Capítulo 2

1002 Words
1 ano antes…. Joaquim Phoenix estava em seu escritório luxuoso, uma verdadeira demonstração de poder e elegância. O ambiente era amplo, com móveis de design moderno, estantes de vidro repletas de livros e prêmios, e uma vista panorâmica que parecia colocá-lo acima do mundo. Sentado em sua cadeira de couro, ele revisava um conjunto de documentos sobre fusões empresariais com a atenção meticulosa de quem sabia que cada detalhe era uma peça essencial em sua escalada constante rumo ao topo. Herdeiro de uma das maiores farmacêuticas do mundo, Joaquim era um homem que exalava autoridade e charme. Alto, de cabelos escuros impecavelmente arrumados, seu olhar penetrante intimidava e fascinava ao mesmo tempo. Tinha um ar galanteador, mas o que realmente atraía as pessoas para ele era sua autoconfiança quase arrogante. Ele estava acostumado a conquistar o que queria, fosse no mundo dos negócios ou com as mulheres que caíam por seu sorriso fácil e magnetismo natural. Ele ajeitou a gravata, concentrado nos números à sua frente, quando ouviu uma batida discreta na porta. — Entre,— disse ele, sem desviar os olhos dos papéis. Catarina entrou. Aos 52 anos, era uma mulher alta, de postura impecável e olhar atento. Trabalhou para o pai de Joaquim desde os 25 e, após a morte dele, permaneceu como a secretária de confiança do jovem herdeiro. Apesar da diferença de idade, Catarina era uma das poucas pessoas no círculo de Joaquim que parecia imune ao seu charme dominador. — Senhor Phoenix, há algo aqui para o senhor. — Ela estendeu um envelope de papel grosso. Joaquim pegou o envelope, lançando um olhar curioso para Catarina, mas sem dizer nada. Quando ela se retirou, fechando a porta com um movimento silencioso, ele deixou os documentos de lado e voltou sua atenção ao envelope. Era pesado, o que o intrigou. Abriu-o com um gesto rápido e retirou seu conteúdo: uma carta manuscrita e um relatório técnico anexado. Assim que começou a ler, a mudança em sua expressão foi instantânea. O rosto de Joaquim, antes sereno e calculador, endureceu. Os músculos de sua mandíbula ficaram tensos, e seus olhos, que antes transmitiam uma calma predatória, agora brilhavam com algo muito mais feroz: raiva. — Isso só pode ser uma brincadeira…— murmurou, antes de empurrar a carta para o lado da mesa com um gesto brusco. A irritação crescia dentro dele como uma onda incontrolável. Ele olhou ao redor, procurando algo para canalizar sua fúria. Com um movimento abrupto, pegou o peso de papel de cristal sobre sua mesa e o lançou contra a parede com toda a força. O impacto ecoou pelo escritório, e o objeto despedaçou no chão. Respirando fundo, ainda tomado pela fúria, Joaquim pegou o telefone e discou um número sem hesitar. — Sr. Lancaster, quero você na minha sala. Agora. Não esperou por uma resposta antes de desligar. Ele se levantou, cruzando o escritório com passos firmes e medidos, como uma fera enjaulada, e parou em frente à janela. Observava a cidade abaixo, mas sua mente estava longe dali. As palavras da carta ainda ecoavam em sua mente como uma provocação. Poucos minutos depois, a porta do escritório se abriu com um leve rangido, revelando Robert Lancaster. O farmacêutico tinha 50 anos, cabelos castanhos que começavam a mostrar fios grisalhos, mas ainda mantinha um físico impressionante para sua idade. Trabalhava para a empresa há décadas, desde os tempos em que o pai de Joaquim era o presidente. Apesar de ser um homem experiente e respeitado, naquele momento parecia visivelmente desconfortável. — Joaquim,— disse Robert, ajustando o colarinho da camisa, — você pediu para me ver? Joaquim se virou lentamente, seu olhar fixando-se em Robert com uma intensidade fria e calculada. Ele parecia avaliar o homem à sua frente, como um predador analisa sua presa antes de atacar. — Sim, Robert.— Sua voz saiu baixa, quase calma, mas carregada de tensão. —Eu queria conversar com você. Ele gesticulou para que Robert se aproximasse, e o farmacêutico deu alguns passos hesitantes, parando ao lado da mesa de Joaquim. O silêncio que se seguiu foi quase palpável, preenchido apenas pelo som distante do tráfego vindo das ruas abaixo. Joaquim voltou a se sentar, apoiando os cotovelos sobre a mesa e entrelaçando os dedos. Seu olhar não se desviou de Robert por um segundo sequer. — Antes de mais nada, quero que você saiba que sempre valorizei sua lealdade à empresa. Você esteve ao lado do meu pai por anos e… até agora, também esteve ao meu lado. — Eu fico honrado em ouvir isso, senhor — respondeu Robert, cauteloso, mas sem esconder a ansiedade que transparecia em sua voz. Joaquim inclinou-se um pouco para frente, seu rosto a poucos centímetros do farmacêutico. — Mas hoje, Robert… Hoje recebi algo que levanta algumas dúvidas sobre onde exatamente está sua lealdade. Robert ficou pálido, as mãos começando a suar. — Eu não sei do que você está falando, Joaquim. Se há algo errado, garanto que é um m*l-entendido. O herdeiro inclinou a cabeça levemente, observando cada reação de Robert como um jogador de xadrez que antecipa o próximo movimento de seu oponente. Ele não disse nada por alguns segundos, deixando o silêncio pesar no ar. Por fim, Joaquim pegou a carta e o relatório técnico de sua mesa, jogando-os diante de Robert. O som do papel deslizando sobre a madeira ecoou como uma sentença. — Leia isso, Robert. E me diga… o que você tem a dizer sobre isso? Robert hesitou antes de pegar os papéis. Seus olhos percorreram rapidamente as palavras, mas a expressão de choque que tomou conta de seu rosto dizia que ele já sabia do que se tratava. Joaquim observava, impassível, como se tivesse todo o tempo do mundo para aguardar a resposta. Ele sabia que aquele momento era crucial, tanto para o futuro da empresa quanto para seu próprio controle sobre a situação. — Então, Robert — disse ele, com um leve sorriso que não alcançou os olhos. — Estou esperando.
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