Caso Parker

1855 Words
A inteligência tinha se tornado uma família para mim. E estava em meio a uma discussão, eu só queria salvar meu melhor amigo e, parecia que não se importavam nem um pouco. Eu já tinha apelado para o emocional deles, para esconder a minha preocupação e irritação com todos eles. Estava decidida, ou eles me ajudavam, ou eu iria sozinha, nem que custasse minha vida. Olhei Jesse com um olhar piedoso e ele não me olhava. - É O PARKER - gritei e todos me encararam. - Tem noção que está arriscando seu emprego? - falou Jessica séria e eu a olhei impressionada. - É isso que tudo isso aqui é para você? Um emprego? - me aproximei dela. Ela me olhou assustada. - Alice… - a interrompi. - Alice não detetive Fitz. Parker é meu melhor amigo, não um mero colega de trabalho e se para salvar ele precisarei perder meu posto aqui, eu farei isto. Sei que você não faria, mas eu faria por qualquer um - falei encarando Jessica. - com ou sem vocês. - Todos queremos salvar ele - disse Jesse e eu passei a mão no rosto. - Querem? Ninguém cogitou fazer o que pediram. - Alice estamos falando de roubo majorado com inúmeras qualificadoras - bufou Jesse. - Sem falar que estamos falando da nossa carreira. - falou Jessica. - E eu estou falando da vida do Parker. E você Jessica, devia lembrar como se tornou tão boa no que faz. Que se fodam, eu irei salvar ele! Sai dando um encontro do meu ombro no da Jessica e entrei no carro. Dei alguns socos no volante, deixei as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, Parker era a única pessoa que eu tinha nessa cidade, era meu melhor amigo, era como um irmão, não poderia perder ele. *Ligação On* Alô? - tentei responder com a voz firme. Alice… - era May, estava chorando. May se acalma, eu… - ela me interrompeu. Eu preciso saber, ele tá bem? - Algumas lágrimas escorreram. Eu não sei. May eu sinto muito, mas prometo que vou levá-lo em segurança. Alice ele é tudo que eu tenho… - suspirou. Eu sei. Preciso desligar. Tudo bem, tome cuidado. *Ligação Off* Tive a ideia mais i****a que poderia ter, mas era minha única opção e se fosse um fracasso, seria presa, responderia um processo criminal, administrativo e ainda perderia meu distintivo com certeza para sempre. De uma forma que possivelmente, nem Shaw conseguiria me livrar desta, o que me deu a ideia de pedir ajuda. Sequei as lágrimas e respirei fundo. Vamos lá Alice, fazer uma loucura. Estava dando ré no carro quando freei bruscamente, pois Jesse e Matthew estavam atrás. - Onde pensa que vai? - perguntou Matthew entrando no meu carro acompanhado do Jesse. - Qual o plano? - perguntou Jesse. - Vocês vão se arrepender - rimos. - mas eu vou ficar devendo pelo resto da minha vida. - Vou cobrar - disse Matthew. Dei partida no carro. - Aonde vamos? - Encontrar um velho amigo meu. Depois de algumas horas chegamos na casa do Shaw. Descemos do carro e eu toquei a campainha da casa, Jesse e Matthew observavam tudo sem entender e com curiosidade, enquanto eu agia como se fizesse isso sempre. - Alice? - disse ele sorrindo. - Preciso de ajuda - esbocei um sorriso e ele assentiu. - Quem são? - encarou Jesse e Matthew. - Você pode confiar neles, dou minha palavra. Você já conhece Matthew e Jesse. - Prazer - disse Jesse debochado e eu ri. - Entrem - ele deu espaço e nós entramos. - Sua esposa não está? - Não, está na casa da mãe dela - sorriu. - Você sempre acerta a hora boa - rimos - Mas então, o que está planejando? - perguntou Shaw. - Um amigo nosso foi levado - disse Jesse. - Quem e quem o levou? - Uns traficantes Eslováquios, um navio atracou no Porto com uma carga enorme deles umas semanas atrás. Houve um homicídio e nós ficamos com o caso, mas eles estavam mais preparados do que imaginamos e levaram Parker - Shaw me olhou e assentiu. - Fizeram contato por chamada de vídeo, Parker está muito ferido e só temos até o amanhecer para roubar a carga do depósito do departamento da narcóticos. - Sabe que isso é impossível - disse Shaw e eu sorri. - Lembra de México? - ele me encarou um pouco surpresa. - O que aconteceu no México? - perguntou Matthew. - Algo que não deveriam saber - disse Shaw. - Mas se vamos fazer isso, vamos ter que planejar o mais rápido possível. - Só que tem uma parte a mais no plano, muito mais além do que fizemos lá. - O que? - perguntou Shaw. - Quando fizermos a troca do Parker pelas drogas, iremos prende-los. - Sabe que isso arrisca a vida do Parker? - disse Jesse. - Não arriscaria, sei do que está falando - disse Shaw. - Bom, vamos nos preparar. O acompanhamos até a garagem, ele digitou uma senha e uma parede falsa sumiu, dando espaço para um armário bem equipado, sejam com armas, roupas, tecnologia avançada. Começamos a nos equipar, coletes, óculos de visão noturna, a**a para o coldre da cintura, a**a de tiro longo, cordas, cintos de resgate e etc. - Como vocês não sabem o que aconteceu no México - encarou Jesse e Matthew. - Vamos em duplas, Matthew comigo e Jesse com Alice, é imprescindível que os dois façam o que eu e Alice dissermos. - Certo - concordou Matthew. - Lembrem, o que vamos fazer vai ficar em segredo e nunca iremos falar sobre. Nem mesmo ao Parker. - Vamos lá - disse Shaw. Pegamos as mochilas e rádio comunicador que poderíamos nos comunicar entre nós sem ninguém saber. Jesse e eu entramos no meu carro, ele me olhava de vez em quando, queria perguntar porque estava arriscando tudo, era a carreira do sonho dele, o que ele mais amava fazer. - Você tá bem? - perguntou e ele me encarou. Aqueles olhos dele eram minha perdição, eram os olhos mais lindos e profundos que já tinha visto, apesar da guerra e dos traumas ele ainda estava vivo, não de forma corpórea, mas sua alma ainda era tão viva e radiante. Diferente de mim, que deixou de desacreditar em tudo, estou aqui cometendo uma loucura porque a única coisa que me restou foi o Parker, meu melhor amigo. Único amigo. Depois da minha irmã, meu pai evitou mais ainda contato comigo. Já fazia tantos anos que era somente eu contra o mundo, meu sonho de carreira tomou tudo de mim, amigos, família, memórias, sentimentos, tudo. Jesse mexia comigo, ele tinha um olhar dominante sobre mim. - Estou, só que… - ele pausou. - Você costuma seguir as regras, tendência a fazer o certo e nunca o errado. - Sim - ele suspirou e se ajeitou no banco. - Eu sei como é, acredite se quiser quando estava no exército eu cumpria as regras à risca. - Você não fala muito sobre - ele me encarou. - Nem pretendo - ri. - mas saiba que está tudo bem se não quiser fazer isto também. - Eu quero, só preciso me acostumar. - Vai dar tudo certo. - Você nunca fez terapia? - perguntou e eu o encarei incrédula. - Digo, pelo que passou quando era nova. - Não quero falar sobre isso. Quando chegamos no depósito, conseguimos passar com minha identificação, entramos no prédio e estava quase vazio. Subimos as escadas laterais por fora até o telhado, puxei a planta do prédio para ver onde ficava exatamente a sala da apreensão. - Tem um duto de ar, dá para ir por aqui - apontei no mapa. - Temos que ser rápidos, então nos escutem - disse Shaw. - Como vamos levar tudo? - perguntou Jesse e eu encarei Shaw com um sorriso. - Vamos ter que fazer rápido, eu e você descemos, Shaw vai puxar a carga pelas bolsas e Matthew irá transportar para fora do duto. - Mas e as câmeras? - perguntou Matthew. - Dispositivos que vão causar interferência nas câmeras e sons da sala, assim que eu ativar - respondeu Shaw. - Vamos - falei. Descemos até a sala, enchemos as bolsas e as subimos, retornamos para cima e fomos para o carro, tudo estava indo bem, bem até demais. Fomos para o local combinado para troca, Shaw tinha chamado uns amigos que o deviam favor. - Chegou na hora - disse um dos contrabandistas. - Cadê ele? - perguntei e o outro apareceu puxando Parker que estava acabado. - Parker. - Vamos fazer essa troca logo. - Pessoal tragam a carga - falei para Jesse e Matthew. - Larga no meio e quando eu me aproximar vamos soltar ele. - Certo, como quiserem - respondi. Peguei duas bolsas e larguei onde ele tinha indicado, fiz outras viagens para carregar aquelas bolsas. Voltei para perto do meu carro, os dois se aproximaram e pegaram a carga, empurraram Parker que m*l conseguia parar em pé sozinho. Corri até ele e o ajudei a ir até o carro. - Abaixa - gritou Shaw e eu me joguei com Parker no chão. - Alice vem - gritou Jesse atrás do meu carro. Tinha disparos para todos lados. - Parker vai - o ajudei a se arrastar até Jesse. - Ah - gritei quando um dos tiros acertou meu braço. Era doloroso. - Alice! - gritou Jesse, mas tudo que eu via era o céu estrelado. Acordei no hospital, demorei a me acostumar com as luzes, eram fortes e minha cabeça ainda girava um pouco, acho que era por conta de analgésicos. Meu braço onde havia tomado o tiro estava enfaixado, não doía quase nada praticamente, me levantei e vi Jesse e Shaw dormindo no sofá, peguei meu travesseiro e joguei neles que acordaram num pulo. - Eu tomei um tiro e vocês dormem - falei sorrindo e eles sorriram. - Como você tá? - perguntou Jesse. - Estou bem, já passei por coisas bem piores - sorri. - E o Parker? - Está bem, estava com alguns hematomas e desidratado apenas, vai ficar um ou dois dias em observação - respondeu Jesse. - E os traficantes? - Presos com a Interpol, acredite eles agradeceram nosso trabalho e disseram que se fosse em outras circunstâncias, tinham nos prendidos juntos - disse Shaw - Eu realmente não duvido - respondi sorrindo. - Eu vou indo, se cuida Alice - disse Shaw dando um beijo na minha testa e encarou Jesse. - Prazer mais uma vez trabalhar com você, agora sei que posso confiar em você - eles apertaram as mãos. - Prazer - disse Jesse e Shaw saiu. - Obrigado Jesse - falei sorrindo e ele assentiu. - Parker também é meu amigo - sorriu. - Preciso ir pro trabalho, vou avisar que você e Parker não vão. - Certo, assim que me darem alta passo lá. - Alice… - o interrompi. - Stockler lembra que sou sua chefe. - Tudo bem. •••
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD