Jorge não engoliu o teatro nem por um segundo, e aquela postura marrenta começou a corroer o pouco de paciência que me restava. O maluco era cria das antigas, fardado na época em que a palavra valia mais do que um pente de fuzil alongado. No meio daquela gritaria ensurdecedora dos vapores levantando a minha bola e celebrando a minha posse, a voz do Jorge cortou o ar como um facão cego, pesada, arrastada por um luto que eu cagava e andava, e por uma desconfiança maldita que me deu coceira nos dedos. — Segura a emoção, Lucas. Abaixa esse cano — Jorge falou, dando um passo firme pra frente, peitando abertamente a minha autoridade recém-nascida na marra. O silêncio despencou na praça na mesma hora. Os moleques da contenção abaixaram as armas de imediato, olhando confusos de um pro outro, tot

