capitulo 29 Mariana

2136 Words

NARRAÇÃO: MARIANA LACERDA A presença dele ali, ocupando o vão da porta com aquele cheiro insuportável de álcool barato, suor râncido e derrota acumulada, era um insulto a cada célula do meu corpo. Era uma agressão a tudo o que eu tinha acabado de chorar no colo da minha mãe, uma profanação do pouco de santuário que eu ainda tentava manter dentro daquelas quatro paredes descascadas. O asco subiu pela minha garganta como uma onda de bile, uma queimação ácida que se misturava ao ódio visceral que o Daniel Bittencourt tinha plantado no meu peito horas atrás, naquela praia deserta. Francisco não parecia o carrasco autoritário de sempre, aquele que fazia a casa tremer com um grito. Ele parecia uma presa acuada, um animal que tinha acabado de espiar para dentro do próprio abismo e descobriu que

Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD