CAPITULO 24: DESGRAÇADO!...

1146 Words
ROKSANA... O meu coração deu um salto quando ouvi aquela voz. Uma voz que durante anos foi familiar. Uma voz que um dia me fez sorrir. Mas que agora... Só me causava cansaço. — Roksana, o que estás a fazer com esse cara? Levantei-me da cadeira sem perceber. Instintivamente. Como se o meu corpo tivesse reagido antes da minha mente. Simon estava parado ao lado da nossa mesa. Respirando com dificuldade. O rosto tenso. Os olhos fixos em mim. Mas o que mais me chamou a atenção não foi isso. Foi Pietro. Porque enquanto eu estava surpresa... Simon estava furioso... Pietro permanecia sentado. Completamente calmo. Como se nada pudesse abalá-lo. Como se aquela situação não o ameaçasse minimamente. E talvez fosse exatamente isso que estivesse deixando Simon ainda mais irritado. — Estou a falar contigo! Disse Simon novamente quase berrando, chamando atençao das pessoas ao redor... — Eu ouvi. Respondi friamente. — Então responde. Olhei para ele durante alguns segundos. — Não te devo explicações. — Não me deves?... Retrucou, como se tivesse ouvido o maior absurdo da vida dele... — Não. O rosto dele endureceu. — Quem é ele? Antes mesmo de Pietro abrir a boca, respondi imediatamente. — Isso não é da tua conta. O silêncio que se seguiu foi pesado. Porque eu vi. Vi exatamente o momento em que aquelas palavras o atingiram. Mais forte do que qualquer tapa. Mais forte do que qualquer humilhação. Porque durante anos eu o tinha defendido. Justificado. Protegido do meu irmao... Mesmo quando não merecia. E agora estava protegendo outro homem. Não ele. Outro. E Simon percebeu isso... Perfeitamente. — Rox... — Não. — Por favor. — Não me chama assim. Ele fechou os olhos por um instante. Como se estivesse tentando controlar a própria dor. Ou a própria raiva. Talvez ambas. Foi então que Pietro finalmente se levantou. Sem pressa. Sem agressividade. Sem qualquer sinal de ameaça. Apenas levantou-se. E estendeu a mão. — Prazer. Simon ficou olhando para a mão dele. Sem reagir. — Sou Pietro. Só isso. Nada mais. Nenhum sobrenome. Nenhuma explicação. Nenhuma demonstração de poder. Mas havia algo naquela confiança tranquila. Algo que preenchia o espaço inteiro. A presença do Pietro era imponente, e havia uma aura perigosa que era dificil de ignorar... E eu vi Simon sentir isso. Vi claramente. Porque ele ficou imediatamente desconfortável.Como se soubesse que estava diante de alguém impossível de intimidar. — Então és tu. Disse Simon.... Pietro arqueou uma sobrancelha. — Eu? — O cara que anda atrás dela... Por isso ela agiu assim... Pietro olhou para mim rapidamente. Depois voltou a olhar para Simon. — Não ando atrás dela. O silêncio instalou-se. — Não? Perguntou Simon. — Não. — Então o que estás a fazer aqui com ela? Pietro sorriu. Um sorriso pequeno.Calmo e calculado... — Estou almoçando com ela. Meu Deus. Eu quase ri. Porque aquela resposta simples deixou Simon ainda mais frustrado. — Eu amo a Roksana. E ela é minha namorada por isso cai fora! Disse Simon de repente. O restaurante pareceu ficar mais silencioso. Ou talvez fosse apenas a minha impressão. Porque naquele momento senti algo estranho. Não tristeza. Não felicidade. Nada. Apenas uma enorme distância. Como se aquela frase pertencesse a outra vida. A outra pessoa. Não a mim. — Eu sei que errei. Continuou ele. — Sei que fui um i****a. — Concordo. Respondi. Simon ignorou-me. — Mas mudei. — Não mudaste... Mas nem que isso seja verdade, eu nao me importo mais... — Como sabes, eu sei que estas apenas magoada Rox? Respirei fundo. Porque pela primeira vez não sentia raiva. Só tristeza. Uma tristeza calma. Madura. Como quem finalmente aceita que algo acabou. — Porque não entendeste o problema. Ele franziu o cenho. — O problema foi a traição. Balancei a cabeça. — Não. — Não? — Não foi só isso. Olhei diretamente para ele. — Foi a confiança. O rosto dele perdeu a cor. — Rox... — Eu confiava em ti. Minha voz falhou ligeiramente. Mas continuei. — E confiava nela. Silêncio. — Vocês eram as duas pessoas que eu menos esperava que me magoassem. Baixei os olhos por um segundo. Depois voltei a encará-lo. — E fizeram exatamente isso. Ele deu um passo na minha direção. — Dá-me uma oportunidade. — Não. — Por favor. — Não. — Eu amo-te. Fechei os olhos. E finalmente disse a verdade. A verdade que eu mesma tinha demorado meses para aceitar. — Talvez ames. Abri os olhos. — Mas eu já não consigo amar-te da mesma forma. O silêncio que se seguiu foi devastador. Porque ambos sabíamos. Aquilo era um adeus. Um adeus verdadeiro. Definitivo. Sem retorno. Simon ficou imóvel durante alguns segundos. Depois olhou para Pietro. Depois para mim. E finalmente foi embora. Sem dizer mais nada. Mas havia algo no olhar dele. Algo que me deixou desconfortável. Muito desconfortável. Depois disso continuámos sentados. Mas algo tinha mudado. Pietro estava diferente. Mais silencioso. Mais distante. Observei-o durante alguns minutos. Até finalmente perguntar: — Estás com ciúmes? Ele sorriu. Mas demorou alguns segundos para responder. — Sou homem, Roksana. Meu coração tropeçou. — E? — Claro que estou. A sinceridade dele apanhou-me desprevenida. Porque Pietro nunca fingia. Nunca jogava. Nunca manipulava. Ele apenas dizia a verdade. Mesmo quando era desconfortável. — Pensei que fosses perfeito. Brinquei. Ele riu. — Não sou. — Não? — Não. Aproximou-se um pouco. — E não gostei nada da forma como ele olhou para ti. Meu coração acelerou. — Pietro... — Nem da forma como falou contigo. Engoli em seco. —Me desculpe, eu devia te-lo mandado embora na mesma hora, mas eu precisava cortar o laço definitivamente... Porque pela primeira vez percebi. Vi no olhar dele... Ele realmente se importava. Muito mais do que eu imaginava. Mais tarde caminhámos pela cidade. De mãos dadas. Sem pressa. Sem destino. Apenas juntos, trocando carinhos beijos curtos, como dois apaixonados... E pela primeira vez o assunto futuro apareceu. Naturalmente. Sem pressão. — Daqui a alguns anos quero uma casa cheia de barulho. Disse Pietro. Sorri. — Que tipo de barulho? Ele olhou para mim. E respondeu simplesmente: — Filhos. Parei de andar. Literalmente. Porque algo dentro de mim aqueceu. Algo profundo. Algo bonito. E pela primeira vez imaginei. Um futuro, um lar. E Pietro fazia parte dele. Naquela noite, já em casa, recebi uma mensagem. Número desconhecido. Abri. E imediatamente senti o sangue gelar. Era uma fotografia. Minha e de Pietro. No restaurante. Tirada à distância. Às escondidas. Meu coração disparou. As mãos começaram a tremer. E então li a mensagem. "Se eu não posso ter você... ele também não vai." Fiquei imóvel. Sem respirar. Sem entender. Sem saber quem tinha enviado aquilo. Mas uma certeza instalou-se dentro de mim. Alguém estava observando e com certeza era o Simon... Senti medo pelo Pietro... Porque nunca sabemos onde alguem pode ir quando esta magoado...
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