Uma semana tinha se passado desde que deixei Genk plantado no restaurante, porém, o vi uma ou duas vezes no departamento e não trocamos nem ao menos um olhar. Jessica tinha melhorado muito e estava se tornando uma das minhas melhores detetives.
Ainda era estranho lembrar quem Jesse foi para mim e ver ele todos os dias no trabalho, sei que parece óbvio. “Vai lá Alice, conta para ele”. Mas o que vivemos foi no passado, e pelo visto ele se recusa a se lembrar, ou, ele se lembra e não contou nada, como também ama outra pessoa.
Estávamos lidando com um caso r**m, mas que estava ocorrendo com muita mais frequência na cidade. Todos pareciam empenhados e queria ver o nosso criminoso preso pagando pelas coisas horrendas que fez.
Jared Flytch era o homem que assassinava mulheres e depois abusava delas. Alguns agentes do FBI, que foram meus colegas, estavam trabalhando em conjunto conosco, depois de eu ter feito o impossível para não tirarem o caso de nós.
- O que vamos fazer, temos provas o suficiente para prendê-lo - disse Matthew. Estávamos em um círculo verificando nossas provas no quadro, mas faltava o mais importante, a confissão dele.
- Não temos como prendê-lo. São apenas supostas provas o que temos, nada que confirme que ele realmente atacou as vítimas - resmunguei dando um soco na mesa. Queria prendê-lo tanto quanto todos naquela sala. - Além do mais, precisamos conseguir pegar ele. Ele foge a ano de todos.
- Comandante Hank, eu sei que quer uma confirmação. Temos que trazer e interrogar ele, faremos ele confessar - disse o agente Harry.
- Harry acha que ele vai confessar? Ele faz isso a anos, porque é bom no que faz, não deixa rastros - disse me sentando na mesa.
- Podemos armar uma emboscada ou… - interrompi Jesse.
- Fazer com que ele pegue uma vítima, no padrão dele, o fazendo achar que está no controle - falei e todos me encararam.
- Onde arrumamos uma pessoa que seja o padrão das vítimas dele, disposta a se arriscar dessa forma? - perguntou Harry e meus detetives me encararam. Sabiam a resposta, mas Jesse foi o único corajoso a se manifestar.
- Não vai fazer isso, é arriscado - disse me encarando.
- Eu sou o padrão dele. Quando o trouxemos como apenas suspeito, ele vai vir atrás de mim - disse e continuavam me olhando.
- Tem certeza? - perguntou o outro agente do FBI, Alisson.
- Sim, Jeff quero uma escuta indetectável - ele apenas assentiu e saiu. - Vamos continuar buscando pistas e sairei para almoçar fora, dar oportunidade dele me pegar.
Todos saíram e eu fui para minha mesa, tanto os detetives como os agentes me olhavam rapidamente. Pareciam questionar minha decisão, mas até eu questionava e tinha que confiar neles, que chegariam a tempo.
Sai para o almoço assim que Jeff colocou a escuta no botão da minha blusa. Fui até a lanchonete que sempre comprava algo, pedi o almoço e saí, não saberia explicar a sensação, mas lá estava Flytch, estava sem distintivo, sem a**a ou colete. Quando resolvi correr, um medo percorreu todo meu corpo, me sentia tão vulnerável. Flytch me apagou com um cheiro forte em um pano que colocou no meu rosto.
- Alice acorda - sussurrou Jesse que segurava minha cabeça em suas mãos. Involuntariamente eu sorri. - Alice?
- Hum - resmunguei. Meus olhos ardiam. - o que aconteceu?
- Deu certo, conseguimos pegar a confissão do Flytch. Pegamos ele. - disse animado e eu me levantei com a ajuda dele.
- Eu fiquei apagada todo esse tempo? - perguntei enquanto via a perícia pegando provas no local. Era um sótão de uma casa, fora da cidade.
- Sim, mas também não demoramos muito. Ele veio o caminho inteiro falando sobre as vítimas, detalhes que ninguém poderia saber. - disse sorrindo e eu retribui.
- Alice você tá bem? - perguntou Parker se aproximando e Jesse se afastou.
- Estou - sorri e ele me deu um abraço breve.
Estava de pijama bebendo vinho e assistindo filme quando a campainha tocou. O dia tinha sido cansativo com o caso do e********r e serial killer, ainda sentia minha pele fria e estava com algumas marcas.
- Jesse, o que faz aqui? - perguntei assim que abri a porta.
- Queria saber como estava. - ele ficou tímido e coçou a nuca.
- Pode entrar. - dei espaço para ele passar. - Quer uma cerveja ou um vinho?
- Cerveja. - rimos.
- Aqui. - o entreguei a cerveja. - Tivemos um dia longo, pensei que estaria bebendo ou em casa assistindo futebol.
- Como sabe tudo isso? - o encarei. - Sempre sabe o que costumamos fazer, quem somos. Não te aceitamos muito bem e julgamos muito a forma que trabalha, mas mesmo assim acreditou em nós.
- Eu sou muito observadora. - me sentei no sofá novamente e ele sentou ao meu lado. - Parece bobagem, mas observo todos e até os olhares. As pessoas são mais transparentes do que percebem.
- O que fazia antes? Não parece que foi militar, é tão eficiente e perturbadoramente tranquila, com qualquer coisa que faça ou assiste - eu ri.
- Erro seu - sorri e ele me encarou - Cinco anos sendo SEO e como sabe, minha patente é comandante, as pessoas me julgavam por ser a mais nova. Depois, passei três anos como agente da Cia e dois no FBI. - ele me encarou. - Ninguém sabe então por favor não conte.
- Tudo bem. Foi para você como é o Afeganistão para nós?
- Sinceramente, eu já estive no Afeganistão, e não se compara. - sorriu.
- Agora entendi porque fez o que fez hoje. Foi loucura, mas resolveu o caso.
- Eu fui porque não me perdoaria se mandasse Jessica e algo acontecesse com ela. - forcei um sorriso. - Faz quanto tempo que terminaram?
- Um dia antes de pegar o caso do Olsen, acho que você já sabia. Descobrimos que somos apenas parceiros e só. Porque não interferiu se sabia?
- Porque não estava interferindo no trabalho. Sei que é p******o, mas enquanto não interferia, não tinha porque falar alguma coisa. - sorri.
- Bom vou indo. Te vejo amanhã?
- Claro. Pronta para outra. - rimos e eu o acompanhei até a porta.
- E chefe, desculpa ter passado dos limites hoje - apenas assenti com a cabeça e sorri.
- Tudo bem Stockler, sei que só temia que algo r**m acontecesse.
- É.
- Só nunca mais questione novamente, todos vocês tem uma carreira incrível pela frente e se ficarem me questionando, na frente das pessoas, terei que por uma advertência na ficha de vocês e eu não quero isso.
- Porque nos ajuda tanto?
- Você já sabe muito sobre mim, boa noite Jesse - ele riu e assentiu.
- Até amanhã - ele sorriu e saiu.
Fechei a porta e apaguei as luzes, me deitei e não conseguia pregar os olhos. Apenas conseguia pensar no Jesse, como era bom ter uma conversa tranquila e suave, acolhedora, me sentia, de uma forma estranha, feliz por ele se importar comigo.