O tempo passa rápido

1041 Words
Mel entrou na sala de Júlia parecendo apressada, não bateu, nunca batia, percebeu a tensão entre o visitante e a madrinha. - Madrinha me dá uma caro...na? Wendell sempre a buscava no orfanato, mas naquela noite ficou preso em uma missão, avisou a garota. Não havia nada entre eles, nunca trocaram nem sequer um beijo, mas o rapaz era gentil e atencioso em cada detalhe, absolutamente todos e isso, aos poucos foi fazendo com que ele ocupasse um lugar no coração de Mel. A fazia lembrar alguém, uma pessoa especial que há muitos anos havia perdido. Pedro olhou para Mel e mudou a expressão automaticamente, pareceu um cordeiro se transformando em lobo. Pensou no quanto conseguiria com a menina e não disfarçou o interesse, achou que no caso da filha de Ivan, talvez pudesse apenas enganá-la, sem riscos, achou que a menina tinha entre catorze e quinze anos, Mel tinha um biotipo pequeno, assim como a mãe, além disso fazia balé o que a impedia de ganhar qualquer peso, apesar de estar sempre se entupindo de doces, principalmente pudim, era um sabor que a fazia ficar melancólica e feliz ao mesmo tempo. - Olá, princesa! É muito bonita sabia? Mel não respondeu, não conseguiu, o olhar de Pedro a fez lembrar como Jin a olhava quando a fazia tirar o biquini e aceitar sua boca nos sеiοs que ainda nem tinha na época. Começou a respirar de forma desordenada, hiperventilou, sentiu as imagens dançarem na sua frente, tentou correr, tropeçou no tapete e acabou caindo. Sombra não demorou para chegar, Júlia havia ligado para o marido e deixado que ele ouvisse o conteúdo da conversa, foi o bastante para que ele entrasse no escritório como um furacão, não matou o homem a pedido da esposa, mas desde aquele dia não tiveram mais paz. O orfanato começou a receber diversas denúncias da igreja, de hospitais e até assistentes sociais que jamais estiveram no local. Mel não conseguiu mais voltar a trabalhar com Júlia, aliás estava sempre fugindo de qualquer situação que ela considerasse perigosa, o mesmo se aplicava a qualquer pessoa que não conhecesse, só aceitou a carona de Wendell, porque o rapaz sempre ia levá-la ou buscá-la junto com Clara e ela acreditava que eles estavam namorando. Não estavam, não era a irmã de Mel que chamava a atenção do rapaz, mas aprendeu a lidar com a forma calada e apreensiva da filha do capô, acreditava que se fosse paciente um dia seria notado, o tempo passou e isso não aconteceu, e já estava acostumando àquela rotina, tinha se afeiçoado a garota e aprendido a gostar de cuidar da menina, Mel o fazia lembrar um pássaro ferido, lindo e frágil. Endi estava alheio a tudo isso, não perguntava da vida no condomínio e fugia do assunto quando o pai começava a falar, achava que já não se encontrava naquele ambiente, decidiu que seguiria uma vida normal, pagaria seus impostos e seguiria a lei, não queria mais mortes em seu currículo, ou brigas sem sentido, quando sentia falta da adrenalina participava de algumas lutas de rua, ganhava um dinheiro e aplacava a sede por sangue. Vick gostava, diferente de Mel não entrava em pânico quando ele se machucava, a italiana achava viril e apreciava ainda mais o fato de que Endi deixava que ela ficasse com o dinheiro das lutas. Desceu do carro e acendeu outro cigarro, havia começado a fumar na faculdade, nem tinha certeza se gostava, pegou uma bala de chiclete e colocou na boca. Viu o carro do pai parar e Ethan dar a volta para abrir a porta para Júlia, o subchefe ainda seguia a mesma rotina de sempre, fazia questão de colocar e tirar o cinto de segurança da esposa, abrir a porta do carro e ajudar a mulher a descer. Endi sorriu, não se aproximou, gostava de ver a forma como o pai tratava a mãe. Eram como o complemento um do outro, e o rapaz se perguntava o porquê de ele não conseguir se sentir bem com Vick, tentava agir da mesma forma como tinha observado o pai fazer ano após ano, a diferença era que via a felicidade nos olhas do pai ao agir daquela maneira, não era calculado, era por prazer, já ele precisava se cobrar, quase planejar os próprios passos. Assim que o casal terminou o beijo, Endi jogou o cigarro fora e se aproximou dos pais. Estava mais alto do que Ethan e isso significava estar muito maior do que Júlia, mas foi erguido do chão pelo pai. - p***a! QUE SAUDADE MOLEQUE! - Já disse para não falar palavrão na frente das crianças! Júlia brigou com o marido e foi abraçada pelo filho, Júlia ganhou um beijo no alto da cabeça e uma caixa de chocolates suíços. - Não sou mais criança, mãe. - Para mim parece, e não anda comendo direito né e está com olheiras, o que aconteceu? Endi deu risada passou a mão em volta do ombro da mãe e convidou. - Vamos? Preciso ler as tais denuncias e estudar o processo. - Não acha melhor descansar filho? - Não mãe, quero ir embora logo, se tiver um cantinho aí vou dormir no orfanato esses dias, vai me ajudar a conseguir estudar até mais tarde, ou fico em um hotel aqui perto. Vick ficou p**a com essa viagem, preciso voltar ou vou acabar solteiro. Júlia nunca gostou da nora, a viu algumas vezes e não conseguiu encontrar nenhuma razão para que Endi estivesse com ela. Sombra tinha a mesma opinião da mulher, enxergava em Vick algo que não o agradava, apesar de muito bonita tinha uma astúcia no olhar que Endi não tinha. O rapaz parecia ter mantido a ingenuidade da infância e não notar que estava sendo usado. Na verdade, ele sabia, tinha certeza de que Vick se aproximou por achá-lo bonito, mas só tinha continuado pelo dinheiro. - Por mim seria uma excelente notícia. - Para de ser ranzinza ou vou achar que está ficando velha! Sombra normalmente repreenderia o filho por falar daquela forma com a mãe, mas os dois estavam tão felizes que ele se perdeu admirando a cena. E a única coisa que conseguiu pensar é no quanto o tempo passar rápido.
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