A caminhada de volta pra goma da Serena foi no mais absoluto silêncio. A noite já tava caindo, jogando aquele breu pesado por cima das ruelas de barro, e a única parada que iluminava o caminho era um ou outro poste com a lâmpada amarela piscando, quase queimando. O isopor no meu ombro parecia não pesar nada, mas o clima entre a gente... mermão, o clima tava pesando uma tonelada. A tensão do que quase rolou na pracinha ainda tava ali, vibrando no ar, roçando na pele. Ela andava um pouco mais na frente, de cabeça baixa, calada, e eu vinha logo atrás, com a mente fritando, escolhendo cada passo pra não deixar a neurose tomar conta de vez. Quando a gente pisou na casa dela, a coroa já tava deitada no quarto, descansando. A Serena pegou o isopor da minha mão sem olhar direto no meu olho, deu u

