- Alice - gritou Parker. Eu e Jesse saímos quase correndo da cozinha e Parker pôs o telefone no gancho.
- O que houve? - perguntei e todos o olhavam curiosos.
- Era da narcóticos, estavam num caso de uma d***a que anda circulando… - o interrompi.
- Resume logo Parker. - falei séria.
- Encontraram uma vítima.
- Vamos.
Peguei minhas coisas e todos descemos até a garagem. Fomos até um motel no limite da cidade, era um lugar f**o e meio abandonado, o perímetro estava delimitado já e tinha inúmeras pessoas curiosas tentando passar pelos policiais que tentavam conter todos.
Jessica e Jesse pareciam não estar se falando muito ainda, quando desceram do carro impuseram uma distância de quase dez metros entre eles. Me sentia m*l por parte de mim estar feliz em ver os dois separados.
- Deixem eles passar - disse o detetive Genk para os policiais. Passamos pela fita e tinham muitos peritos correndo de um lado para o outro. - comandante Alice.
- Sério? - falei e ele riu. - O que aconteceu aqui Genk?
- A vítima que encontramos - ele fez uma careta. - em decomposição.
- A quanto tempo foi morta? - perguntou Jesse.
- A menos de oito horas. - respondeu e todos o encaramos duvidosos.
- Como seria possível? - perguntou Kyera.
- Venham. - o acompanhamos. - a colocaram num tanque, com agentes químicos para decompor o corpo mais rápido.
- E a causa da morte? - perguntei e entramos no quarto. O cheiro era muito forte.
- Perito não sabe ainda, mas acredita que seja o tiro que levou no peito. - apenas assenti e me aproximei de onde a vítima estava. Matthew, Jessica e Parker m*l olharam a vítima antes de darem uns cinco passos para trás com as mãos na boca.
- Como vieram parar aqui? - perguntei a Genk que me observava com um olhar confiante.
- Seguimos um pista até esse motel, estávamos no quarto ao lado e sentimos o cheiro forte.
- Certo, assumimos daqui Genk, obrigado. - falei sorrindo e ele retribuiu.
- Disponha - ele deu uma piscadela e saiu.
- Acho que ele gostou de você - disse Kyera rindo.
- Com certeza gostou - concluiu Parker e eu ri.
- Vamos trabalhar por favor. - eles riram. - Jessica vá falar com o dono desse lugar, quero saber quem pegou este quarto.
- Certo - respondeu já saindo.
- Parker e Kyera, vejam se tem alguma câmera ou perto deste local. Matthew, eu e Jesse vamos vasculhar este quarto.
- Tudo bem. - responderam juntos.
Matthew, Jesse e eu colocamos as luvas descartáveis e começamos a procurar por todas as pistas possíveis naquele quarto, peritos ainda fotografavam o local, embalavam provas e catalogavam. Achei um bloco de notas na cabeceira da cama, estava sem nada escritor ainda assim, parecia ter sido utilizado recentemente.
- O que você acha? - perguntou Jesse e eu o encarei confusa. Procurava por um lápis.
- Acho sobre o que? - perguntei tranquila.
- Sobre o caso - me encarou enquanto encontrava um lápis e comecei a riscar sobre o bloco de notas. - Sabe a nossa vítima, num tanque baleada e sendo dissolvida.
- Acho que estava no lugar errado e na hora errada. - respondi e ele olhou para o bolo de notas. Todo aquele cheiro forte parecia ter sumido quando ele se aproximou, conseguia sentir só seu cheiro.
- É um endereço? - perguntou me tirando dos meus pensamentos.
- Parece que sim - respondi. Ouvi um pigarro atrás de nós e era Jessica acompanhada de Parker que segurava para não rir.
- O dono disse que ela mesma pegou o quarto e estava sozinha. Não parecia muito bem, a pele estava pálida, visualmente desnutrida e não falava nossa língua. - disse Jessica.
- Ela disse o nome para ele? - perguntei.
- Mentiu sobre, mas os peritos encontraram os documentos com ela. Alyssa é da Venezuela, veio em uma embarcação clandestina para cá. - disse Parker me dando o documento dela.
- O que faria aqui se estava ilegal? - se questionou Jesse e eu me fazia a mesma pergunta.
Voltamos para delegacia e juntos o que havíamos conseguido, Jessica procurava ter maiores informações quando a vida de Alyssa. Matthew e Jeff estavam olhando horas de gravações de câmeras, Kyera procurava descobrir o que significava o que fora anotado no bloco de notas.
Jesse e eu analisávamos olhado do legista, dos peritos e balística. Era chocante acreditar que ela tinha morrido a menos de doze horas e seu corpo já estivesse em tamanha decomposição.
- Onde vai? - perguntou Jesse quando larguei todos papéis e ia saindo.
- Já volto - sorri e desci até o segundo andar que pertencia a narcóticos.
- Oi comandante Hank - a maioria do pessoal disse junto e eu retribui com um aceno apenas.
- Alice Hank, duas vezes em um dia. - disse Genk quando parei na sua porta.
- Não se acostuma - falei com a voz suave e ele levantou se apoiando a mesa.
- No que posso lhe ajudar agora?
- Um jantar talvez. - falei tranquila e ele sorriu.
- Sexta, as oito? - perguntou e eu assenti.
- Certo, até sexta Genk.
- Tchau Alice.
Sai e todos me olhavam com curiosidade, subi de volta ao quinto andar e Kyera tinha ido acompanhada de Matthew até o endereço do bloco. Assim que me sentei na minha mesa, Parker se empurrou na cadeira com rodas até a minha mesa e ficou próximo a mim.
- onde você foi? Voltou toda se rindo. - perguntou curioso e eu ri em silêncio.
- Parker é inacreditável como você gosta de saber sobre mim - falei e ele riu.
- Sou seu amigo e gosto de saber de você. - disse com carinha de pidão e continuei rindo.
- Chamei Genk para sair. - falei e ele me olhou incrédulo.
- Você não fez isso? - falou e eu o encarei confusa. - Genk nunca saiu com outra policial, muito menos com alguém do mesmo distrito que ele.
- Bom, ele aceitou sair comigo - falei convencida e ele arregalou os olhos.
- É, você deve causar um efeito diferente nas pessoas. - eu quem o encarou e ele riu.
- Quem disse isso? - perguntou.
- May, de primeira não concordei muito, mas agora tá mais que provado que ela estava certa.
- Vocês dois gostam de falar sobre mim assim? - perguntei sarcástica.
- Ela quer que você vá jantar lá em casa uma hora dessas. Disse que quer agradecer pelo que fez pela Gen.
- Sabe que não precisa, fiz apenas meu trabalho - falei tranquila sorrindo e ele assentiu.
- May é convincente e não vai desistir enquanto você não ir.
- Tudo bem.
- Consegui uma coisa - disse Jesse.
- Fale.
- Alyssa veio junto a uma carga clandestina, melhor dizendo, drogas. - disse Jesse me mostrando alguns documentos.
- Acha que a executaram para que não falasse nada as autoridades? - perguntei e Jesse concordou.
- Seria a única justificativa, acredito que tenham cometido um erro ao colocarem ela junto com a carga de drogas e resolveram calar ela aqui.
- Sabemos de quem era o contêiner? - perguntou e Jessica acenou.
- Pertencer a Kevin Fihl, que uma ficha longa e inúmeras prisões já realizadas, a maioria cometidas durante a condicional. - disse Jessica me mostrando a ficha dele.
- Peçam apoio e se preparem, ele já deve estar esperando uma batida e com certeza não deve estar sozinho. - falei e todos assentiram.