PRÓLOGO
Prólogo
O Homem que Não Sabia Amar
Quando o desejo vem misturado com dor, medo… e amor que só sabe doer.
Dubai. Madrugada.
O salão permanecia iluminado por candelabros de cristal, resplandecendo em reflexos dourados que dançavam sobre o mármore.
Os repórteres se dispersavam discretamente após a cobertura da inauguração, enquanto as câmeras já haviam captado o suficiente: a majestosa parceria entre o príncipe Al-Fahd e a renomada arquiteta Helena Ramos Lemoine.
O salão estava impecável. Ouro nas paredes, e um silêncio hipócrita escondido sob o som refinado de violinos. Todo mundo sorria… como se o mundo não estivesse podre.
Mas o que me feria… era ela.
Helena.
Helena vestia um deslumbrante modelo dourado, com bordados em tons de pérola e bronze, feito sob medida para aquela noite. A f***a lateral revelava sua perna com elegância sutil, enquanto o coque baixo deixava à mostra a nuca delicada. As costas nuas adicionavam um toque provocante à silhueta sofisticada, e o conjunto era finalizado por uma presença que irradiava poder e dor silenciosa.
Ela estava fingindo.
Os olhos não mentiam. Estavam vazios. Doloridos. Aqueles olhos… estavam implorando socorro.
Eu a observei por minutos, escondido entre colunas e taças caras. O noivo da noite a cercava. Jean-Luc. Uma víbora vestida de príncipe. Encostou na cintura dela. Falou baixo, muito baixo. Como se tivesse o direito.
Ela sorriu.
Mas não era sorriso. Era sobrevivência.
E mesmo assim, aquilo me dilacerou.
Fechei os punhos. Respirei fundo. Leonardo me lançou um olhar do outro lado da festa. Um aceno sutil. Estávamos prontos. Mas eu… eu não consegui esperar.
Ela era minha mulher. E ela estava ali… sorrindo pra um pesadelo.
Eu atravessei o salão em linha reta, ignorando os olhares, ignorando os seguranças.
Parei atrás dela.
— Vem comigo.
Ela se virou devagar, como se tivesse visto um fantasma. O corpo tremendo. Os olhos arregalados.
— Arthur…? O que você tá fazendo aqui?
— Cheguei antes. Ninguém viu. Ninguém precisa ver. — A voz saiu mais baixa do que o planejado. Mas o sangue já pulsava como um tambor. — Acha mesmo que eu ia te deixar aqui com ele?
Ela tentou se afastar, mas eu puxei o braço dela com cuidado. Não mais como um invasor… mas como alguém que voltou pra buscar o que nunca deveria ter deixado pra trás.
— Por favor… não. — A voz dela saiu num sussurro. — Ele tá vigiando tudo. Vai mandar te matar.
— Então mata. — Cheguei mais perto. — Mas antes… me escuta.
Ela tentou se manter firme, mas os olhos já estavam molhados.
— Você me abandonou, Arthur. Você sumiu. Me deixou sozinha quando eu mais precisei. Eu… — a voz falhou — eu errei também. Mas você me largou.
— Eu tava quebrado. E covarde. E egoísta. — Engoli a dor. — Mas você acha mesmo que eu suportei te ver nos braços dele?
Ela baixou a cabeça. A máscara de força escorregou um centímetro.
— Agora estou com Jean.
— Ama ele?
Silêncio.
— Helena — insisti. — Você ama ele?
Ela chorou.
— Sim.
Eu fechei os olhos. Respirei como se o ar tivesse sido cortado com faca.
— Você tá mentindo. — Me aproximei. A mão no rosto dela. — Você nunca foi boa mentirosa.
Ela tentou manter a pose. Mas desabou. Caiu de joelhos, a mão no peito, como se quisesse arrancar o próprio coração.
— Eu não posso te ver morrer… — soluçou. — Eu prefiro morrer do que ver ele tocar em você, Arthur. Você entende? Ele ameaçou o Heitor… ele me mantém aqui… por sua causa.
Eu ajoelhei com ela. Puxei o rosto dela com ambas as mãos. Beijei. Beijei como se aquele beijo fosse guerra e redenção ao mesmo tempo.
— Você está presa por minha culpa…
Ela não respondeu. Só me abraçou. Forte. Desesperada. Como se eu fosse ar e ela estivesse se afogando há meses.
E então eu fiz o que meu corpo me implorava desde o momento em que a vi naquela festa maldita.
Encostei ela na parede.
E a beijei como quem pede perdão com a língua.
Minhas mãos encontraram os sei0s dela. Os dedos dela já desciam pelo meu zíper. Ela chorava. Gemia. Implorava.
— Se ele ouvir… — ela sussurrou.
— Ele que escute.
Tirei a calcinha dela com uma mão. Subi a f***a do vestido. Entrei.
Ela mordeu meu ombro. Gemeu. E me acolheu como se o corpo dela soubesse o caminho de volta.
— Eu te amo, Arthur… — ela sussurrou no meu ouvido, enquanto g0za, encharcada.
E pela primeira vez, eu entendi.
Ela estava ali por mim.
Ela suportou o cárcere por amor.
E agora, eu é que precisava salvá-la — antes que fosse tarde demais.
Ela se afastou devagar, mas o olhar que me deu me atravessou como faca.
— Eu... não sei se consigo — disse. — Não quando ele ameaça o Heitor. Quando diz que vai te matar. Eu durmo com medo todos os dias. Fingindo sorrisos. Fingindo prazer. Fingindo que consigo... viver sem você.
Me faltaram palavras.
Minha mão deslizou pela bochecha dela.
— Eu devia ter ficado. Nunca devia ter te deixado sozinha naquela noite. Você tinha razão. Eu não soube te amar, Helena. Mas eu... — minha voz falhou. — Eu não sou mais aquele homem. Não por dentro.
Ela engoliu o choro, tentando recuperar a postura, mas as lágrimas não paravam.
— Jean vai perceber. Vai sentir. Eles sempre sentem. Eu não sei o que ele vai fazer se souber que você tá aqui.
— Ele já sabe. — respondi. — E se não sabe, vai saber logo. Mas o sheik tá comigo. O Leonardo também. Você não tá mais sozinha.
Ela arregalou os olhos, surpresa.
— O quê?
— Eu não vim aqui pra assistir você casar com um monstro. Eu vim te buscar. Como deveria ter feito desde o começo.
Ela caiu de novo nos meus braços. Me beijou com desespero, com saliva, com mordida. Eu retribuí como um homem que não tem mais tempo a perder.
Dessa vez foi ela quem me empurrou contra a parede. Tirou a calcinha de vez, e me montou ali mesmo, no pertado, com a respiração falhando e o coração pulsando nas têmporas.
— Então me marca, Arthur. — sussurrou no meu ouvido. — Me marca antes que ele tente me apagar.
Eu a segurei pela cintura com força. E meti.
Fundo.
Devagar, no começo. Como se o tempo não existisse. Como se o mundo inteiro tivesse parado pra ver aquele reencontro — ou aquela despedida.
Mas depois, eu perdi o controle. Os gemidos dela me atravessavam. Os olhos fechados, a boca entreaberta, o rosto dela dizendo tudo que a voz já não conseguia mais sustentar.
Eu g0zei de novo. Dentro dela. Com raiva. Com amor. Com a certeza de que nunca mais deixaria alguém tocar no que era meu.
Ela deitou sobre meu peito, exausta.
— Ele vai tentar te matar... — disse baixinho. — E se ele conseguir... eu morro também.
— Ele não vai. — prometi. — Porque dessa vez, Helena... eu aprendi a amar.
Ela sorriu. Pela primeira vez naquela noite, um sorriso real. Rasgado. Dolorido. Mas dela.
E ali, no canto de um castelo de mentiras, dois corpos suados e dois corações marcados, fizemos um pacto silencioso:
Amor ou morte.
Mas nunca mais o vazio.