O despertador ainda piscava no criado-mudo, projetando uma luz azulada e intermitente que m*l conseguia competir com a tensão no ar. Era cedo, tão cedo que o sol m*l tinha se erguido por completo, e mesmo assim, a casa já estava em ebulição. Elisa atravessou o corredor em silêncio, com a mochila pesada nas costas e os livros apertados contra o peito como se fossem um escudo. Respirava devagar, quase temendo fazer barulho com os próprios passos. Mas não adiantou. — Já vai sair de casa essa hora? — a voz áspera e cortante do pai ressoou da cozinha, como uma lâmina que cortava o silêncio. Ela parou por um segundo, sem coragem de encará-lo. Ainda assim, respondeu, quase num sussurro. — Tenho aula de reforço às sete... — Reforço? — ele repetiu, com um riso debochado que pareceu rasgar o ar

