O retorno

1873 Words
* 6 meses depois * Nunca pensei que me apegaria tanto a um lugar como havia me apegado a New Jersey. Sentia falta do Parker me importunando a todo o momento, mas como sempre que pegava café para ele, me trazia um também, sua amizade era uma das poucas coisas sólidas que tinha na minha vida. Sentia falta de acordar todos os dias e ir para o departamento, sabendo que veria Jesse outra vez e só isso me fazia muito bem. Sentia tanta falta dele. Estava em um prédio abandonado a quase um mês pelos meus cálculos, era um pouco difícil ter certeza. Não fazia ideia de qual cidade, estado ou país estava. Quando sai de Nova Jersey, Shaw havia me mandado direto para Londres, onde tinha sido aberto a anos um caso de uma das maiores máfias, a mafia britânica estava ligada a diversos homicídios que vinham aumentando cada vez mais nos últimos anos. Era para eu ser apenas uma infiltração, até que Brown, o chefe da máfia, descobriu quem eu era, pois tinha um infiltrado dele na agência e me trouxe sabe Deus para onde. Já fui torturada o suficiente, ele sabia que eu havia sido treinada ao ponto de suportar as dores para não abrir o bico e que possivelmente o único motivo de ainda estar viva, seria que no mínimo, eu era uma moeda de troca. Já vivi, fiz e presenciei muita coisa, mas o que fizeram comigo neste lugar, não seria nada fácil esquecer ou seguir sem pensar no que fizeram, ou o que fiz para sobreviver. Os raros momentos que me deixaram à beira da morte naquele espaço fechado e insalubre, eram tão silenciosos e cheios de paz. Me permitiam pensar nas coisas que passei, nas coisas que já tinha feito e nos meus arrependimentos que nunca admiti a mim mesma. Ainda era difícil admitir para mim mesmo que estava apaixonada pelo Jesse. Como me machucava ele não se lembrar de mim, ou não me ver com outros olhos além de alguém que ele não aceita a forma de trabalho, além do mais, se antes éramos impedidos de estar juntos, agora pode ser que isso jamais aconteça. Estava tudo em silêncio a alguns dias, o que me era estranho, pois nunca deixavam que ficasse tanto tempo sem que enviassem alguém a rasgar a minha pele e queimá-la, banhos de água extremamente geladas. Ouvi disparos e gritaria vindo do lado de fora. Dava para ouvir claramente pessoas brigando e sendo jogadas contra a parede daquele galpão, não demorou muito para que alguém abrisse a porta, mas não consegui ver por conta da luz forte em meu rosto. - Meu Deus. - tiraram a luz e vi Jessica junto com Parker. - Comandante Hank? - Jessica me encara feito estátua. - Na verdade é agente. - forcei um sorriso. - O que estão fazendo aqui? - minha voz saiu falha e rouca. - Você quem foi embora, porque voltou? - os dois estavam tentando tirar as correntes que me prendiam na cadeira. Parker tentava não demonstrar sua felicidade em me rever. - Estamos em Nova Jersey? - perguntei ignorando sua pergunta e Jessica assentiu. - Você não sabia? - apenas neguei com a cabeça. - Precisamos tirá-la daqui. - Quem está com vocês? - perguntei aflita e Parker entendeu quem especificamente eu queria saber se estava lá. - Jesse, Kyera, Matthew e o novo chefe, Haward. - Parker me soltou e os dois me ajudaram a levantar. Estava fraca e m*l me mantinha em pé. - Tudo bem, ele deve estar revistando a casa. - sussurrou perto do meu ouvido e eu forcei um sorriso. Parker e Jessica me carregaram até um carro e queriam me levar para o hospital, mas pedi que me levassem até o endereço que eu tinha de Shaw. Antes de partirmos, Parker foi falar com Haward que me olhou brevemente e concordou com a cabeça. - Sentimos sua falta. - disse Jessica e eu a encarei. - A gente nunca se deu muito, mas você era uma ótima chefe. - Obrigada - sorri. - Vamos. - disse Parker entrando no carro e vi Jesse saindo da casa correndo, me encolhi rapidamente. Durante o caminho sabia que os dois estavam não só preocupados, mas também curiosos com o porque eu estava lá e o que havia acontecido. Eu queria contar mesmo que não pudesse, só não sei se eu conseguiria, era difícil lidar com Parker com raiva de mim, não sei se saberia lidar com seus olhares julgadores. Chegamos na casa de Shaw e praticamente me arrastei até a porta dele, porventura o mesmo estava na cidade. Senti meu sangue ferver em um ódio que jamais havia sentido antes, pois estava na mesma cidade em que eu estava sendo prisioneira pelas falhas cometidas por sua equipe. - Alice, o que? O que houve? Tentamos contato com você mas não conseguimos… - ele me olhou incrédula e eu o interrompi. - Chega Shaw. Quero meu desligamento agora. - Alice desculpa. Se é isso que quer, irei providenciar. - Apague todos meus registros. Aliás, como último serviço para você, Brown tem um infiltrado na agência. - Eu sinto muito - disse com a voz suave e seus olhos estavam lacrimejados. - Sério, agora não dá. Não posso lidar com isso agora. - engoli o choro e dei as costas para ele. Fui para o carro novamente e queria ir para casa, porém Parker e Jessica tinham sido chamados para a delegacia pelo Haward. Eles passaram o caminho todo falando como ele era bom, mas sentiram minha falta. Quando chegamos no departamento, meu estômago embrulhava, não queria rever Jesse, e também, muito menos no estado em que eu estava. Entrei com as pessoas me olhando dos pés à cabeça, muitos se recordam de mim e me cumprimentaram, mas havia muitos policiais novos, fui direto até a sala de Hawk que me olhou sem entender. - Você está péssima. - rimos. - Fiquei sabendo que era prisioneira dos britânicos. Achei que estivesse bem longe. - Era para eu estar em Londres. Hawk, pedi meu desligamento da agência, ainda tenho aquela proposta? - Como detetive tem sim, mas primeiro preciso falar com Haward. - Tudo bem, qualquer coisa me liga. - Vai para um hospital, está péssima. - Tchau Hawk. Saí do escritório dele e peguei um táxi até em casa. Apesar de estar totalmente errado, todo esse tempo me virando sozinha no FBI e da Cia aprendi a cuidar dos meus próprios ferimentos e também a tomar soro direto na veia. Estava terminando quando alguém estava praticamente esmurrando a porta, peguei a a**a que escondia na bancada da cozinha e fui até a porta. Destravei a a**a e abri a porta, meu corpo todo relaxou quando vi que era Jesse, enquanto o mesmo me olhou assustado e encarou a a**a. - Desculpa. - Abaixei a a**a. - Entra - forcei um sorriso e dei espaço para que ele entrasse. - Você está péssima. - ele sentou na cadeira do balcão e eu me sentei ao lado. - Estou. - rimos. - Se importa de eu ir tomar banho? Eu preciso muito. - Claro que não, espero você aqui. - ele sorriu e eu retribui. Fui o mais rápido que podia ao banheiro e liguei o chuveiro no morno. Tomei um banho rápido, mas foi o melhor banho que tomei nos últimos meses, era tudo que eu realmente precisava, ainda que ardisse muito meus ferimentos. Sabia que Jesse teria mais perguntas do que poderia responder, mas devia admitir que ele parecia mais bonito do que me lembrava, parecia maduro e menos expressivo. Me vesti e voltei à cozinha, ele estava lá ainda, sentado, parecia cansado, mas também bastante tenso. - Pronto. Agora me sinto limpa. - rimos. - Um pouquinho melhor. - ele fez sinal com a mão e sorriu. - como você está? - os olhos dele passavam uma certa preocupação. - Estou bem. - Onde esteve todo esse tempo? - Sabe que não posso falar. - suspirei e apoiei meus cotovelos em cima do balcão. - Jessica e Parker contaram que foi você que eles encontraram no galpão em que fizemos a batida. Uns agentes apareceram na delegacia e levaram todo o caso. - Jesse eu queria poder contar, infelizmente, não posso. Estaria te colocando em risco. - Só me diz se é verdade. Você estava lá e foi torturada? - engoli em seco enquanto ele me encarava e eu apenas acenei, ele tentou pôr a mão em meu ombro e por impulso me afastei. - Não é nada que eu já tenha passado antes. Jesse por favor, preciso descansar. Eu estava prestes a desabar e era pior com ele me olhando com um olhar de pena e tristeza. Ele apenas assentiu e eu o acompanhei até a porta, assim que Jesse saiu, desabei em choro, como se aquilo estivesse guardado dentro de mim por muitos anos e só assim, me sentiria bem de novo. No dia seguinte, eu m*l havia dormido a noite, me sentia insegura. Acordei com a ligação do Hawk pedindo que eu fosse até o palácio, acabei me arrumando rapidamente e fui para lá. - Bom dia Sr. Hawk, tudo bem? - sorri e ele apenas balançou a cabeça. - Senhorita Hank, Haward lhe aceitou na equipe dele. Disse que seria uma honra tê-la. - ele revirou os olhos. - Pode começar assim que assinar os papéis. - Sim, senhor. - Lembre-se, Sra. Hank, você seguirá ordens dele. - o encarei. - Estou acostumada já. Forcei um sorriso e fui assinar os papéis. Um sargento me alcançou meu distintivo e a a**a de serviço, quais coloquei imediatamente e subi até o quinto andar e todos me encararam. - Ela tá de volta. - Parker quase gritou e sorriu. - Não precisa anunciar Parker. - todos acabaram rindo. Ele me abraçou. - Haward está? - Na sala dele. - Jessica respondeu e eu a encarei sem entender.- Ele disse que precisava da privacidade dele. - balançou os ombros. - Certo, obrigado. Entrei na sala de Haward e conversei com ele. Informou como fazia o trabalho, o que não era muito diferente da forma que comandei, acabou contando que sabia pelo que eu estava passando e que iria superar isso, assim como, deixou claro que não aceitava nenhum tipo de relacionamento entre os detetives dele. Sai da sala do Haward e a mesa que eu usava ainda estava da mesma forma que havia deixado quando fui embora, me sentei na cadeira e Parker se aproximou. - Fico feliz que tenha voltado - ele sorriu e eu o olhei. - Estou feliz de estar de volta. Espero que dessa vez seja para ficar - sorri e ele assentiu. - Isso não quer dizer que te perdoo e que não estou com raiva de você Alice. - disse ele tranquilo e eu mordi os lábios. - Você tem todo direito - forcei um sorriso. - Achamos um endereço da Melissa Hustin, um imóvel que comprou a alguns meses - disse Jesse entrando na sala e olhou rapidamente para mim. - o marido disse que se ela estivesse se escondendo, poderia estar lá. - Certo, vamos. - ordenou Haward.
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