Capítulo 6

922 Words
A mansão de Joaquim era o retrato da opulência. Situada em uma área nobre da cidade, a construção imponente destacava-se mesmo à distância. O mármore branco da fachada brilhava sob a iluminação noturna, ressaltando as colunas imponentes que adornavam a entrada principal. A porta de madeira escura, com detalhes dourados, era como um convite relutante a um mundo de luxo e poder. Os jardins ao redor eram impecáveis, com flores perfeitamente podadas e fontes decorativas que pareciam saídas de uma pintura renascentista. Ao fundo, uma ampla varanda oferecia uma vista deslumbrante da cidade, enquanto uma piscina cintilava sob as luzes discretas do pátio. A grandiosidade do lugar parecia esmagadora, e cada detalhe cuidadosamente pensado fazia questão de lembrar a todos que estavam em território de Joaquim. Pontualmente às 20h, Robert, Mary, Angel e Paula chegaram. Todos estavam visivelmente nervosos, mas tentavam mascarar a tensão. Paula, especialmente, sentia-se sufocada pelo peso do momento, mas mantinha a postura ereta e o rosto neutro. Era sua única defesa naquele cenário que mais parecia uma armadilha disfarçada de gentileza. Joaquim os aguardava na sala de estar, sentado em um imponente sofá de couro preto, cercado por amigos e associados que riam e conversavam animadamente. Assim que a porta principal se abriu e a família entrou, Joaquim se levantou, destacando-se pela figura alta e atlética. Com cerca de 1,80m, ele exalava autoridade. O traje preto impecavelmente ajustado parecia uma extensão de seu ar de poder. Seus olhos, de um castanho profundo, analisavam cada m****o da família com atenção, mas demoraram-se em Paula. Seu olhar era intenso, penetrante, como o de um caçador avaliando sua presa. Apesar do sorriso educado, havia algo de ameaçador na maneira como ele se portava, como se todos ao redor fossem peças em um tabuleiro que ele controlava. — Bem-vindos, — Joaquim disse, caminhando em direção à família. Mary foi a primeira a ser cumprimentada. Ele a recebeu com dois beijinhos no rosto, um gesto formal, mas calculado. Em seguida, voltou sua atenção para Angel, que, embora mantivesse a postura educada, não pôde evitar sentir uma pontada de desconforto sob aquele olhar perscrutador. Quando Joaquim finalmente se aproximou de Paula, o ambiente pareceu congelar. Paula, em seu vestido azul-escuro de mangas longas, exalava uma elegância natural. O tecido justo ao corpo destacava sua figura, e os olhos verdes dela, embora tímidos, brilhavam como esmeraldas sob a luz suave da sala. Joaquim parou diante dela, observando-a como se ela fosse a peça central daquela noite — e, de certa forma, era. — Você está linda, — ele disse, com um sorriso que pretendia ser encantador, mas que soou como uma declaração de posse. Paula tentou desviar o olhar, mas a intensidade de Joaquim era sufocante. Ele levantou uma mão e tocou sua bochecha, um gesto que, embora suave, carregava uma carga de intimidação. — Realmente, muito mais bonita do que imaginei, — Joaquim continuou, aproximando-se ainda mais. Sua voz tinha um tom baixo e sedutor, mas Paula apenas sentia o desconforto crescer dentro de si. Ela permaneceu imóvel, sentindo o calor da mão dele contra sua pele. O toque parecia uma corrente que a prendia, e o forte perfume de Joaquim invadia seus sentidos, aumentando sua ansiedade. Seu corpo estava rígido, e ela lutava para controlar a respiração, temendo que qualquer reação pudesse ser interpretada como fraqueza. Joaquim inclinou-se levemente, invadindo seu espaço pessoal sem qualquer hesitação. Ele sussurrou em seu ouvido: — Você é perfeita, senhorita Lancaster. m*l posso esperar para termos uma vida juntos. As palavras, embora aparentemente carinhosas, soaram como uma sentença. A mão dele, que antes repousava suavemente em sua bochecha, começou a acariciar com mais insistência, como se quisesse marcar território. Paula sentia o estômago revirar. Sua mente gritava por uma saída, mas sua postura rígida era a única coisa que ela conseguia manter. Não queria demonstrar medo, mas era difícil. Muito difícil. Joaquim, por outro lado, parecia satisfeito com o efeito que causava. Ele sabia o poder que exercia e fazia questão de usá-lo. Para ele, Paula não era apenas uma mulher; era um troféu, uma prova de sua capacidade de dominar qualquer situação e qualquer pessoa. O desconforto de Paula não passou despercebido por Angel, que observava a interação de longe. Havia algo na maneira como Joaquim olhava para Paula que fazia seu estômago revirar, mas, ao mesmo tempo, uma ponta de inveja queimava em seu interior. Joaquim era poderoso, charmoso, e Angel não podia deixar de desejar um pouco daquela atenção para si. Mary e Robert, por outro lado, estavam tão focados em manter as aparências que sequer perceberam o m*l-estar da filha. Para eles, aquele jantar representava a salvação da família, e qualquer desconforto parecia um preço pequeno a pagar. — Vamos para a sala de jantar, — Joaquim anunciou, finalmente soltando Paula e gesticulando para que todos o seguissem. Paula respirou fundo, aliviada pela pausa no contato, mas sabia que aquilo era apenas o começo. Enquanto seguiam para a sala de jantar, ela olhou rapidamente para Angel, buscando algum tipo de apoio, mas encontrou apenas um sorriso tenso. Quando se sentou à mesa, Paula sentiu como se estivesse em um palco, sendo avaliada por todos ao redor. Joaquim, sentado à cabeceira, fazia questão de lançar olhares na direção dela sempre que podia, como se estivesse reafirmando sua posição. A noite m*l havia começado, mas, para Paula, já parecia uma eternidade. Ela sabia que o momento mais difícil ainda estava por vir: o instante em que teria que assinar o contrato e selar seu destino.
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