Nós dois travamos no lugar. A roda de samba em volta sumiu. O barulho do pandeiro virou um eco mudo e distante. O mundo inteiro parou de girar naquela pracinha fodida. A Serena tava agarrada no meu pescoço, arfando pelo susto, os s***s subindo e descendo frenéticos, colados no meu peito nu, suado e sujo de obra. Eu tava com a cintura dela prensada contra mim, sentindo a temperatura da pele dela queimar através do tecido fino do vestido. Ela levantou a cabeça devagar. Os olhos dela encontraram os meus. E o bagulho que eu vi ali não era só inocência. Tinha um choque elétrico rodando naquele olhar castanho. O medo do tombo virou outra fita. O rosto dela tava a milímetros do meu. A respiração dela, descompassada, ofegante, batia direto na minha boca. O meu coração, que não tava acostumado a

