Capítulo três.

1026 Words
Eu contei a Julia tudo que tinha ocorrido na noite passada, no pátio da escola. Primeiro ela tentou me m***r por ter contado ao Josh. – Kylie, eu falei para você não contar! – Gritou, quando soube. E depois ela começou a chorar quando descobriu que ele só faria se o namorado dela também estivesse presente. – ELE NÃO VAI ENTENDER! – Resmungou, chorando. – É claro que vai! Dylan ama você. – O que sabemos sobre amor? Somos duas crianças estúpidas. Eu fiz uma expressão de reprovação. – As vezes, você me assusta. Ela suspirou. – Desculpa – Disse, com os olhos lacrimejando – Eu gosto do Dylan, gosto mesmo. São os hormônios. Eu ri. – Eu juro. Nunca mais eu transo. Algumas meninas que estavam perto lançaram um olhar estranho para nós, e começamos a gargalhar juntas. Nunca nos importamos mesmo com a opinião alheia. Ela menos que eu. Peguei a mão de Júlia um instante depois e olhei fundo nos seus olhos. Precisava fazer isso como amiga, precisava dizer pelo menos alguma coisa sensata. Não podíamos ser crianças em um momento sério como este. – Preciso conversar com você, Ju. Ela desviou o olhar. – É sério. Eu sei que você não quer ouvir opinião, mas sou sua melhor amiga, você precisa me escutar. – Falei, firmemente. O olhar dela retornou para o meu rosto. – Não vou te julgar. Não tenho autoridade nenhuma para isso, e mesmo se tivesse, mesmo assim não julgaria porque também não tenho exemplo. – Você é virgem, Kylie. É claro que você tem exemplo. – Julia retrucou. – É, mas sou cheia de defeitos. E eu não imagino a confusão que deve estar dentro de você. Mas sei que deve ser no mínimo h******l, por mais que você insista em mostrar que está tudo bem. – Disse e respirei fundo – Então... Só preciso que me diga se você tem certeza mesmo dessa decisão, porque sabe, eu estou aqui, vou te ajudar. Eu nunca vou deixar você sozinha, independente da sua decisão. Eu sou sua melhor amiga, Ju. Sua família. Ela limpou o canto do olho impedindo que a lágrima caísse e logo após afundou o rosto na mesa do refeitório em que estávamos. Julia ergueu a cabeça uns minutos depois, com o rímel um pouco borrado nos cantos. Eu permaneci do mesmo jeito que antes, e lancei um sorriso amigável. – Eu te amo, Kylie. Desculpa por ser dura com você, às vezes. – Eu sei que ama, sua bobinha. Ela sorriu. – Mas confia em mim quando digo que eu tenho certeza da minha decisão. Eu concordei com a cabeça, cumprindo o que eu disse sobre “apoia-la em qualquer decisão”. Algumas horas depois assisti Julia contar tudo para o Dylan, que chorou feito criança. Ele também estava assustado, como ela mesmo disse, eram apenas crianças irresponsáveis. Por fim, o que eu soube era que eles finalmente se resolveram, cada um entendeu o lado do outro e os dois concordaram que essa era a decisão mais correta a se fazer. – Minha mãe me mataria se soubesse e eu não estou brincando – Dylan afirmou, com as bochechas vermelhas. – Se bem que, seria legal ter uma cópia pequenininha sua correndo pela sala. – Ele afirmou, com um sorriso bobo encarando a Julia, que imediatamente o repreendeu revirando os olhos. – Não comece. – Impôs, seriamente. Josh me viu de longe, e veio marchando até nós. Eu abri um sorriso para cumprimenta-lo, mas ele nem olhou para mim, agarrou o braço do Dylan e o empurrou contra a parede. – Por que você não é homem o suficiente? – Gritou. Eu avancei em cima deles tentando apartar a briga até que finalmente consegui. Josh estava bufando de raiva enquanto Dylan estava ofegante de medo, sem entender o que estava acontecendo. Eu puxei Josh para o lado e segurei firmemente sua cabeça. – Olhe para mim! – Firmei – O que está fazendo? – Só quero que ele aprenda a lição. – Eu sei. Eu sei que você não acha justo, mas você precisa ficar calmo. Por favor, Josh. Sua respiração aos poucos foi voltando ao normal, e de repente meu corpo foi empurrado para a parede por uma terceira pessoa: Mandy! – O que estão fazendo? – Ela questiona, com sua voz irritante. – Nada, não estamos fazendo nada. – Respondi. – Então por que está tocando nele? – Ela perguntou, olhando no fundo dos meus olhos. Eu engoli em seco. – Mandy? – Josh a repreendeu. – Estou só brincando, não seja tão sensível. – Afirmou, e eles saíram. Uns dois passos a diante, Mandy vira a cabeça para mim e sussurra – Exceto a parte do toque. Não toque nele. Eu suspirei. Eu a odiava, mas morria de medo. Eu e Mandy já havíamos sido amigas antes. Não éramos melhores amigas, mas fomos boas amigas por um bom tempo. Até que ela viajou em um intercâmbio de 3 meses, e voltou como se fosse mais importante que todo mundo. Durante nossa amizade, tinham dias em que ela me fazia acreditar que eu era capaz de conseguir qualquer coisa que quisesse, e também dias em que ela me fazia ter vontade de pular do oitavo andar. Eu honestamente não entendo o que o Josh viu nela. Enquanto Caleb estava vivo eles nunca se deram bem. Caleb ficava repetindo que ela era muito arrogante, mas o Josh ainda não namorava com ela. Eles começaram a namorar poucos meses depois que o Caleb se foi, provavelmente foi o escape que ele encontrou para o seu luto. Eu não o julgo por isso. Como poderia? Naquela época eu não conseguia nem mesmo me ajudar. Fiquei perdida. A morte dele foi a pior coisa que já aconteceu comigo. Não houve uma noite sequer no ano em que ele morreu, em que eu não sonhasse com ele. Achei que me afundaria ainda mais, então me isolei completamente até conhecer a Julia. Ela me fez sair de casa de novo, conhecer novas pessoas. Isso tudo foi um processo difícil e eu precisei aprender a suportar da pior forma.
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