Joaquim Phoenix, com sua presença imponente, entregou os papéis a Robert, observando cada detalhe da reação do homem. O suor escorrendo pela testa do farmacêutico, as mãos trêmulas enquanto folheava os documentos e o silêncio esmagador que preenchia o ambiente eram claros sinais de sua culpabilidade. Joaquim cruzou os braços e esperou, impaciente, enquanto Robert lia cada página com crescente desespero.
— O que você tem a me dizer, Robert? — perguntou Joaquim, a voz baixa, mas carregada de uma fúria controlada. — Você sabe que o desenvolvimento desse fármaco me custou milhões!
Robert tentou levantar os olhos para encarar o jovem empresário à sua frente, mas falhou. Joaquim, aos 32 anos, era uma figura intimidadora. Herdara não apenas a fortuna da família, mas também a determinação implacável de seu pai. Para ele, o legado dos Phoenix era sagrado, e qualquer ameaça a isso era tratada como uma afronta pessoal.
Finalmente, Robert murmurou, hesitante:
— Eu… eu alterei uma pequena parte da fórmula. Acreditei que estava fazendo uma melhoria no resultado do fármaco.
Joaquim deu um passo à frente, inclinando-se sobre a mesa com um olhar de puro desprezo.
— Você tem ideia do que fez? — disse ele, a voz cortante como uma lâmina. — Anos de trabalho, milhões de dólares, tudo aprovado pelos órgãos competentes, e você achou que poderia simplesmente alterar a fórmula sem consultar a equipe?
Robert assentiu, o rosto pálido como papel. Ele sabia que uma “pequena alteração” em um fármaco tão complexo e caro era um erro colossal. Joaquim havia investido em uma substância rara e de alto custo, cuja fabricação demandava meses de planejamento e execução. Uma alteração não testada poderia causar reações adversas graves, até mortes, sem mencionar o atraso catastrófico no cronograma dos testes em humanos.
— Eu… eu só queria melhorar os resultados, — tentou justificar-se, mas sua voz era fraca, quase inaudível.
— Melhorar? — Joaquim riu, mas o som era frio e c***l. — Você jogou anos de trabalho no lixo, Robert. E sabe o que isso significa? Custos adicionais, atraso no lançamento e, mais importante, o risco de arruinar a reputação da empresa e o legado da minha família.
Robert abaixou a cabeça. Ele sabia que Joaquim estava certo. E sabia, também, que seu erro não seria perdoado. A exposição da adulteração não só acabaria com sua carreira e lhe custaria o registro profissional, mas também o envolveria em uma dívida milionária que destruiria sua família.
Foi então que Joaquim recostou-se na cadeira, os olhos brilhando com uma ideia que surgia em sua mente. Seu rosto, antes marcado pela ira, agora exibia uma expressão de calma predatória. Uma ideia c***l, mas satisfatória, formava-se em seus pensamentos.
Robert percebeu a mudança imediata na postura de Joaquim, e isso o deixou ainda mais nervoso. Sabia que o jovem empresário era tão estratégico quanto impiedoso.
— Vou te dar uma saída, Robert, — disse Joaquim, com uma suavidade que era ainda mais assustadora do que sua raiva. — Não vou levar isso aos conselhos reguladores. Não vou acabar com sua reputação.
Robert ergueu os olhos, hesitante, sem saber se deveria acreditar nas palavras do chefe.
— Mas, — continuou Joaquim, com um leve sorriso que não alcançou os olhos, — há uma condição.
O farmacêutico sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
— Uma condição?
Joaquim levantou-se e caminhou lentamente pelo escritório, os passos ecoando no silêncio. Ele parou ao lado da janela, observando a cidade lá fora como se estivesse prestes a reclamar o mundo inteiro como seu.
— Quero algo que você tem, Robert. Algo que vale muito mais do que dinheiro.
Robert engoliu em seco. Ele sabia que Joaquim não estava falando de bens materiais.
— Do que você está falando?
Joaquim virou-se lentamente, os olhos fixos no homem como os de um predador que acaba de avistar sua presa.
— Quero sua filha.
O ar pareceu desaparecer da sala. Robert sentiu o chão se abrir sob seus pés.
— Minha filha? — ele repetiu, incrédulo.
— Sim, — confirmou Joaquim, calmamente. — Quero que Paula Lancaster se case comigo.
Robert ficou paralisado. Ele não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Sua filha, Paula, era uma jovem inteligente e independente, alguém que não tinha nada a ver com os jogos de poder e ambição de Joaquim Phoenix. E, no entanto, ali estava ele, usando-a como moeda de troca em um acordo que definiria o destino da carreira de Robert.
— Isso é… inaceitável, — começou Robert, mas sua voz falhou.
Joaquim estreitou os olhos.
— Não está em posição de negociar, Robert. Pense bem. Se eu levar isso adiante, você perderá tudo: sua carreira, sua reputação, sua casa… E quem vai sofrer as consequências disso? Sua família. Inclusive Paula.
Robert sentiu o coração apertar. Ele sabia que Joaquim estava certo. Se o escândalo viesse à tona, não haveria para onde correr. Ele perderia tudo, e sua filha seria arrastada para o desastre junto com ele.
— Eu vou cuidar dela, — disse Joaquim, num tom quase gentil. — Paula será bem tratada. Eu prometo.
As palavras soaram quase como um insulto. Robert sabia que Joaquim era um homem implacável, alguém que conseguia tudo o que queria, não importando o custo. Ele também sabia que Paula jamais aceitaria um casamento baseado em chantagem.
Mas o que ele poderia fazer? A escolha era simples e c***l: sacrificar sua filha para salvar a família ou deixar tudo desmoronar.
— Estou esperando sua resposta, — disse Joaquim, calmamente, mas com uma firmeza que não deixava espaço para objeções.
Robert sentiu vontade de vomitar ao ouvir as próprias palavras sair de sua boca. Quando finalmente assentiu ao pedido de Joaquim, parecia que cada sílaba pesava toneladas. A sala ficou silenciosa por um momento, exceto pelo som abafado de sua respiração tensa.
— Você terá a mão de Paula, — ele disse, a voz carregada de culpa e vergonha.
Os olhos de Joaquim brilharam com uma satisfação sombria. Ele se levantou devagar, ajeitando os punhos da camisa como se tivesse acabado de concluir um acordo de negócios lucrativo.
— Excelente, Robert. Fico feliz que você tenha visto a razão. — Sua voz estava calma, quase agradável, mas o sorriso frio em seus lábios era tão ameaçador quanto uma lâmina. — Vou tratar muito bem da sua filha. Você tem minha palavra.
Robert engoliu em seco, o nó em seu estômago tornando-se insuportável. Ele sabia que acabara de condenar sua filha a uma vida ao lado de um homem implacável, alguém que via as pessoas como peças em um tabuleiro de xadrez. Mas o que ele poderia fazer? A pressão das consequências pairava sobre ele como uma espada de Dâmocles, pronta para cair a qualquer momento.
Joaquim, satisfeito com sua vitória, pegou o telefone em sua mesa.
— Vou começar a organizar os preparativos do casamento imediatamente, — ele disse, casualmente, como se estivesse falando sobre um evento corporativo.
Robert deixou o escritório de Joaquim com passos lentos, o peso do que acabara de fazer o esmagando.
Joaquim pegou o celular e fez uma chamada rápida.
“ Ele aceitou o acordo. Disse Joaquim ao telefone.
Ótimo, respondeu a voz do outro lado da linha”.