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Entre o poder eo Sangue

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Blurb

Descrição da HistóriaEntre o poder que domina cidades e o amor que tenta sobreviver ao silêncio, Entre o Poder e o Sangue conta a história de uma mulher que carrega um segredo capaz de derrubar até o homem mais temido do submundo. Casada com Aaron Valente, um chefe da máfia frio e intocável aos olhos do mundo, ela enfrenta uma batalha invisível contra uma doença devastadora enquanto luta para proteger quem ama da dor da verdade.Em meio a noites solitárias, promessas não ditas e um império construído sobre violência, o amor deles é colocado à prova quando o destino exige escolhas impossíveis. Uma história intensa, emocional e profunda sobre vulnerabilidade, sacrifício e o tipo de amor que enfrenta até a morte.

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Capítulo 1 — O Homem Que Nunca Teve Medo
Eu sempre soube reconhecer o medo nos outros. Ele mora no jeito como a mão treme ao acender um cigarro. No olhar que desvia rápido demais. Na respiração curta quando meu nome é pronunciado. Passei a vida inteira cercado por homens que fingiam coragem, mas cheiravam a pânico. Eu nunca precisei levantar a voz. O medo fazia isso por mim. Por isso, quando entrei em casa naquela noite, não esperava encontrá-lo ali. Não nos corredores vazios. Não nos quartos silenciosos. Mas em você. Você estava sentada no sofá da sala, as luzes apagadas, apenas o brilho distante da cidade entrando pelas janelas altas. Não estava assistindo televisão. Não estava mexendo no celular. Estava parada, com as mãos entrelaçadas no colo, como alguém esperando uma sentença. Fechei a porta com cuidado, algo raro para mim. Tirei o paletó devagar. O cheiro de pólvora ainda estava impregnado na minha roupa, misturado ao de fumaça de cigarro e chuva. — Amor? — chamei. Você levantou o rosto. E foi ali que algo se quebrou dentro de mim. Você sempre teve cor. Sempre teve vida no olhar. Mesmo nos dias difíceis, mesmo quando eu chegava tarde demais, mesmo quando o mundo parecia pesado — você ainda era luz. Naquela noite, não. Seu rosto estava pálido demais. Os lábios, secos. Os olhos… os olhos pareciam antigos, como se tivessem visto coisas demais em pouco tempo. Caminhei até você com passos lentos, medidos, como se qualquer movimento brusco pudesse te assustar. — Você está pálida — eu disse, tentando soar casual. — Está tudo bem? Você sorriu. Conheço todos os seus sorrisos. O verdadeiro. O irônico. O provocador. Aquele não era nenhum deles. — Está sim — você respondeu. — Eu só… me cansei um pouco hoje. Mentira. Sentei ao seu lado, inclinando o corpo para te observar melhor. Passei o polegar pela sua bochecha, sentindo a pele mais fria do que deveria. — Você foi ao médico — afirmei, não perguntei. Você hesitou. Um segundo apenas. Mas eu vi. — Fui. Meu estômago afundou. — Por quê? Você respirou fundo. Longo demais. Como quem se prepara para atravessar um abismo. — Porque eu estava me sentindo fraca. — Sua voz saiu baixa. — Muito cansada. E… — você engoliu em seco — eu achei que fosse melhor conferir. Eu assenti devagar, tentando manter o controle. Controle era algo que eu nunca perdi. Até aquele momento. — E o que ele disse? Você ficou em silêncio. O tipo de silêncio que grita. Peguei sua mão. Ela estava gelada e levemente trêmula. — Olha pra mim — pedi. Você levantou os olhos, e eu soube. Antes mesmo das palavras. Soube porque o medo que eu sempre reconheci nos outros agora tinha o seu rosto. — Aaron… — você começou, e a minha espinha gelou ao ouvir meu nome assim. — Promete que vai me ouvir até o fim? — Eu sempre ouço você — respondi. Mentira. Eu sempre estive presente fisicamente. Mas nem sempre ouvi. Você soltou minha mão, como se precisasse de espaço para dizer aquilo. — Eu estou doente. Meu peito apertou. — O quê? — perguntei. — Que tipo de doente? Você respirou fundo mais uma vez. As palavras pareciam afiadas demais para sair. — Leucemia. A palavra não ecoou. Ela caiu. Pesada. Definitiva. Fiquei olhando para você, esperando que completasse a frase. Que dissesse “suspeita de”, “exames inconclusivos”, qualquer coisa que anulasse aquilo. Mas você não disse. — Repete — pedi, a voz mais baixa do que eu pretendia. — Leucemia — você repetiu, e seus olhos se encheram de lágrimas. — Eu sinto muito. Senti muito? Eu senti foi o chão desaparecer. O mundo não girou. Não explodiu. Não fez barulho nenhum. Ele apenas ficou distante, como se alguém tivesse fechado uma porta grossa entre mim e a realidade. — Não — murmurei. — Não… isso não faz sentido. Passei a mão pelo rosto, levantei e comecei a andar pela sala. Precisava me mover. Precisava fazer algo. — Você deve ter entendido errado — eu disse. — Médicos erram. Exames falham. Eu conheço gente… — minha voz falhou pela primeira vez em anos — eu conheço gente que pode resolver isso. — Aaron… — você se levantou também, devagar. — Já foi confirmado. Olhei para você. De verdade. E percebi que você já estava vivendo esse luto sozinha há tempo demais. — Há quanto tempo você sabe? — perguntei. — Algumas semanas. Meu peito doeu. — E você não me contou? — Eu tentei — você respondeu, chorando agora. — Mas você estava sempre ocupado. Sempre cansado. Sempre salvando o mundo de alguém. A culpa veio como um soco. — Eu sou seu marido — eu disse, me aproximando. — Você não precisa me proteger. Você riu, um riso quebrado. — Preciso, sim. Porque você carrega o peso de tudo. E eu não queria ser mais uma coisa para você perder. Não consegui responder. Puxei você para meus braços com força, como se pudesse te manter inteira apenas segurando. — Não fala assim — murmurei contra seu cabelo. — Eu não vou te perder. Você se agarrou a mim como se estivesse caindo. — Promete? Fechei os olhos. Eu nunca prometi coisas que não podia cumprir. Mas naquela noite, menti sem pensar. — Prometo. E pela primeira vez na vida, eu tive medo. Medo não de perder poder. Medo não de morrer. Mas medo de acordar num mundo onde você não estivesse. E isso… Isso eu não sabia como enfrentar. Ficamos assim por um tempo que não soube medir. Você encaixada no meu peito. Eu segurando você como se meus braços fossem a última coisa firme no mundo. Seu choro não era alto. Não era descontrolado. Era pior. Era contido, engolido, como se até a dor tivesse aprendido a pedir licença dentro de você. Cada vez que seu corpo tremia, algo em mim se partia junto. — Eu devia ter percebido — murmurei. Você levantou o rosto devagar. — Não — disse com firmeza. — Não faz isso. — Eu vivo observando tudo — continuei, a voz pesada. — Homens, ruas, sinais, traições… e não vi você adoecendo na minha frente. Passei a mão pelos seus cabelos, sentindo-os macios, ainda cheios, ainda ali. O pensamento atravessou minha mente como uma lâmina: por quanto tempo mais? — Eu escondi bem — você confessou. — Porque eu precisava continuar sendo… normal. Pelo menos em casa. Normal. Essa palavra nunca fez parte da minha vida. Mas era tudo o que eu queria te dar. — O que os médicos disseram? — perguntei, finalmente. — Fala comigo. Tudo. Você se afastou um pouco, sentando novamente no sofá. Eu permaneci à sua frente, ajoelhado sem perceber quando minhas pernas cederam. — Disseram que vamos começar o tratamento logo — explicou. — Que há chances. Mas que vai ser difícil. Difícil. Eu já sobrevivi a guerras. Mas aquela palavra me soou como sentença. — Quimioterapia? — perguntei. Você assentiu. Engoli em seco. — E os efeitos colaterais? Você hesitou. — Muitos. Não insisti. Ainda não. Porque naquele momento, eu não tinha forças para ouvir tudo que ia te machucar. — Você está com medo? — perguntei. Você me olhou como se a pergunta fosse absurda. — Muito. A honestidade me atingiu mais do que qualquer mentira poderia. Aproximei-me novamente, segurando seu rosto com cuidado extremo. — Escuta — falei, firme, mas com a voz falhando nas bordas. — Eu não sei ser delicado com o mundo. Eu não sei rezar direito. Não sei pedir ajuda. Mas eu sei lutar. E se essa doença acha que pode te levar, ela escolheu o homem errado para enfrentar. Você sorriu de leve. — Você acha mesmo que pode intimidar o câncer? — Eu intimido qualquer coisa que tente tirar o que é meu. Você fechou os olhos por um segundo, encostando a testa na minha. — Eu não sou uma coisa, Aaron. — Você é tudo. A palavra escapou antes que eu pudesse segurá-la. Tudo. Você respirou fundo, como se aquilo doesse. — Eu tenho medo de mudar — confessou. — Tenho medo de não me reconhecer. De você não me reconhecer. Meu coração apertou. — Olha pra mim — pedi. Você abriu os olhos. — Eu reconheceria você em qualquer versão. Com cabelo, sem cabelo. Forte, fraca. Doente, curada. Viva… — minha voz falhou — viva. Você engoliu em seco. — Não fala como se— — Eu preciso falar — interrompi, mais ríspido do que pretendia. Respirei fundo. — Preciso dizer agora, antes que o medo cale tudo depois. Segurei suas mãos entre as minhas. — Eu te escolhi sabendo que minha vida não era segura. Que eu não sou um homem fácil. Que eu trago morte junto comigo. — Minhas mãos apertaram as suas. — Mas você… você trouxe vida pra esse caos. E eu não vou deixar isso acabar sem lutar. Você começou a chorar de novo. — E se eu não aguentar? — sussurrou. — E se eu cansar? A pergunta ficou suspensa no ar. Eu aproximei minha boca da sua testa e beijei ali, demoradamente. — Então eu aguento por nós dois. O silêncio voltou a se espalhar pela sala. Lá fora, a cidade continuava viva. Carros passando. Luzes piscando. Pessoas vivendo como se o mundo não tivesse acabado ali dentro. Eu te levei até o quarto mais tarde. Ajudei você a deitar, tirei seus sapatos, cobri você com cuidado. Fiquei sentado ao seu lado, observando sua respiração desacelerar. Quando você finalmente dormiu, eu não consegui. Fui até o banheiro, fechei a porta e encostei as mãos na pia de mármore. Olhei para meu reflexo. O homem que me encarava ainda parecia forte. Frio. Intocável. Mas por dentro… Eu estava em pânico. Passei a mão pelo rosto e, pela primeira vez em muitos anos, deixei as lágrimas caírem sem vergonha nenhuma. Não fiz barulho. Não gritei. Não quebrei nada. Porque líderes não choram alto. Eles sangram em silêncio. Voltei para o quarto antes do amanhecer. Deitei ao seu lado com cuidado extremo, puxando você para perto. Segurei você como se o mundo inteiro dependesse disso. Porque dependia. E enquanto a cidade acordava sem saber, eu fazia um juramento que não disse em voz alta: Se o destino quisesse te levar, teria que passar por mim primeiro. E naquela noite, o homem que nunca teve medo aprendeu exatamente o que isso significava.

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