A inteligência tinha se tornado uma família para mim. E estava em meio a uma discussão, eu só queria salvar meu melhor amigo e, parecia que não se importavam nem um pouco.
Eu já tinha apelado para o emocional deles, para esconder a minha preocupação e irritação com todos eles. Estava decidida, ou eles me ajudavam, ou eu iria sozinha, nem que custasse minha vida. Olhei Jesse com um olhar piedoso e ele não me olhava.
- É O PARKER - gritei e todos me encararam.
- Tem noção que está arriscando seu emprego? - falou Jessica séria e eu a olhei impressionada.
- É isso que tudo isso aqui é para você? Um emprego? - me aproximei dela. Ela me olhou assustada.
- Alice… - a interrompi.
- Alice não detetive Fitz. Parker é meu melhor amigo, não um mero colega de trabalho e se para salvar ele precisarei perder meu posto aqui, eu farei isto. Sei que você não faria, mas eu faria por qualquer um - falei encarando Jessica. - com ou sem vocês.
- Todos queremos salvar ele - disse Jesse e eu passei a mão no rosto.
- Querem? Ninguém cogitou fazer o que pediram.
- Alice estamos falando de roubo majorado com inúmeras qualificadoras - bufou Jesse.
- Sem falar que estamos falando da nossa carreira. - falou Jessica.
- E eu estou falando da vida do Parker. E você Jessica, devia lembrar como se tornou tão boa no que faz. Que se fodam, eu irei salvar ele!
Sai dando um encontro do meu ombro no da Jessica e entrei no carro. Dei alguns socos no volante, deixei as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, Parker era a única pessoa que eu tinha nessa cidade, era meu melhor amigo, era como um irmão, não poderia perder ele.
*Ligação On*
Alô? - tentei responder com a voz firme.
Alice… - era May, estava chorando.
May se acalma, eu… - ela me interrompeu.
Eu preciso saber, ele tá bem? - Algumas lágrimas escorreram.
Eu não sei. May eu sinto muito, mas prometo que vou levá-lo em segurança.
Alice ele é tudo que eu tenho… - suspirou.
Eu sei. Preciso desligar.
Tudo bem, tome cuidado.
*Ligação Off*
Tive a ideia mais i****a que poderia ter, mas era minha única opção e se fosse um fracasso, seria presa, responderia um processo criminal, administrativo e ainda perderia meu distintivo com certeza para sempre. De uma forma que possivelmente, nem Shaw conseguiria me livrar desta, o que me deu a ideia de pedir ajuda.
Sequei as lágrimas e respirei fundo. Vamos lá Alice, fazer uma loucura. Estava dando ré no carro quando freei bruscamente, pois Jesse e Matthew estavam atrás.
- Onde pensa que vai? - perguntou Matthew entrando no meu carro acompanhado do Jesse.
- Qual o plano? - perguntou Jesse.
- Vocês vão se arrepender - rimos. - mas eu vou ficar devendo pelo resto da minha vida.
- Vou cobrar - disse Matthew. Dei partida no carro.
- Aonde vamos?
- Encontrar um velho amigo meu.
Depois de algumas horas chegamos na casa do Shaw. Descemos do carro e eu toquei a campainha da casa, Jesse e Matthew observavam tudo sem entender e com curiosidade, enquanto eu agia como se fizesse isso sempre.
- Alice? - disse ele sorrindo.
- Preciso de ajuda - esbocei um sorriso e ele assentiu.
- Quem são? - encarou Jesse e Matthew.
- Você pode confiar neles, dou minha palavra. Você já conhece Matthew e Jesse.
- Prazer - disse Jesse debochado e eu ri.
- Entrem - ele deu espaço e nós entramos.
- Sua esposa não está?
- Não, está na casa da mãe dela - sorriu. - Você sempre acerta a hora boa - rimos
- Mas então, o que está planejando? - perguntou Shaw.
- Um amigo nosso foi levado - disse Jesse.
- Quem e quem o levou?
- Uns traficantes Eslováquios, um navio atracou no Porto com uma carga enorme deles umas semanas atrás. Houve um homicídio e nós ficamos com o caso, mas eles estavam mais preparados do que imaginamos e levaram Parker - Shaw me olhou e assentiu. - Fizeram contato por chamada de vídeo, Parker está muito ferido e só temos até o amanhecer para roubar a carga do depósito do departamento da narcóticos.
- Sabe que isso é impossível - disse Shaw e eu sorri.
- Lembra de México? - ele me encarou um pouco surpresa.
- O que aconteceu no México? - perguntou Matthew.
- Algo que não deveriam saber - disse Shaw. - Mas se vamos fazer isso, vamos ter que planejar o mais rápido possível.
- Só que tem uma parte a mais no plano, muito mais além do que fizemos lá.
- O que? - perguntou Shaw.
- Quando fizermos a troca do Parker pelas drogas, iremos prende-los.
- Sabe que isso arrisca a vida do Parker? - disse Jesse.
- Não arriscaria, sei do que está falando - disse Shaw. - Bom, vamos nos preparar.
O acompanhamos até a garagem, ele digitou uma senha e uma parede falsa sumiu, dando espaço para um armário bem equipado, sejam com armas, roupas, tecnologia avançada. Começamos a nos equipar, coletes, óculos de visão noturna, a**a para o coldre da cintura, a**a de tiro longo, cordas, cintos de resgate e etc.
- Como vocês não sabem o que aconteceu no México - encarou Jesse e Matthew. - Vamos em duplas, Matthew comigo e Jesse com Alice, é imprescindível que os dois façam o que eu e Alice dissermos.
- Certo - concordou Matthew.
- Lembrem, o que vamos fazer vai ficar em segredo e nunca iremos falar sobre. Nem mesmo ao Parker.
- Vamos lá - disse Shaw.
Pegamos as mochilas e rádio comunicador que poderíamos nos comunicar entre nós sem ninguém saber. Jesse e eu entramos no meu carro, ele me olhava de vez em quando, queria perguntar porque estava arriscando tudo, era a carreira do sonho dele, o que ele mais amava fazer.
- Você tá bem? - perguntou e ele me encarou.
Aqueles olhos dele eram minha perdição, eram os olhos mais lindos e profundos que já tinha visto, apesar da guerra e dos traumas ele ainda estava vivo, não de forma corpórea, mas sua alma ainda era tão viva e radiante. Diferente de mim, que deixou de desacreditar em tudo, estou aqui cometendo uma loucura porque a única coisa que me restou foi o Parker, meu melhor amigo. Único amigo. Depois da minha irmã, meu pai evitou mais ainda contato comigo.
Já fazia tantos anos que era somente eu contra o mundo, meu sonho de carreira tomou tudo de mim, amigos, família, memórias, sentimentos, tudo. Jesse mexia comigo, ele tinha um olhar dominante sobre mim.
- Estou, só que… - ele pausou.
- Você costuma seguir as regras, tendência a fazer o certo e nunca o errado.
- Sim - ele suspirou e se ajeitou no banco.
- Eu sei como é, acredite se quiser quando estava no exército eu cumpria as regras à risca.
- Você não fala muito sobre - ele me encarou.
- Nem pretendo - ri. - mas saiba que está tudo bem se não quiser fazer isto também.
- Eu quero, só preciso me acostumar.
- Vai dar tudo certo.
- Você nunca fez terapia? - perguntou e eu o encarei incrédula. - Digo, pelo que passou quando era nova.
- Não quero falar sobre isso.
Quando chegamos no depósito, conseguimos passar com minha identificação, entramos no prédio e estava quase vazio. Subimos as escadas laterais por fora até o telhado, puxei a planta do prédio para ver onde ficava exatamente a sala da apreensão.
- Tem um duto de ar, dá para ir por aqui - apontei no mapa.
- Temos que ser rápidos, então nos escutem - disse Shaw.
- Como vamos levar tudo? - perguntou Jesse e eu encarei Shaw com um sorriso.
- Vamos ter que fazer rápido, eu e você descemos, Shaw vai puxar a carga pelas bolsas e Matthew irá transportar para fora do duto.
- Mas e as câmeras? - perguntou Matthew.
- Dispositivos que vão causar interferência nas câmeras e sons da sala, assim que eu ativar - respondeu Shaw.
- Vamos - falei.
Descemos até a sala, enchemos as bolsas e as subimos, retornamos para cima e fomos para o carro, tudo estava indo bem, bem até demais. Fomos para o local combinado para troca, Shaw tinha chamado uns amigos que o deviam favor.
- Chegou na hora - disse um dos contrabandistas.
- Cadê ele? - perguntei e o outro apareceu puxando Parker que estava acabado. - Parker.
- Vamos fazer essa troca logo.
- Pessoal tragam a carga - falei para Jesse e Matthew.
- Larga no meio e quando eu me aproximar vamos soltar ele.
- Certo, como quiserem - respondi.
Peguei duas bolsas e larguei onde ele tinha indicado, fiz outras viagens para carregar aquelas bolsas. Voltei para perto do meu carro, os dois se aproximaram e pegaram a carga, empurraram Parker que m*l conseguia parar em pé sozinho. Corri até ele e o ajudei a ir até o carro.
- Abaixa - gritou Shaw e eu me joguei com Parker no chão.
- Alice vem - gritou Jesse atrás do meu carro. Tinha disparos para todos lados.
- Parker vai - o ajudei a se arrastar até Jesse.
- Ah - gritei quando um dos tiros acertou meu braço. Era doloroso.
- Alice! - gritou Jesse, mas tudo que eu via era o céu estrelado.
Acordei no hospital, demorei a me acostumar com as luzes, eram fortes e minha cabeça ainda girava um pouco, acho que era por conta de analgésicos. Meu braço onde havia tomado o tiro estava enfaixado, não doía quase nada praticamente, me levantei e vi Jesse e Shaw dormindo no sofá, peguei meu travesseiro e joguei neles que acordaram num pulo.
- Eu tomei um tiro e vocês dormem - falei sorrindo e eles sorriram.
- Como você tá? - perguntou Jesse.
- Estou bem, já passei por coisas bem piores - sorri. - E o Parker?
- Está bem, estava com alguns hematomas e desidratado apenas, vai ficar um ou dois dias em observação - respondeu Jesse.
- E os traficantes?
- Presos com a Interpol, acredite eles agradeceram nosso trabalho e disseram que se fosse em outras circunstâncias, tinham nos prendidos juntos - disse Shaw
- Eu realmente não duvido - respondi sorrindo.
- Eu vou indo, se cuida Alice - disse Shaw dando um beijo na minha testa e encarou Jesse. - Prazer mais uma vez trabalhar com você, agora sei que posso confiar em você - eles apertaram as mãos.
- Prazer - disse Jesse e Shaw saiu.
- Obrigado Jesse - falei sorrindo e ele assentiu.
- Parker também é meu amigo - sorriu. - Preciso ir pro trabalho, vou avisar que você e Parker não vão.
- Certo, assim que me darem alta passo lá.
- Alice… - o interrompi.
- Stockler lembra que sou sua chefe.
- Tudo bem.
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