Capítulo dois - Nicholas

2293 Words
Karly vem me dá um beijo antes de sentar ao meu lado. E eu fico pensando se é normal eu me sentir m*l por ter negado carona para Jade. Talvez seja normal porque fui muito c***l, embora eu goste de brincar com ela. Uma coisa não posso mentir para mim mesmo. Jade é uma das mulheres mais lindas que eu já conheci. Acho lindo os seus olhos castanhos escuros, seu nariz comprido, seus lábios carnudos avermelhados, seus cabelos castanhos escuros compridos, até aquelas mãos suaves compostas por dedos finos e compridos, suas pernas longas e um pouco tortas, mas de um jeito adorável, aquela b***a que mesmo não sendo grande é perfeita e aquele sorriso gigante que deixa seu rosto mais bonito. Percebi tudo isso, mas não significa que eu goste dela. — Você está estranho! — Karly toca o meu ombro. — Aconteceu alguma coisa? — Não. Só estou pensando na vida. — Sabe que Danika está disponível, não é? — Ela bebe o meu whisky. — Não me interessa. — Você tinha perguntado por ela uma vez. — Não me envolvo com mulheres que já estiveram com os meus irmãos. Na verdade, não tenho vontade de sair com ela agora. É errado eu sentir um pouco de ciúmes dos meus irmãos que encontraram alguém e eu não? Infelizmente, sinto isso e não sei como fazer para parar de sentir. — Eu conheço outra pessoa, você vai gostar. Ela se enquadra no tipo de pessoa que você gosta. — Hoje não. Tenho que ir para casa. — Pago as bebidas. — Mas eu acabei de chegar. — Eu quero chegar antes do jantar. Depois a gente se fala. — Você está muito estranho, espero que não seja nada. — Vai passar. Saio do bar e vou correndo para o meu carro. Só quero chegar em casa o quanto antes. Também espero que Jade já tenha ido embora. Não gosto quando está perto de mim. Meus irmãos estão enganados se acham que todos nós vamos ficar com as Jonhanson. Chego em casa na hora do jantar e sentamos todos na mesa. A única pessoa que está faltando é o Renner, mas todos sabemos onde deve estar. Ele passa muito tempo com a namorada. Sei que é normal, mas ele não enjoa? — Eu amo ver essa mesa cheia. — Mamãe toca o meu rosto. — É temporário. — Respondo. — Você não se cansa de ser estraga prazeres? — Peter pergunta. — Não. — Meninos, por favor! — Papai olha f**o para nós. Esmeralda fecha os olhos por alguns segundos. — Céus! — Levanta. — Com licença! Ela sai da mesa e vai em direção às escadas. Peter não desvia o olhar dela até que desaparece. Safira ri baixinho e dá uma garfada enorme no bacalhau. — Então, como foi o dia? — Papai pergunta. — Foi aborrecido. — Respondo. — Chato. — Peter responde. — Entediante. — Harris diz. — Bom, o meu dia foi muito bom. — Safira responde. — Jade e Rubí estiveram aqui e fizemos planos para o nosso aniversário. — Como assim, vosso aniversário? — Pergunto. — Meu e da Jade. Nós fomos adotadas no mesmo dia. — Vocês vão dar uma festa? — Mamãe pergunta já empolgada. — Não é bem uma festa. Vai ser mais um jantar com todos os amigos e família. Todos aqui estão convidados. — Que bom. — Eu vou ver como a minha esposa está. — Peter levanta e vai para o quarto também. Papai sorri. — Finalmente, agora vocês entendem o que é ser marido e pai. Harris olha para Safira. — É mais fácil ser marido do que ser pai. — E eu não vejo a hora dos meus netos nascerem. — Vamos ficar alguns dias sem dormir, tenho a certeza. — Digo. — Espero que não sejam gêmeos. — Safira dá outra garfada. — Eu não sei se vou suportar. — O que você está esperando para nos apresentar uma namorada também, Nick? — Papai pergunta. Detesto quando falamos sobre mim. — Bem, eu não pretendo namorar tão cedo. — Se você tem outras preferências... a gente vai estar sempre do seu lado. — Harris sorri diabolicamente. Onde ele aprendeu a ser assim? Deve ser culpa da Safira. Vou m***r meu irmão! — Você tem? — Papai pergunta. — Claro que não! As minhas preferências são as mesmas que as suas, Harris. — Que bom. Safira come tudo que está no prato e serve mais. Ultimamente, ela e Esmeralda têm acabado toda a comida. Não que eu tenha alguma coisa contra isso, mas acho incrível alimentar um ser no seu ventre. — Com calma, amor! — Harris limpa o canto da boca dela com um guardanapo. — O bebê está fazendo isso. Depois de alguns segundos, Peter regressa com Esmeralda. Eles sentam na mesa e comem também. Não entendo porquê eu estou sentindo que falta alguma coisa. Não vou mentir, também estou obrigando a minha mente a negar isso. Eu estou tentando vencer o coração com a minha mente. — Está bem, querida? — Pergunta mamãe para Esmeralda. — Sim. Peter beija o rosto dela. — Melhor terminar de comer antes que aconteça de novo. Esmeralda ri. — Que exagerado. Minha rotina tem sido essa desde que meus irmãos decidiram se casar. Fico feliz por eles, mas também preciso de alguém para conversar. É claro que conversamos, mas como as esposas deles estão grávidas e têm muito em que pensar, não tem sido como antes. E eu tenho estado muito carente também, mas não consigo mais só sair e passar a noite com alguém. Não quero nem pensar no que isso significa. Bato a porta de Peter antes de dormir, mas ele responde que está ocupado com Esmeralda. O mesmo acontece com Harris, então como sei que papai está no escritório, vou para o quarto deles. Mamãe como sempre me recebe e deixa eu deitar no seu colo, enquanto faz cafoné na minha cabeça. Eu quero muito que ela me diga que tudo vai passar. — Mãe, como eu vou saber se estou apaixonado? — Pergunto. — Há muitas maneiras de saber. Você pensa muito nessa pessoa? Fica nervosa quando vê ela? Ela te deixa sem dormir a noite? — Eu não penso muito nessa pessoa. Só algumas vezes, mas acho que são vezes suficientes para serem consideradas normais. Não fico nem um pouco nervoso quando vejo ela. E durmo bastante bem à noite. Isso significa que não estou apaixonado? — Já quero celebrar, mas minha mãe me corta. — Esses não são os únicos sintomas, Nick. — Tem mais? Como eu consigo perceber quando é com os meus irmãos, mas não comigo? — É normal. Vocês, homens, são assim mesmo. Mas você pode notar que gosta dela quando olhar para ela faz o seu dia mais bonito. — Com certeza que não. — Não consegue formular uma frase coerente na frente dela. — Eu não tenho problemas com isso. — Seu coração bate forte. — Acho que não. — Fica com ciúmes quando vê ela com outro. — Ciúmes? — Sim. Lembro da última vez que vi Jade com aquele chefe i****a. Eu não me sentia à vontade. Na verdade, eu sentia uma coisa que eu sabia que não era normal. E aquilo doeu. — Sentir o meu peito ardendo e um sentimento estranho de posse é ciúmes? — Sim. — Isso é normal. Eu fico com ciúmes dos meus irmãos, da senhora, não deve ser nada. — Você apenas não quer aceitar. — É apenas uma coisa. — Já é muito. — E como eu faço isso parar? — Pergunto. Ela ri como se isso fosse engraçado. — Não é assim tão fácil, bebê. Não pode simplesmente mandar o seu coração parar de sentir. — Mas eu tenho a certeza que não sinto nada. — Talvez com o tempo você saiba o que é. — Meus irmãos dizem que eu sinto. — Eles podem estar certos. Mas eu sinto que eu estou certo. Tenho que provar que eu estou certo. Eu não me apaixonaria por uma mulher como a Jade. Ela teria coragem de me desafiar, gritar comigo e também fala demais e come demais. Iria me trazer muita dor de cabeça. Acordo tarde porque é domingo e porque não tenho nada para fazer. Quando termino o banho e de vestir a minha roupa, vejo pela janela do meu quarto, um carro estacionando na frente dos nossos portões. Depois, um homem desce do carro para abrir a outra porta. Eu o reconheço imediatamente porque está usando a mesma camisa xadrez que usou no dia em que tirou a Jade da nossa mesa no seu bar de quinta. Ele abre a porta para Jade que o abraça por tempo demasiado, depois passa pelos seguranças nos portões. Parece que o meu dia vai ser um inferno hoje. E isso já prova que não estou apaixonado por ela. Saio do quarto ao mesmo tempo que Harris, que não pára de sorrir, com sua esposa ao seu lado. Vamos todos tomar o café, no mesmo momento que Jade entra pela casa com aquele sorriso dela. Meu coração não bate por causa desse sorriso. Nem estou nervoso por ver seu rosto. Mas uma coisa, eu não posso negar. Ela está linda com esse macacão preto um pouco curto e decotado que é coberto por um casaco jeans, combinando com seus ténis brancos, sua bolsa branca e seu cabelo em um r**o de cavalo. Acho que o que a torna mais linda, é a sua ascendência árabe. Sua pele é perfeita. Todos abraçam ela, me fazendo revirar os olhos. Nos sentamos na mesa e comemos, porque não posso fazer as minhas brincadeiras sem que os meus pais me repreendam. Mas faço quando percebo que está sozinha na sala de estar à espera das suas irmãs. Vou ser sincero. Foi bom empurrar ela na piscina em Vegas. Também foi bom brigar com ela. Nossas brigas têm uma coisa especial. Mas amor não é. Jade revira os olhos quando me vê. — Eu sabia que não ia conseguir dormir à noite se simplesmente me ignorasse. — Que exagerado! — Rio. — Você deve pensar que é o último biscoito do pacote. — Eu ou você? — Alguma vez, alguém já disse que não tem jeito para a moda? E devia dar um jeito no seu cabelo. Ela levanta e ri. — Você devia dar um jeito no seu. — Sério? — Passo a mão no cabelo da forma mais sexy possível, deixando ela hipnotizada. — Não me parece que não goste dele. — Você é tão ridículo! Me deixa em paz. Agora que estou perto dela, posso confirmar que está realmente linda. Porquê ela tinha que ser tão linda? E seu cheiro gostoso? Céus! Eu odeio ela. É isso que eu sinto. Ódio por ser tão perfeita. — Ridículo? — Rio. — Não sou eu que está usando essas roupas ridículas. Ou escondendo os dedos feios com um ténis. Ela volta a sentar no sofá. — Você não tem nada melhor para fazer? — Pára a sua sorte, eu não tenho. — Meu azar, quer dizer. Sento no sofá também. — Só está brava porque não te dei carona ontem. — Não me importo com o que você faz ou deixa de fazer. — Ainda bem. Então, vai ser divertido ir para a sua festa de aniversário. — Desde que não se aproxime de mim. Eu não me importo. Safira te convidou, não eu. — Ela começa a mexer no celular. Esmeralda vem na sala vestindo seu casaco e sorri. — É estranho que não estejam se matando. — Não. Você só chegou na hora certa. — Jade responde. — Safira vai demorar um pouco. Enquanto isso, vou comer alguns morangos. — Esmeralda vai para a cozinha. — É incrível! — Digo, com esperança de chamar a atenção de Jade. — O que é incrível? — Não é que eu consegui mesmo. — É incrível que você coma mais do que as suas irmãs grávidas. Ela levanta. — Você é completamente insuportável. — Vai para a cozinha também. Peter também desce com o celular nas mãos. — Você sabe onde está a minha esposa? — Na cozinha com a sua cunhada. — Você está estranho. — Ele olha para mim. — Eu sou, Peter. Se com estranho ele quer dizer que estou estranho porque Jade está aqui, então está enganado. Eu não senti nada. Nem nervosismo, nem bloquear ou dizer algo que não faz sentido, absolutamente nada. Isso significa que não estou apaixonado por ela. Melhor do que isso não há. — Harris? — Deve estar no quarto com a esposa, e Renner não dormiu em casa. — Não o culpo. — Ele sorri, como se lembrasse de alguma coisa. — Imagino. — Pensei que fosse sair com sua amiguinha. — Ele diz, no mesmo momento que Esmeralda e Jade saem da cozinha. — Karly deve estar ocupada. Quando ela tem uma audiência super importante esquece que eu existo. — Não sabia que tinha namorada, Nick? — Esmeralda pergunta de um jeito estranho. — Não tenho. Karly é só uma amiga. Peter revira os olhos. — É verdade. — Claro que é verdade. Mulheres faladoras não fazem o meu tipo. Karly é um pesadelo. Seria um relacionamento do inferno. — Digo. — Com certeza que você também. — Jade responde. Safira e Harris descem também. Depois, as meninas nos despedem. Harris beija Safira, Peter beija a Esmeralda, e Jade apenas vem buscar sua bolsa no sofá. E quando elas saem, tento não olhar para ela, mas é impossível quando ela está sorrindo daquele jeito. Mas de uma coisa eu tenho a certeza. Não estou apaixonado.
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