capitulo 30 Mariana

1084 Words

NARRAÇÃO: MARIANA LACERDA A porta bateu com um estrondo oco, um som definitivo que pareceu selar o meu destino dentro daquelas quatro paredes descascadas e úmidas. O choro covarde, anasalado e patético do meu pai foi se distanciando pelo corredor, perdendo força conforme ele se afastava para algum canto escuro da casa, deixando um vácuo sufocante e denso entre mim e a minha mãe. Arlete continuava ali, uma estátua de dor sentada na beira da cama, com as mãos entrelaçadas sobre o colo de um jeito tão apertado que as juntas dos dedos estavam brancas, quase sem sangue, como se ela estivesse tentando segurar os pedaços da própria alma para que não caíssem no chão. Seus olhos, vermelhos e inchados pelo cansaço, pelas lágrimas e por décadas de uma vida que lhe deu apenas cicatrizes, estavam fixo

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