CAPITULO 13: Consequências...

978 Words
EVELYN... As minhas mãos tremiam tanto que quase deixei o teste cair duas vezes antes de sair da farmácia. Duas linhas. Duas simples linhas. Tão pequenas. Tão silenciosas. E mesmo assim pareciam capazes de destruir uma vida inteira. A minha neste caso... Fiquei vários minutos parada na rua. Olhando para aquele pequeno pedaço de plástico. Esperando que as linhas desaparecessem. Esperando que fosse um erro. Esperando qualquer coisa. Mas nada mudou. Continuo grávida. E pela primeira vez em muito tempo senti medo. Um medo verdadeiro. c***l. Paralisante. Porque naquele instante percebi que estava completamente sozinha. Já tinha perdido a pouca dignidade que me restava naquela festa. E agora... Tem uma criança a crescer dentro de mim. Engoli em seco. E tomei uma decisão. Não ligaria para Simon. Não enviaria mensagens. Não imploraria atenção. Porque já fazia um mês que ele ignorava tudo. Então fui pessoalmente. O caminho até ao apartamento dele pareceu interminável. Quando finalmente cheguei, fiquei alguns segundos olhando para a porta. Respira. Apenas respira Evelyn... Sussurrei para mim mesma... Toquei a campainha. Uma vez. Duas. Três. Até que ouvi passos. A porta abriu-se. Simon apareceu. Distraído. Claramente sem esperar encontrar-me ali. Mas assim que me viu... O rosto dele escureceu. Imediatamente. Como se eu fosse uma doença. Como se a minha presença o incomodasse. Sem dizer uma única palavra, começou a fechar a porta na minha cara. E foi aí que falei. — Estou grávida. O movimento dele parou. A mão ficou suspensa no ar. Durante alguns segundos nenhum dos dois falou. O silêncio tornou-se pesado. Quase sufocante. Então ele virou-se. Entrou no apartamento. E sentou-se no sofá. Sem me convidar. Sem demonstrar emoção. Sem demonstrar nada. Mas eu vi aquilo como uma oportunidade. Entrei. Fechei a porta. E sentei-me ao lado dele. O coração parecia querer sair pela boca. Retirei o teste da bolsa. Mostrei-lhe. Ele observou. Em silêncio. Durante vários segundos. Depois soltou uma pequena risada. Uma risada sem humor. Sem alegria. Sem alma. — Então? Franzi a testa. — Então o quê?... Perguntei ... — Qual é a tua ideia?... Pisquei. Sem entender. — Como assim? — O que pretendes com isto? O choque foi tão grande que fiquei sem palavras. Eu tinha imaginado muitas reações. Raiva. Surpresa. Medo. Até felicidade. Mas indiferença? Aquilo não. As lágrimas começaram a acumular-se. — Simon... Minha voz falhou. — Este filho é nosso. Ele continuou olhando para mim. Frio. Distante. — É responsabilidade dos dois. Mais silêncio. — Eu preciso de ti. Foi então que os olhos dele escureceram ainda mais. — Precisas de mim? O tom dele fez-me estremecer. — Simon... — Evelyn. A voz saiu cortante. — Se enxerga. Senti o coração afundar. — O quê? — Achas mesmo que se não fosse por causa da Roksana eu teria olhado para ti? As minhas lágrimas começaram a cair. Mas ele continuou. Sem piedade. — Achas que eu teria escolhido ficar contigo? Cada palavra parecia uma faca. — Se não fosses tão fácil, eu sequer teria me envolvido contigo. Fechei os olhos. Mas aquilo não o fez parar. — O que tens para oferecer?... Além de dormir comigo? Aquilo destruiu alguma coisa dentro de mim. Porque durante meses eu tinha acreditado. Acreditado que ele gostava de mim. Mesmo que um pouco. Mesmo que não fosse amor. Mas agora percebia. Nunca existiu nada. Nada. — Eu gosto de mulheres como a Roksana. Aquela frase foi a pior de todas. — Ela é inteligente. Tem futuro. Tem objetivos. Ele apontou para mim. — Tu estragaste tudo. Comecei a chorar sem conseguir controlar. Mas ele não se importou. Nem um pouco. — Escuta bem. A voz dele ficou ainda mais fria. — Livra-te desse problema. Olhei para ele. Sem acreditar. — O quê? — Não quero isso. O mundo pareceu parar. — Simon... — Não vou assumir nada. — É teu filho. — Não me interessa. As lágrimas tornaram-se incontroláveis. — Como podes dizer isso? — Porque é a verdade. Pela primeira vez percebi quem Simon realmente era. Não o homem encantador. Não o namorado perfeito. Não o rapaz carinhoso. Mas alguém vazio. Egoísta. c***l. Levantei-me. As pernas tremiam. O coração também. Queria gritar. Queria insultá-lo. Queria odiá-lo. Mas não consegui. Porque estava cansada. Muito cansada. Por isso fui embora. Sem dizer mais nada. E dessa vez... Sem olhar para trás. Enquanto isso... Simon... A porta fechou. E o apartamento ficou silencioso. Mas o silêncio não trouxe paz. Muito pelo contrário. Trouxe a Roksana. Sempre a Roksana. Durante aquele último mês a minha vida tinha se transformado num inferno. Primeiro o vídeo. Depois a humilhação. Depois o Bruno. Maldito Bruno. Só de pensar nele a minha mandíbula doía. Ainda me lembrava daquela tarde. Da violência. Dos socos. Do sangue. Da dor. Principalmente da dor. — Eu avisei. Lembrava-me da voz dele. — Eu disse que arrancaria os teus dentes se magoasse a minha irma, e eu nunca gostei de voce... E arrancou. O desgraçado arrancou mesmo os meus dentes... Fiquei Duas semanas internado. Duas. Minhas costelas partidas. Tive que fazer um implante para dentes novos. Eu sentia-me Humilhado... E o Bruno deixou-me um aviso. Nunca mais chegar perto da Roksana. Mas como podia não tentar? Como? Porque quanto mais tempo passava... Mais eu percebia o tamanho do erro que tinha cometido. Passei a procurar por ela todos os dias. Na universidade. Nos cafés. Nos lugares favoritos dela. Em todo lado. Mas era como se tivesse desaparecido... Ou talvez entendesse apenas o quanto sentia falta dela. Mas fosse o que fosse... Doía. Muito. E naquele momento... Sentado sozinho no apartamento. Percebi uma coisa. Tinha perdido tudo. A Roksana. A reputação. Os amigos. E até a única pessoa que ainda corria atrás de mim. Evelyn. Mas mesmo assim... A única pessoa em quem conseguia pensar continuava sendo ela. Roksana. A mulher que já não queria ouvir sequer o meu nome.
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