Capítulo um - Jade
Olho para o convite que Harris me deu depois que regressou da lua de mel com a minha irmã. Ele é prateado e tem letras vermelhas nele, o papel é estranho, mas muito bonito. Obviamente que é convite de ricos. Mas eu ainda não decidi se vou ou se não vou. Estou confusa.
Primeiro, Nicholas vai estar lá. E se ele me machucar? Ele tem feito isso regularmente com suas palavras. Eu consigo fingir que não me afeta, mas até quando? Segundo, eu não acho que seja boa ideia continuar com isso. Não quero rastejar no chão de alguém que não quer saber de mim.
Por outro lado, Harris pode ter dito a verdade. Mas quais são as chances dele gostar de mim? Pela forma como ele me trata, eu acho que uma num milhão. Eu devia conversar com alguém sobre isso.
Saio do bar um pouco apressada, quando Mason segura o meu braço e me vira para ele. Não vou mentir que eu sei que ele gosta de mim, mas como eu já tinha dito para Safira, não fico com homens comprometidos.
— Esqueci alguma coisa? — Pergunto.
— Não. Pensei que iria querer carona. — Ele sorri.
— Não sei se é boa ideia...
— Eu vou assinar o divórcio na semana que vem. Estamos separados, não precisa se preocupar com isso.
— Eu... não sabia. — Olho para o chão.
— Posso te levar para casa?
— Está bem. Eu realmente preciso de uma carona. — Tento sorrir para ele.
Entramos no seu carro. Vejo o meu celular se tem alguma coisa nova, enquanto Mason dirige. Amanhã é sábado e também vou trabalhar. Eu sei que se eu pedir para ele, vai aceitar porque está apaixonado por mim, mas outra parte de mim acha isso errado.
— Então, daqui a pouco será o seu aniversário. — Ele diz. — O que você vai fazer?
— Ainda tenho tempo para pensar. Tenho que conversar com Safira sobre isso.
— Eu tenho uma sugestão. Podia dar uma festa no bar. Convide quem quiser e fica tudo por minha conta.
— Eu vou pensar nisso.
Não seria uma má ideia, mas realmente tenho que conversar com Safira por Mason querer custear tudo. Que sorte eu tenho por ter um chefe apaixonado por mim. Esmeralda também tem essa sorte, mas o chefe dela é casado com ela e tem biliões na conta.
— Você vai ficar sozinha em casa mais uma vez? — Ele pergunta.
— Sim. Rubí vai passar a noite com o namorado. — Respondo aborrecida. Renner nunca deixa a minha irmã respirar.
— Eu posso te fazer companhia, se quiser. — Ele diz, parando na minha entrada.
— Não precisa fazer isso por mim, Mason. Eu estou acostumada. Vou ficar bem. Pode acreditar.
— Se precisar de alguma coisa, liga para mim.
— Obrigada. — Sorrio para ele. — Você é um ótimo amigo.
Seu rosto cai. — Sim. Isso.
— Então, nos vemos amanhã.
— Claro, Carinho! — Ele sorri de um jeito triste.
Desço do carro e tiro as chaves para entrar. Mason espera até que eu esteja completamente dentro de casa e só assim vai embora. Tranco tudo para conseguir dormir e vou para o quarto que agora é só meu porque Safira não vive mais aqui.
Troco de roupa, visto o meu pijama do Bob esponja e deito na minha cama, abraçando o meu sapinho de pelúcia que Nicholas me deu em Vegas. Mesmo que não tenha sido de coração, não consigo me livrar dele.
— Mais um dia se foi! — Digo, desligando a luz do abajur. — Boa noite, Nicholas. — Falo para o meu ursinho.
Vamos visitar a nossa mãe e as nossas irmãs no sábado. Nossa casa tem estado tão vazia sem Esmeralda e Safira. Elas fazem muita falta e sinceramente, tenho medo que Rubí decida se casar também e me deixe sozinha lá.
Uso uma calça jeans, uma blusa verde, ténis e faço um r**o de cavalo. Se Nicholas estiver aqui, pelo menos não estarei completamente h******l.
Esmeralda nos recebe com um abraço e posso sentir a sua barriga contra mim. Ela disse que Peter ficou muito feliz por saber que seria um menino, que pulou pelos cantos o dia todo.
— Vocês vão querer alguma coisa? — Pergunta.
— Eu estou bem. — Rubí senta no sofá.
— Eu vou querer alguma coisa sim. Não se preocupe, eu sei onde é a cozinha. — Deixo a minha bolsa no sofá. — Onde está a Safira?
— No banho. Ela já vai descer.
— Eu vou buscar alguma coisa para comer. — Vou para a cozinha. Eu já me sinto à vontade nessa casa porque minhas irmãs também moram aqui. Elas são parte da família. Nem dá para acreditar que tenho irmãs milionárias.
Minha mãe está na cozinha com outra empregada. Eu não sabia que havia outra empregada, mas mesmo assim Sofia não vai se demitir. Não existe mulher mais teimosa do que ela nesse mundo.
Abraço mamãe mais uma vez. — Filha!
— Oi! — Aceno para a senhora de cabelos negros e sorriso gigante.
— Jade, essa é a Sarah.
— Prazer, Sarah. Aposto que minha mãe já deve ter falado de mim.
— Claro que sim. Prazer, Jade. — Ela sorri.
— Quer alguma coisa, filha?
— O que tem para comer?
— Tem biscoitos. Renner e eu fizemos um monte de biscoitos essa manhã. — Ela responde, observando Sarah saindo da cozinha.
— Ele está levando sério isso de cozinhar.
— Está mesmo. Tire o que quiser.
— Claro. — Abro o pote de biscoitos e começo a tirar vários, quando oiço um sotaque inglês grave atrás de mim.
— Sofia, não encontro a minha camisa preta. Você...
— Eu vou procurar. — Pelos passos, acho que minha mãe saiu da cozinha.
— Ora, ora! Se não é a Jonhanson i****a.
Viro para encarar ele. — Não se cansa de infernizar a vida das pessoas?
Nicholas está olhando para mim com os braços cruzados, exibindo seus bíceps bem trabalhados na sua regata. Consigo perceber que saiu agora do banho pelos seus cabelos molhados caindo pela testa, mas não escondem seus olhos azuis claros. É uma sorte eu conseguir me segurar nesse momento.
— Não me canso. O que está fazendo aqui na cozinha? Espera! Não precisa responder. A baleia assassina veio devorar os biscoitos. — Diz. Ele é mesmo insuportável. Infelizmente, há situações em que a gente se apaixona pela pessoa errada.
— Eu só não chamo você de filho da p**a porque sua mãe é uma boa pessoa. E ela com certeza merece um filho melhor que você.
— Então, porquê eu sou o favorito?
— Talvez não seja.
— Você é irritante, Jade!
Rio. — Sério? Eu é que sou irritante? Você não se conhece.
— Entendo porquê ainda está solteira. Mas a gente já teve essa conversa no escritório do Peter.
Reviro os olhos e pego nos meus biscoitos por cima de um prato. — Não tenho tempo para suas brincadeiras, Nicholas.
— Não teve tempo nem para escolher uma roupa melhor. Eu realmente entendo.
E ele sai da cozinha vencendo essa batalha. Eu vou explodir de tanta raiva, mas também de amor. Ele estava usando uma regata preta e jeans. Ele estava muito lindo. Porquê eu só fico apaixonada e não com raiva dele?
Suspiro e regresso com os meus biscoitos na sala de estar. Safira também já está no sofá e vem me abraçar, depois come um biscoito.
— Eu vi Nicholas saindo da cozinha. O que aconteceu? — Rubí sorri.
— Apenas ele sendo ele. — Como um biscoito também.
— Você está bem? — Safira pergunta.
— Estou. Ainda estou pensando sobre a festa de máscaras.
— Eu acho que devia ir. — Rubí também tira um biscoito. — Isso está ótimo.
— Foi o seu namorado que fez.
— Que orgulho do moranguinho!
— Adiante. — Digo. — Eu estive pensando em ir e fingir ser outra pessoa.
Safira acena em negação. — Eu já vi isso em muitos filmes e não termina bem.
— Não é bem assim. Eu vou fazer ele se apaixonar por mim, ele não vai saber quem sou. Vocês vão confirmar se ele gosta de mim e depois, eu digo a verdade.
— Parece muito complicado. — Esmeralda diz.
— Não é complicado.
— Talvez pode resultar. — Rubí responde com a boca cheia.
Safira suspira. — Está bem. Vamos ver se vai funcionar.
— Obrigada. — Como outro biscoito. Realmente, meu cunhado é ótimo nisso. Ele nasceu para cozinhar. — Agora sobre a nossa festa de aniversário.
— Não vamos exagerar porque eu estou grávida e Esme também.
— Claro que não. Eu estou aberta a sugestões, mas... — Dou outra mordida no biscoito gigante. — Mason propôs que fizéssemos no bar. O que você acha?
— Ele ou você? — Rubí pergunta.
— Bem, ele propôs. Foi ontem quando ele me levou para casa.
Safira e Esmeralda trocam olhares. — Ele não é casado? — Safira pergunta.
— Ele vai se divorciar. Mas isso não importa aqui. O que importa é que ele disse que tudo fica por conta dele.
— Sortuda! — Rubí diz. — Mas você sabe que ele está completamente apaixonado por você.
— Eu sei. Infelizmente, eu sei. Mas o que eu posso fazer? Não vou me demitir, eu gosto de ser gerente do bar.
— Você só é a gerente porque ele gosta de você! — Esmeralda responde.
— Eu também sei disso. E às vezes, eu me sinto m*l por me aproveitar dele, mas o que eu posso fazer? Ele quer me dar carona, não posso negar. Ele quer pagar a festa, não posso negar.
— Eu pago a festa. — Safira diz. — Não precisamos convidar tanta gente assim.
— Eu sei disso.
— E pode ser aqui ou lá em casa. — Rubí diz.
— Pode ser. Eu vou dar a péssima notícia ao Mason. — Termino o biscoito na minha mão.
— Vai chegar um momento em que ele vai se declarar. — Safira desvia o olhar.
— Não piora a minha situação.
— Desculpa, só falei a verdade.
Fazemos planos sobre a nossa festa de aniversário, anotando tudo e concordando que seja algo simples. E eu fico pensando se convido Nicholas. Claro que ele vai aparecer, talvez da parte de Safira, o que significa que não tenho escolha.
Conversamos bastante até que é hora de ir para o trabalho. Mesmo que Mason não vai ficar bravo comigo por chegar tarde, eu quero chegar cedo. Não basta eu me sentir péssima por ele tolerar todos os meus deslizes simplesmente porque está apaixonado. Eu quero merecer o emprego que eu tenho. Não sou tão c***l assim.
Rubí fica para esperar Renner porque têm plano juntos. Infelizmente, o motorista está com os pais dos Tales, o que significa que tenho que ir de táxi. Me despeço das minhas irmãs e saio de casa no mesmo momento que Nicholas. Ele está usando uma camisa preta linda e já está com o cabelo penteado e para trás.
Eu me aproximo dele. — Aonde você vai?
Ele olha para mim como se estivesse olhando para um ser estranho. — Isso não é da sua conta! — Põe as mãos nos bolsos.
— Eu só quero saber porque preciso de carona.
— Sério?
— Sim.
Ele ri, depois fica sério. — Não.
Vejo ele entrando no seu carro e espero que me diga para entrar também, mas ele não faz isso. Ele vai embora e isso machuca o meu coração. Vejo seu carro se afastando ainda com esperança que ele volte e diga que estava brincando. Mas ele não volta. Nicholas não volta.
Ligo para um táxi e fico aguardando, enquanto penso numa boa vingança para esse ser insuportável. Um ser insuportável que infelizmente, faz o meu coração bater forte.
Quanto azar!
Chego no trabalho a tempo e depois de verificar as contas, vou atrás do balcão ajudar. Mason também acaba de chegar e senta na minha frente com um sorriso enorme. Gostaria que Nicholas sorrisse assim para mim também.
— Boa noite, Carinho!
— Boa noite.
— Que cara é essa?
— Não é nada. Apenas estou cansada.
Sirvo bebida para um cliente, que depois se afasta da gente para conversar com uma loira gostosa. Sirvo um para Mason também.
— Já pensou sobre a festa?
— Sim. Infelizmente, Safira quer que seja diferente. Algo mais restrito e simples. Mas você está convidado.
— Obrigado. Não perderia o seu aniversário por nada.
— Eu ficaria muito feliz com a sua presença.
Ele sorri. — É bom saber disso. — Ele termina a bebida num só gole. — E não fique triste. Seja o que for, vai ficar tudo bem. Se precisar de um ombro amigo, sabe sempre onde me encontrar.
Sorrio, me sentindo melhor. Mason se levanta e me deixa com os meus pensamentos. Ele sobe os degraus que vão até sua sala, que usa várias vezes para descansar. Infelizmente, eu sou a única pessoa que já entrou lá.
Mason tem sido bom comigo desde o início, mas não consigo ver ele de outro jeito. Não consigo porque gosto do Nicholas. Mas Mason é alguém especial que eu não gostaria de perder.
Ele é um bom amigo, mas eu ainda quero tentar o meu plano da festa de máscaras. Não sei explicar, mas alguma coisa me diz que vai dar certo e que Nicholas vai ficar loucamente apaixonado por mim. Se não funcionar, ao menos tentei.