eu entrava tão fundo nela — que jamais outro homem conseguiria fode-la sem que ela se lembrasse de mim, chamasse por mim. Mas Alice fugiu. “Claro,” pensei enquanto uma das minhas mãos cobria o meu próprio rosto. “Ela é apenas uma garota, uma garota que tem a mesma idade que Tracy!” Era nessas horas as quais eu me sentia um monstro. Nas horas em que pensava em f***r a melhor amiga da minha filha — no lugar de me preocupar com sua educação, no lugar de consertar os estragos que sua mãe, havia feito em sua personalidade. “Eu preciso pensar mais na Tracy,” me lembrei enquanto fechava aquela foto. Enquanto tentava afastar Alice e seu corpo escultural — da minha mente. Para minha sorte, duas batidas na porta me trouxeram de volta ao mundo real. — Mister Thomas? — Uma voz feminina me chamou e quando ergui meus olhos para encara-la, era Valquiria. — Uma jovem... está aqui para vê-lo. A encarei. — Quem? — Julia, mister Thomas. Meu rosto se tornou uma carranca de puro m*l humor — enquanto me arrumava em minha própria cadeira. Eu havia fodido com Julia algumas vezes, mas de forma alguma isso queria dizer que eu a queria por perto. Muito menos, que queria lidar com aquela cara cheia de sentimentos. Suspirei. — Mande ela embora, Valquiria. — Ordenei deslizando os dedos por meus cabelos e os jogando para trás, — e avise ao segurança. Julia não deve mais ser permitida a subir, essa é uma empresa séria, não se esqueça. Valquiria assentiu. — Claro, meu senhor. Respirei fundo quando a porta se fechou e o meu celular, vibrou uma outra vez. “Já que você continua a me ignorar, eu vou fazer algo para me divertir!” Tracy diz — como a boa menina mimada que havia sido ensinada a ser. “Você pode trabalhar e trabalhar, mas eu? Eu vou fazer uma festa!” Revirei os meus olhos quase que automaticamente ao ler aquela mensagem e então, uma nova surgiu. “Vai ser uma grande festa na sua nova casa, espero que ninguém quebre nada.” Ela me mandou e então, me mandou uma foto mostrando a língua e fazendo careta — como uma verdadeira criança. Suspirei. Tracy não era apenas mimada, ela era carente e necessitava de atenção. Mas ironicamente, foi ao imaginar Alice ali — naquela festa cheia de homens que Tracy faria questão de convidar —, que me incomodou. Ela era... bonita. Sexy. Sedutora. Quanto tempo demoraria para que o próximo “Tony” aparecesse? Quanto tempo até que ela fodesse com outro homem? “Isso não é problema seu,” uma voz gritava em minha mente e ela provavelmente estava certa, mas quando me dei conta... — eu tinha terminado meus relatórios, desmarcado a minha reunião e dirigia para casa antes das 20:00 da noite. — Eu não vou permitir, — resmunguei comigo mesmo enquanto apertava o volante. Eu não iria deixar que outro homem se aproximasse de Alice. Não permitiria que aqueles olhos se focassem em outro corpo que não fosse o meu. Alice me queria, me desejava e eu faria questão de que continuasse a ser assim. Mesmo que eu não a pudesse ter.
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