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Meu Professor de Literatura

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Elisa sempre foi boa com palavras — menos quando ele estava por perto. O professor de literatura, com suas frases cortantes e olhares que pareciam atravessá-la, tornou-se mais do que uma figura na frente da sala. Ele era a tentação disfarçada de autoridade.As aulas eram o palco de um jogo silencioso. Ela provocava com perguntas ousadas, ele respondia com metáforas carregadas de segredos. Nenhum dos dois cruzava a linha, mas ambos dançavam perigosamente perto dela. E era ali, entre livros e silêncios, que o desejo crescia.Rafael sabia que não podia. Elisa sabia que não devia. Mas as regras começaram a perder o sentido quando a tensão se tornou impossível de ignorar. Uma troca de olhares mais demorada, uma desculpa para ficar um pouco mais depois da aula... e tudo começou a desmoronar.Meu Professor de Literatura é um romance proibido, carregado de tensão, onde cada palavra dita esconde o que o coração grita — e cada escolha pode custar tudo.

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Literatura em Chamas
A primeira coisa que Elisa percebeu ao entrar na sala não foi o silêncio. Foi o ar diferente. Espesso. Como se alguma coisa tivesse mudado e ninguém tivesse percebido ainda. Ela se moveu devagar até sua carteira no fundo da sala, o mesmo lugar de sempre, mas com a sensação de que aquela tarde não seria como as outras. Ao olhar para frente, entendeu por quê. Ele estava lá. Em pé, ao lado da mesa, braços cruzados, observando a turma com olhos atentos. Tinha a postura de quem sabia o que fazia — e o olhar de quem escondia mais do que mostrava. — Boa tarde. — A voz dele preencheu o ambiente. Grave, firme, quase íntima. — Sou Rafael Duarte, novo professor de literatura de vocês. As conversas cessaram. Até o som do ventilador pareceu diminuir. Elisa apoiou o queixo na mão. Não era comum ela se interessar tão rápido. Não por professores, muito menos por homens mais velhos. Mas havia algo nele. O jeito que falava, como se cada palavra tivesse um gosto antes de ser dita. Aquilo prendia. Aquilo atiçava. — Não vou fazer vocês decorarem regras de pontuação nem datas de nascimento de autores mortos. — Ele se encostou na mesa, os olhos passeando pela sala. — Quero que entendam a literatura como ela é: perigosa. E fascinante. Como tudo que vale a pena. A palavra perigosa pareceu pousar direto no ombro de Elisa. Ela sorriu de canto. Sentiu algo subir pela espinha, uma curiosidade misturada com provocação. Ele falava como quem estava à beira de dizer algo que não devia. E isso... era um convite. Rafael começou a andar entre as carteiras, distribuindo folhas. — Quero que escrevam sobre algo que nunca disseram a ninguém. Pode ser real ou inventado. Tanto faz. Só me entreguem algo que arda um pouco quando for colocado no papel. Arda. Elisa passou a língua pelos lábios sem perceber. Pegou a folha. Ficou olhando para o espaço em branco. O que ela nunca tinha dito a ninguém? Muita coisa. Mas poucas valiam aquele momento. Aquele jogo que nem tinha começado direito. Rafael se aproximou. Parou ao lado dela por um instante. — Dificuldade com o tema? — Nenhuma. Só estou escolhendo qual verdade vale o risco. Ele se inclinou um pouco. Não o suficiente para ser invasivo, mas o bastante para que o cheiro dele — discreto, amadeirado — invadisse o espaço entre eles. — Escolha a que mais te dá medo. São essas que mexem com a gente... e com os outros também. Ela escreveu devagar: "Quase ninguém percebe, mas existe prazer no olhar que demora um segundo a mais do que deveria. E é nesse segundo que tudo começa." Dobrou o papel. Lento. Como se estivesse entregando mais do que um texto. Quando ele passou recolhendo os trabalhos, pegou o dela com os dedos firmes. E mesmo evitando, seus dedos se tocaram. Foi um toque rápido, quase nada — mas deixou um rastro. Como se a pele reconhecesse algo antes da mente. Rafael fingiu que não sentiu, mas sentiu. E ela também. Por dentro, algo se acendeu. Ela não era como as outras alunas. Não era só a inteligência. Era o olhar. O jeito que o corpo dela respondia sem dizer uma palavra. A leve inclinação do pescoço quando prestava atenção. O sutil arquear da sobrancelha quando se sentia desafiada. Era madura demais para a idade. E isso... era perigoso. No fim da aula, enquanto todos saíam, ela ficou sentada. Observando. Rafael guardava os papéis na mochila, concentrado, até perceber que ela ainda estava lá. — Ficou com dúvida? — perguntou, calmo. — Só fiquei pensando em como certas palavras grudam na gente. Ele sorriu. — Palavras grudam mesmo. Às vezes, mais do que o toque. Ela levantou devagar, a mochila pendendo no ombro. — Às vezes é o toque que vem depois da palavra que a gente não sabe como esquecer. A frase ficou no ar entre os dois. Ele a olhou — direto, por alguns segundos a mais. Elisa sustentou. O olhar dele desceu, sutil, para o contorno do rosto dela. Não era intencional. Era instinto. E foi o suficiente para que o corpo dele enviasse sinais contraditórios. Como se a razão gritasse “não”, mas o sangue dissesse “mais um segundo”. Ela passou pela porta com o coração batendo forte, mas com passos firmes. Sabia o que tinha começado ali. Sentiu no corpo. No olhar. Na tensão que ficou no ar depois que ela se foi. E Rafael... ficou ali parado, olhando para a folha dela entre as outras. Não leu na hora. Ainda não. Mas já sabia que aquela aluna seria um problema. Um problema bonito, perigoso e viciante. E ele, no fundo, nunca foi muito bom em resistir a esse tipo de literatura.

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