— Você quer um show, Daniel? — sussurrei para o closet vazio, minha voz vibrando com uma promessa de destruição. — Pois eu vou te dar o espetáculo que você merece. Mas eu não vou ser a sua noiva de sacrifício. Continuei remexendo nos cabides com uma fúria controlada, afastando vestidos de tule, rendas francesas caríssimas e brilhos exagerados que me davam náuseas. Eu procurava algo que Daniel não tivesse me "sugerido" através do olhar gélido do Rocha. E então, lá no fundo, escondido sob uma capa de seda neutra que parecia ter sido colocada ali por algum lapso na organização milimétrica de Mercedes, ou talvez por um erro da boutique, eu o vi. Puxei o zíper devagar, sentindo o peso do tecido. Era um vestido preto. Mas não era um preto qualquer, básico ou seguro. Era um tecido pesado, uma

