Recomeçar

1583 Words
A mãe dele se chamará Helena Almeida. Um nome forte, elegante, que combina com uma mulher autoritária, fria, mas que esconde muitas marcas do passado. Ela é uma empresária muito respeitada, conhecida por seu jeito duro e exigente — tanto nos negócios quanto em casa. Ela criou Lucca para ser um reflexo dela: impenetrável, reservado e calculista. Já a veterana recalcada se chamará Isadora Monteiro. Filha de uma das amigas de Helena, sempre quis a atenção de Lucca — mas ele nunca olhou duas vezes para ela. Isadora é linda, mas arrogante. Ela se sentiu humilhada por ter sido ignorada por ele, e agora usa a aproximação de Lívia como um motivo pessoal para tentar afastá-los... principalmente depois que Helena passa a usá-la como seus olhos e ouvidos dentro da Universidade. A família Almeida tem segredos. Helena não acredita no amor porque um dia foi ferida profundamente — traída pelo homem que jurava amá-la: o pai de Lucca. Desde então, ela criou um muro ao redor do coração... e impôs esse muro ao filho também. Mal sabe ela que Lívia Vitória de Lima não é do tipo que desiste fácil. Parte 1 — Cena especial, íntima, só de Lucca e Lívia (Um encontro por acaso que não é tão por acaso assim...) --- Lívia caminhava distraída pelo jardim da Universidade. Gostava daquele espaço silencioso, longe das provocações de Isadora e da presença sufocante de certos olhares curiosos. Foi quando ouviu uma voz rouca, firme, mas surpreendentemente suave: — Sabia que esse é o meu lugar favorito aqui... — disse Lucca, encostado numa árvore, observando-a com um leve sorriso de canto. — Nunca vi ninguém além de mim parar aqui pra pensar. Lívia se virou, surpresa. O coração acelerou — não de medo, mas daquela sensação estranha e nova que ele sempre causava. — Eu... não sabia. Não queria invadir seu espaço... — respondeu ela, um pouco sem graça. Lucca se aproximou devagar, com as mãos nos bolsos. — Não invadiu. Talvez... estivesse faltando alguém aqui pra dar um pouco de cor nesse cinza que eu mesmo construí. Ela o olhou de lado, curiosa. — Por que sempre tão fechado? Ele deu um meio sorriso, triste. — Porque quando você cresce aprendendo que amor é fraqueza... demora pra entender que pode ser força também. Ali, pela primeira vez, Lívia viu não o veterano reservado... mas um homem que lutava contra seus próprios medos. — Talvez você só precise de alguém que te mostre o caminho certo... Ele encarou-a por um segundo a mais do que deveria. — E talvez eu já tenha encontrado. --- Parte 2 — O olhar venenoso de Isadora e o início das armações Isadora, de longe, apertava o celular nas mãos, com um olhar furioso e um sorriso cínico nos lábios. "Então é assim, Lívia Lima? Quer bancar a heroína que vai mudar o Lucca? Vamos ver o que a dona Helena vai achar disso..." Ela se afastava dali já escrevendo uma mensagem para a mãe de Lucca: "Tia Helena... acho que precisamos conversar. Tem uma certa caloura se aproximando demais do seu filho..." Helena Almeida lia a mensagem com um olhar gélido, enquanto fechava um contrato milionário em seu escritório. — O jogo começou... — murmurou para si mesma. O Primeiro Encontro Tenso: Helena Almeida e Lívia Vitória Helena Almeida marcou o encontro como quem marca uma reunião de negócios. Lugar neutro, elegante e discreto. Ela sempre acreditou que intimidar alguém era questão de postura, de olhar firme e palavras afiadas. Quando Lívia chegou, com sua simplicidade delicada, mas com a segurança herdada do sangue Lima, Helena quase subestimou. — Sente-se, por favor. Quero ser breve. Lívia manteve o olhar firme, educada, mas não submissa. Helena foi direta: — Você é nova aqui, está conhecendo o mundo real agora... Eu só vim lhe dar um conselho. — A voz dela era cortante. — Nem tudo o que parece perfeito dura. Nem toda aproximação é bem-vinda. Principalmente de alguém como você... para alguém como meu filho. Lívia respirou fundo. Sabia que esse momento chegaria. — Agradeço o conselho, senhora Helena. Mas a senhora se esquece de um detalhe importante... — Olhou nos olhos dela. — Eu não me aproximei de ninguém pra ganhar nada. Se o seu filho se aproximou de mim... foi escolha dele. Helena não esperava por isso. — Você é ousada... Lívia sorriu de leve. — Não. Só aprendi desde cedo que respeito se responde com respeito. Mas ameaça... a gente responde com verdade. Helena levantou-se, séria. Pela primeira vez, alguém lhe enfrentava com classe e firmeza. "A filha de Clara Lima... agora eu entendo." — pensou, antes de sair, deixando no ar que não seria o último embate. --- Cena 2 — Lucca descobre tudo e coloca ordem na situação Lucca já desconfiava de Isadora. Observava de longe. Bastou ouvir uma conversa dela ao telefone com Helena para ter certeza das armações. Ele esperou o momento certo. Encontrou-a sozinha, na saída da aula. — Acabou, Isadora. — Sua voz era baixa, mas firme. — Acha mesmo que pode usar minha mãe contra alguém que tem mais caráter do que você jamais sonhou em ter? Isadora tentou rebater, mas Lucca foi direto: — Eu não aviso duas vezes. Se chegar perto da Lívia de novo pra armar alguma coisa, é comigo que você vai lidar. Isadora engoliu seco. A máscara caía. E antes de sair, ele completou: — Ah... e avisa pra minha mãe também. Ela vai perceber muito em breve que mexeu com a garota errada. Silêncio que Ensina: Helena sozinha com seus pensamentos Helena voltou para casa naquela noite mais inquieta do que nunca. Não era comum duvidar de si mesma, mas o olhar de Lívia não saía da sua mente. "Aquela menina não me tem medo. Ela sabe quem é... e isso é raro." Sentou-se na poltrona do escritório. Olhou uma foto antiga de Lucca ainda criança, segurando um brinquedo feito por ele mesmo — sempre criativo, sempre sozinho. "Eu criei um filho forte. Mas será que o isolei demais? Será que fiz dele um homem que teme ser amado de verdade?" As palavras de Lívia ecoavam como uma verdade inconveniente: "Se ele se aproximou de mim... foi escolha dele." Ela sabia o que poderia perder: um filho livre, feliz, apaixonado — ou um homem infeliz, amargo, desconfiado do amor pelo resto da vida. O que ela mais temia era o que estava acontecendo... Lucca estava se encontrando em alguém que ela não controlava. Mas também... alguém que ela não podia odiar. Porque Lívia não era uma aventureira qualquer. Ela era de verdade. Lucca e Lívia: O Momento de Verdade Lucca procurou Lívia naquela mesma noite. Sabia que precisava se abrir. Sabia que precisava mostrar que estava do lado dela. Encontrou-a sentada no jardim do campus — um lugar simples, calmo, como ela gostava. Ele se sentou ao lado dela, em silêncio. Só depois de alguns minutos, falou: — Minha mãe te procurou, não foi? Lívia o olhou de canto, com serenidade. — Procurou. Mas eu não me escondo de ninguém, Lucca. Eu sei quem eu sou. O olhar dele suavizou. Era por isso que ele não conseguia se afastar dela. Ele respirou fundo. — Eu nunca deixaria que ninguém te ferisse. Nem ela. Nem ninguém. Lívia, com a delicadeza que era sua marca, tocou a mão dele. — Eu sei disso. Mas também não quero que você viva brigando com quem ama por minha causa. Ele sorriu de lado. Um sorriso raro, sincero. — Talvez você não tenha entendido ainda... — aproximou-se devagar — mas você já faz parte do que eu sou. E naquele instante, sem pressa, sem medo, os olhos falaram o que as palavras guardavam: estavam se escolhendo, mesmo em meio aos desafios. Helena diante do espelho do passado: o reencontro com o irmão Naquela tarde, Helena dirigiu em silêncio até um local que poucos sabiam que ela frequentava: um pequeno convento afastado da cidade. Lá, morava seu irmão — Padre Augusto Almeida — o único capaz de enxergar Helena por trás da armadura de frieza. Quando o viu se aproximar, ele sorriu com ternura. — Minha irmã... você só me procura quando seu coração está inquieto. Helena suspirou, vencida por aquele olhar que sempre a desarmava. — Eu estou perdendo meu filho... — confessou, pela primeira vez deixando as lágrimas vencerem o orgulho. Padre Augusto a escutou em silêncio, com paciência. — Não está perdendo, Helena... Está ganhando a chance de conhecer o homem que ele se tornou. Ela abaixou os olhos, derrotada pelas lembranças. — Eu só... tive tanto medo de vê-lo sofrer o que eu sofri. Amar demais... confiar demais... foi assim que eu me perdi. Foi assim que eu me tornei essa mulher que ninguém entende. O irmão a olhou com doçura. — Talvez o que te assuste em Lívia... não seja ela. Mas tudo o que ela desperta em você: a esperança que você não permitiu renascer. Helena enxugou o rosto, respirando fundo. — Eu a observei. Ela é diferente. Forte. Corajosa. Não se curva fácil. Padre Augusto sorriu, como se já soubesse. — Então, minha irmã... talvez seja hora de você permitir a si mesma ver o amor de outra forma. Não como fraqueza. Mas como força. Helena ficou ali, olhando o jardim do convento, pensando em como o destino podia ser irônico... talvez aquela jovem estivesse prestes a ensinar a ela o que o mundo lhe roubou: a leveza de amar sem medo.
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