NARRAÇÃO: DANIEL BITTENCOURT O silêncio do meu escritório não era apenas ausência de som; era um vácuo de poder, uma zona de baixa pressão onde apenas as minhas decisões ditavam a gravidade. Joguei o celular sobre a mesa de carvalho maciço com um baque seco, um som que, para os ouvidos treinados, soaria como o bater do martelo de um juiz selando um destino sem direito a recurso. As palavras de Rocha ainda vibravam nas paredes revestidas de couro, carregadas de uma precisão militar que eu aprendi a exigir e a pagar muito bem para manter: o cerco estava fechado. Mariana Lacerda, aquela bolsista insolente com um cérebro brilhante e um olhar de desprezo que ainda queimava na minha pele como uma cicatriz em brasa, não tinha mais para onde correr. Eu tinha drenado cada gota de oxigênio do mund

