Capítulo três- Jade

2310 Words
Acordo sem vontade de fazer nada e depois de um banho quente, vou para a cozinha para cozinhar. Rubí não dormiu em casa e tenho a certeza que vai direito para a faculdade, já que tem algumas roupas no apartamento do Renner. Porquê eles não moram juntos de uma vez? Não vejo diferença com o que estão fazendo agora. Mas uma parte de mim não quer ficar sozinha nessa casa, embora bem no fundo eu saiba que já estou sozinha. Acordo e durmo sozinha. Qual é a diferença? É um pouco assustador também. Estou prestes a ligar o fogão quando oiço a campainha. Vou abrir a porta e vejo Mason com um sorriso no rosto e vestindo uma camisa azul muito linda. Ele segura duas sacolas com comida e o cheiro está muito gostoso. — Mason? O que você faz aqui a essa hora? — Eu sei que agora que suas irmãs já não vivem aqui, tem se sentido muito sozinha e decidi te fazer companhia. — Ele levanta a sacola. — Croissant? Sorrio e deixo ele entrar, fechando a porta em seguida. Eu sei que não estou tão linda, mas ele me olha como eu estivesse. — Cada dia que passa acho você mais adorável, Carinho! — Mason coloca as sacolas na mesa e senta no sofá. — Primeira coisa que você precisa saber para ser meu amigo. — Sento perto dele. — Nunca, mas nunca mesmo compre pão integral. Eu odeio muito isso e espero só comer aos cinquenta. — Agora eu já sei. Desculpa, Carinho. Estou tentando mesmo te agradar. Eu gosto de você. Céus! Preciso mudar de assunto. — Mas em compensação tem pão de banana. Eu amo! Tem panquecas e waffles também? — Olho para dentro das sacolas. — Eu não estou grávida, Mason. — Rio. — Você está linda! — Olho para mim mesma e gargalho. — Você é um péssimo mentiroso! Eu estou h******l. — Não! Você está bem para alguém que acabou de acordar. Abro outra sacola de comida. — Croissant e café também, você me surpreendeu. — Era essa a ideia! — Se queria tornar o meu dia mais alegre, você conseguiu. — Abraço ele. — Já volto. Levanto e vou para a cozinha pegar alguns pratos. Quando regresso, Mason está olhando para as flores bonitas que estão na mesa de jantar. — Flores lindas. São suas? — São da Rubí. O namorado dela manda sempre flores. — Volto a sentar ao seu lado. Não preciso contar a triste história que sou talvez a única mulher do mundo que nunca recebeu flores de quem quer que seja. Nem mesmo por engano. — Isso é bom. — Ele tira as coisas da sacola. — Claro! — Ajudo. — Estou faminta. Não fique surpreendido se eu comer tudo. — Eu gosto de mulheres que gostam de comer. — Ele diz, ligando a TV. Dou um gole no café quente e sorrio. Essa é uma ótima maneira de começar o dia. Mas será que algum dia vou tomar café com Nicholas? Só os dois sem ninguém brigar ou ser sarcásticos? Apenas conversando como pessoas normais e trocando beijos? Como o pão de banana e não me importo quando Mason olha para mim sorrindo. Ficaria nervosa se Nicholas estivesse aqui, mas como sempre ia dar um jeito da gente brigar para afastar os nervos e as borboletas na barriga. — Então, tem estado muito tempo sozinha. Eu disse para me ligar. — Dá próxima vez eu ligo. Ele vira para tocar o meu rosto. — Você não sente falta de ter alguém? — Como assim? — Um namorado? — Estou bem. — Dou uma mordida no pão. — E como está correndo o processo de divórcio? Ele suspira. — Bem. Está sendo pacífico. Não vejo a hora de me divorciar. — Porquê não deu certo? Ele olha para mim. — Eu deixei de amar ela. Saí de casa três meses depois. Ela não quis se divorciar antes porque tinha medo do que as pessoas iam dizer. Agora que ela está com outro, achou sensato a gente se divorciar. — Entendo. — Nosso casamento sempre teve muitos problemas. Devíamos ter feito isso há imenso tempo. — A vida segue! — Dou um gole no café. — Sim. Ele olha para mim de um jeito estranho, mas desvio o olhar me sentindo desconfortável. Eu sei que ele gosta de mim, mas eu gosto de outra pessoa. É um i****a, mas meu coração quer ele, o que eu posso fazer? — Você vai cozinhar no seu aniversário? Eu posso me oferecer para fazer algumas coisas. — Ele sorri para mim. — Você sabe cozinhar? Estou impressionada. — Porquê? Eu cozinho há um bom tempo. Mas com certeza não sou melhor que você. — Claro que não é! Ele sorri. — Porquê é tão bom estar com você? — Responda você! — Você é sincera, divertida, fácil de conversar, sorridente, amo isso em você. Sem dizer que é uma das mulheres mais lindas que eu já conheci. — Obrigada. Sou linda, não sou? — Muito. Terminamos o nosso café, vemos um filme e depois Mason vai embora, apenas porque precisa resolver alguns assuntos. Depois, fico sozinha novamente, esperando a hora passar para ir trabalhar. Ainda continuo arquitetando o meu plano para Nicholas se apaixonar por mim, mas fico pensando que será mais fácil se ele sentir alguma coisa, mesmo que seja um pouquinho. Espero que dê certo. Já no trabalho, Mason não pára de sorrir para mim. Entendo porque tivemos uma ótima manhã e conversamos bastante também. É uma pena que seja o homem errado que anda atrás de mim. Michelle também não pára de me olhar com ódio e desconfio que gosta do Mason, só me suporta porque sabe que estou acima dela. É tanta coisa, que eu tento simplesmente ignorar. Mas uma coisa não dá para ignorar. O andamento de modelo, aqueles braços fortes numa camisa justa, aquele cabelo incrível, sorriso sarcástico e olhos azuis vibrantes. Eu não entendo o que Nicholas faz aqui, mas vou adorar ouvir a sua história. — Boa noite, senhor, o que faz aqui? — Pergunto sorrindo. — Senhor? — Ele ri. — Não precisa fingir as formalidades. Olho ao redor depois volto a olhar para Nicholas. — Por favor, aqui não, Nicholas. Estou trabalhando. — Eu também não quero que perca seu emprego. Sou apenas um cliente. — Então, cliente, o que vai beber? — Fica calma, Carinho, não posso escolher aleatoriamente. — Ele me obriga a revirar os olhos. Mas, céus! O cheiro do seu perfume é muito gostoso. Ele está muito gostoso nesse momento, com jeans e um suéter azul escuro. Só quero me jogar para os braços dele. — Você é impossível. — Impossível é essa coisa que você chama de vestido. Olho para meu vestido azul que eu tanto amo. — Que bom que gostou. — Sirvo bebida para outro cliente. — Eu não estou aqui para brigar com você. É que domingo vai ser o aniversário da minha mãe. Queremos fazer uma surpresa. — Que fofo! — Você está convidada. Infelizmente. — Claro que eu vou. Será um prazer. Eu gosto muito dela. — Pena é que não terá sorte de ter uma sogra tão boa como ela. Seu comentário me deixa um pouco triste. Mas eu quero que um dia ele engula essas palavras. Depois da festa desse sábado, vamos ver se ele não vai se arrepender de tudo o que disse ou fez para mim. — Sim, é pena. Mason sai da sua sala, mas seu sorriso desaparece quando vê Nicholas. Não faz sentido essa guerra entre eles dois. Deixo Nicholas sozinho com a sua indecisão na escolha da bebida e vou conversar com Mason. Ele sorri quando me aproximo e me leva para um canto. — O que ele está fazendo aqui? — Pergunta. — Ele é um cliente como qualquer um. E também veio me convidar para o aniversário da mãe dele. — Você vai? — Sim. Vou aproveitar estar ao lado da minha mãe e das minhas irmãs também. — E o seu aniversário? — Ainda falta uns doze dias para o meu aniversário. Já falei que está convidado. Você tem sido um grande amigo ultimamente, não tem me deixado sozinha. Eu agradeço. — Eu gosto da sua companhia. O que eu posso fazer? — Ele sorri. — Vou atender os clientes então. — Claro. — Ele aperta a minha mão antes de me deixar ir. Vou servir uma mesa de homens barulhentos e volto atrás do balcão onde Nicholas ainda está esperando ou escolhendo. Ele olha para mim e suspira. — Pode ser whisky. A cerveja daqui não presta mesmo. — Ele diz. Reviro os olhos e sirvo o seu copo. — Pronto, senhor. — Você gosta de trabalhar aqui? — Pergunta de repente. — Porquê quer saber? — Olho para ele desconfiada. — Curiosidade. — Sim. Eu gosto de trabalhar aqui. — Soube que não terminou os seus estudos. — Pode usar isso contra mim se quiser. Já não me afeta. — Eu não chamo você de i****a por causa disso. — Ele sorri. — Chamo você de i****a por causa do que aconteceu na primeira vez que brigamos. — Então, vou chamar você de b****a. — Não se atreva! — b****a! — i****a! Vou atender outros clientes para ajudar Michelle, porque Fiona não veio hoje. Tento fingir que Nicholas não está aqui para não quebrar nada. Porquê ele não vai embora de uma vez? Mais uma vez atrás do balcão, fico olhando os clientes, principalmente o que está na minha frente que tem o melhor cheiro desse lugar. — O que foi, i****a? — Você é que veio aqui só para me convidar para o aniversário da sua mãe. Podia ter ligado ou enviar uma mensagem. — Cruzo os braços. Ele ri. — Não tenho o seu número. — Não estou surpreendida. Mas como sou uma pessoa sensata, eu tenho o seu. Ele passa a mão no cabelo. — E eu não sou sensato? — Não é. Inventou uma desculpa só para brigar comigo? Ou estava com saudades de mim? — Provoco. — Saudades? Eu? Por favor, Jade. Mason se aproxima da gente e fica ao meu lado. — Boa noite, Nicholas. — É senhor Tales. Não temos i********e. — Desculpa, senhor Tales. — Mason revira os olhos e ainda bem que Nicholas não percebe. Mason olha para mim. — Não quer fazer uma pausa, Carinho? — Não. Eu estou bem. Nicholas termina o whisky no copo. — Mais uma dose, Carinho! Mason fecha os punhos. Apenas faço o que nosso querido cliente está pedindo. — Fico feliz que esteja gostando do bar. — Mason diz. — Na verdade, eu só vim por causa da Jade mesmo. — Ele sorri de um jeito c***l, olhando para mim. — Eu entendo. — Mason vira para mim. — Vou resolver alguns assuntos rápidos lá em cima. Já volto. — Claro! Ele se afasta, talvez para não brigar com Nicholas. Michelle se aproxima da gente e tenta chamar atenção dele. Eu pensava que ela gostava do Mason. Porquê tanto ódio de mim? — Senhor Tales, ouvi dizer que é um dos donos da Tales Tec. — Ela se inclina para frente. Inocente! — Ouviu bem. — Nicholas responde orgulhoso. — Sou um dos milionários dessa cidade. Mas fale baixo. — Deve ser tão bom ser você. — Ela sorri. — Com certeza que um homem assim não deve ser solteiro. — Por incrível que pareça, eu sou. Ele sorri. Mas loiras não fazem o meu tipo. Muito menos loiras garçonetes. Sinto muito. — Ele dá um gole na bebida, me fazendo rir baixinho, principalmente da cara que Michelle faz, antes de se afastar. Limpo o balcão e atendo outro homem. Nicholas não parece interessado em terminar a sua bebida ou em sair daqui o que já é muito bom. Será que ele quer a minha atenção? Quer ficar comigo? Percebeu que não dá mais para resistir? O que aconteceu? — A bebida está tão r**m assim? — Pergunto rindo. — Parece difícil de engolir. — Parece que você sabe. Está mesmo. — Então, porquê continua voltando? — Você acha mesmo que eu estou aqui por você? — Ele ri. — Continue se iludindo, Jade. Eu prefiro lutar com jacarés. Reviro os olhos. — Que bom saber! — O que me faz lembrar que já é hora de ir. Não foi um prazer estar com você, mas o que eu posso fazer? Infelizmente, tenho que ver essa sua cara h******l todos os dias. — Ele tira a carteira para pagar a bebida. — Volte sempre! Saio do balcão e vou em direção à mesa dos clientes, quando tropeço e caio no chão. Oiço Michelle rir baixinho, mas pára quando Nicholas corre até mim e estende a mão para me ajudar. Isso derrete o meu coração de formas que não posso descrever. Recebo a sua mão e ele me puxa para cima, mostrando como é forte e me deixando ainda mais encantada. — Devia ver por onde anda! Sorrio. — Obrigada, Nicholas. Ele olha para mim e solta a sua mão da minha. Eu tenho esperança. Alguma coisa dentro de mim me diz que ele gosta de mim. Ele só está fingindo ou ainda precisar perceber. Isso me deixa feliz. — Jade, você está bem? — Mason vem correndo até mim também e toca o meu ombro. — Estou bem. — Continuo olhando para Nicholas. — Eu já estou indo. — Nicholas nos dá às costas e sai do bar. Encaro Mason, que parece preocupado. — Eu só tropecei. — Se precisar descansar, esteja à vontade, Carinho. — Obrigada. Não precisa se preocupar. Estou realmente bem. E estou melhor ainda agora que percebi que Nicholas se preocupa comigo. Nem que for um pouquinho.
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