CAPÍTULO 5
Thomas Narrando
Eu havia me esforçado para chegar em casa mais cedo, mas quando estacionei o meu carro, senti vontade de expulsar todas aquelas “coisas” que Tracy chamava de amigos — para fora da minha casa.
“Seja paciente,” eu repeti para mim mesmo enquanto andava em direção a minha porta, mas para minha infelicidade, o que vi foi Alice. Ela corria em direção a escada e subia enquanto olhava para trás com um olhar assustado.
— O que caralhos...? — Resmunguei, mas tão rápido quanto perguntei, tive minha resposta: um moleque de cabelos escuros e NITIDAMENTE bêbado.
Ele correu escada acima — como se aquela fosse a sua casa —, e eu os segui.
“Você não deveria se meter,” eu disse a mim mesmo, mas ainda assim, os segui e o vi se forçar contra a porta, o vi entrar no quarto de Alice e então ela gritou.
Ele havia acabado de jogar ela contra a parede, seu corpo estava perto demais da minha Alice e quando ela o mandou embora, ele a bateu.
O sangue em meu corpo, ferveu.
Era como se toda a minha sanidade, abandonasse meu corpo de uma única vez.
Antes que pudesse pensar direito, eu estava em cima do i*****l, socando sua cara e o jogando para fora dali. Eu estava puto e Alice... estava chorando.
Eu tentei acalma-la, tentei ajudar, mas no fim — só pude chamar Tracy.
— Sua amiga... precisa de ajuda. — Eu falei tentando parecer normal, mas assim que Tracy subiu para falar com Alice, eu me enfiei em meu escritório.
Não queria pensar. Não podia pensar — no quanto me incomodava a ideia de não ter chego a tempo.
...
Alice Narrando
— Ali? O que aconteceu com você?
Tracy me chamou e eu me ergui da cama.
Meu rosto estava obviamente vermelho e eu m*l conseguia pensar no que dizer a ela, mas o que mais me incomodava, era que Thomas havia ido embora.
— Tracy... — eu choraminguei, — aquele troglodita tentou me...
Eu parei, não consegui completar e Tracy me encarou com descrença.
— O que?
Ela parecia incrédula.
— O Julian, ele tentou me forçar! — Eu enfim falei, sentindo minha garganta se fechar.
— Julian? — Tracy me encarou com um meio sorriso. — Não seja boba, Alice... — ela bufou, — não acha que está exagerando? Julian jamais faria algo assim!
Ela suspirou.
— Eu não estou exagerando! — Falei levando a mão ao peito.
Eu a encarei.
— Claro que está! — Tracy resmungou — como pode acusar alguém com o Julian? Hum?
— NÃO! EU NÃO ESTOU! — Eu gritei, meus olhos ardendo com as lágrimas que queriam descer de forma quase desesperada.
— Alice! Se controle! Essa é a droga da MINHA festa!
Tracy resmungou, como uma verdadeira criança mimada.
Sem pensar duas vezes, eu a empurrei para fora do meu quarto e mesmo contra os seus protestos, eu me tranquei.
Eu senti meu peito doer, senti meu braço latejar e principalmente? Eu me cansei.
Como Tracy pode achar que alguém como Julian, seria capaz de me fazer feliz?
“É simples, ela não se importa com você,” uma voz ressoou em minha mente e as lágrimas rolaram bochecha abaixo.
Era impossível não pensar daquela forma depois de ouvir Tracy, depois de... ver que ela não me defenderia, nem sequer acreditaria em mim.
Era doloroso, era pior que a traição que Tonny me causou; mas tão logo me recordei de Tony, também me recordei da conversa com Tracy.
— Você é a única que jamais irá me substituir ou desistir de mim, Alice... — ela disse como se aquelas fossem palavras comuns, naturais.
Era uma pena que só tivéssemos 12 anos. O tempo passou, minha amiga se tornou maldosa e claro... mimada. Irritada com tudo que não saia EXATAMENTE como ela planejou.
“Ela é boba, certamente está triste” eu me dei conta, enquanto me erguia da cama, mas e agora? Onde diabos ela poderia estar?
A mera ideia de ter que sair daquele quarto e encarar a multidão — me fez ter uma verdadeira crise de ansiedade. Só de imaginar que Julian poderia estar lá fora, que poderia... me ver, me fez sentir meu estômago embrulhar, — mas eu precisava encontrar Tracy. Precisava... conversar.
Eu a procurei e por sorte, ela estava sentada no saguão.
Ela havia expulsado todos da festa, havia jogado todo mundo para fora e agora, estava em lágrimas, segurando um copo descartável e virando enquanto terminava uma garrafa de vodka barata.
— Try...
— Não — ela me cortou e seus cabelos castanho estavam em completa desordem, — não, Alice, não.
— Você não pode continuar me dizendo o que fazer — eu resmunguei, — você insistiu, você... me forçou a falar com ele! Você...
— O que? — Ela me fuzilou.
— Por que você fez isso? — Eu perguntei em um quase sussurro, — Tracy... é isso que pensa que eu mereço? Um cara como ele?
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
— É claro que não! Eu não queria que ficasse com ele! Não queria que ele... — ela parou, como se não tivesse coragem de terminar.
— Não queria que ele tentasse abusar de mim? — Eu mesma completei a frase para ela, — mas foi exatamente o que aconteceu.
— Eu...
— Sente muito? — Eu suspirei, — Try... por que você insistiu?
As lágrimas que já rolavam por sua bochecha se tornaram mais frequentes e ela começou a soluçar.
— EU NÃO SEI! — Ela gritou entre lágrimas, — eu queria que você ficasse com alguém! Queria que... estivesse junta com alguém outra vez! Queria que...
Ela parou e o meu coração parou junto a ela.
— Me desculpa, Alice... — ela murmurou, — eu fui infantil e boba.
Eu engoli em seco.
“Não,” pensei, “você não foi”.
Tracy já havia notado. Notado os meus olhares e provavelmente a forma como seu pai me encarava. Tracy, a menininha que nunca havia superado o termino dos pais — agora pensava como sua mãe: que qualquer uma ao lado de Thomas, era um empecilho e que o amor entre eles, salvaria qualquer coisa.
O único problema era ter que ouvir aquilo de sua boca.
Era ter que negar.
Como eu poderia se naquele mesmo quarto, eu quase me joguei nos braços dele?
Como poderia esconder, se em meus sonhos, Thomas me fodia e me tornava sua submissa, como Tony jamais havia conseguido me tornar?
Tracy estava estranha enquanto me encarava, mas a verdade era que ela já sabia. Já havia ligado os pontinhos e eu não tinha certeza de quanto demoraria para tudo desmoronar.