Capítulo 03

1920 Words
Larissa narrando Três anos se passaram desde que eu perdi meu pai e quanta coisa mudou… As vezes sento aqui no alto do Borel e fico pensando na minha vida, nas minhas coisas, na minha realidade atual, faltam 2 meses pra eu completar 18 anos, e eu ainda fico chocada com tamanha crueldade de tudo o que eu descobri. Meu pai tem uma empresa com meu tio, essa empresa rende MUITO dinheiro, muito mesmo, não é coisa pequena não. Eu descobri que nós vivíamos uma vida muito confortável porque meu pai nunca foi focado em ostentação, ele sempre quis família, casar, ter filhos, casa cheia. Mas quando eu nasci e minha mãe achou que ele tinha apenas uma vida comum, e confortavel e foi embora nos deixando pra trás, ele nunca mas quis casar, nunca mais quis esse sonho de família grande. Ele viveu por mim, e quando ele se foi ele deixou um patrimônio fora do comum pra mim. O meu salário é gigante, eu deixo tudo com a dona Zefa, ela nos mantém como acha melhor, fico apenas com uma quantia para gastos pessoais mesmo, não gosto de perturbar ela. Morar com a minha mãe não deu certo, eu não queria, mas a dona Zefa insistiu que eu pelo menos tentasse, mas foi impossível. Que mulher sebosa, porca, vivia de me humilhar, de querer que eu desse um jeito de pegar minha herança, me infernizando voltando bebada do baile, cheia de amiga bebendo, fazendo churrasco, me diminuindo por não querer participar das coisas dela, por não entrar na onda dela, por não ir atrás do advogado, até dar pro advogado ele tentou, ela destruiu o casamento do advogado, ela acha que eu não sei, mas ela tá fazendo um inferno o por conta dessa herança que hoje, sinceramente, eu tenho até medo de receber, eu tenho até medo do que ela é capaz de fazer comigo quando eu colocar as mãos nesse dinheiro, quando eu assumir a minha posição na empresa, porque eu tenho direito, e eu já conversei com a dona Zefa, eu vou vender todas as casas, comprar uma em outro estado e seguir minha vida longe disso, e a dona Zefa e seu José, seu esposo vão comigo. Eu amo morar no Borel, não posso negar, que se não fosse pela minha mãe esse lugar seria maravilhoso. As pessoas são animadas, receptivas, até os cria brincam e conversam comigo, dão até em cima de mim como sempre, e eu não ligo, desconverso e saio do assunto, porque eu sei dos podres de todos eles, sei de quem cada um pega, chega ser até engraçado as coisas que eles me contam, por um lado é como se eu sempre tivesse morado aqui, eu me sinto muito bem, muito feliz aqui. Confesso que o maior choque de realidade foi quando eu descobri porque a minha mãe morava naquela casa imensa, naquele luxo todo, como ela ostentava tanto, ela era fiel do dono do morro, só que o engraçado é que ninguém do morro gosta dela, nem os cria, todos tem nojo dela, e eu não julgo, porque até eu tenho, ela não fala com ninguém, passa numa arrogância que nem mesmo comigo ela fala na rua, só quando quer insistir na mesma briga de sempre. Eu que faço o jumbo do preso pra ela levar, porque ela mesmo não sabe fritar um ovo, e eu sou obrigada a fazer tudo porque ela fica me ameacando, fica falando que vai tomar minha guarda da dona Zefa porque ela tem direito, e na real, eu faço de tudo pra me livrar rápido dela, então eu faço todas as comidas, arrumo tudo bonitinho conforme permitido só pra ela pegar e sumir da nossa vista. Meu tio eu nunca mais vi, só que nos últimos seis meses ele tá me infernizando pra eu me emancipar, pra eu passar tudo pra ele logo, que o filho dele precisa assumir, e que a parte dele tá presa também por minha causa, um inferno sem tamanho que esses dois fazem na minha cabeça. O meu tio pinta o filho dele como um grandíssimo empresário, m*l sabe ele que o filho dele vive aqui no Borel caído pelas vielas cheio de droga na mente, eu nunca deixei ele me ver porque ele é outro que vai querer me infernizar, a filha do meu tio virou marmita de bandido, os crias que me contou que ela estava sentando pra um frente de uma favela aqui de perto, eu nem quis me aprofundar não, eu evito o máximo. Corro deles não por medo, mas porque se é algo que eu só posso lidar com 18 anos assim será e ponto, não aceito ninguém me infernizando pra nada. Eu precisava reconstruir a minha vida, tinha escola, vestibular, um monte de coisa pra fazer do que me preocupar com surtos da minha mãe e do meu tio. Eu comecei a fazer quentinha pra vender com a dona Zefa, abrimos um restaurante mas não deu certo por conta da minha mãe, estávamos no começo e ela queria comer na conta todo dia, conta de quem ? Justamente, minha. Sendo que ela tinha vergonha até mesmo das pessoas descobrirem que eu sou sua filha, ninguém podia saber, são poucas pessoas que sabem, só os meus amigos da boca mesmo e o sub do dono daqui. O Dino só come a nossa comida, todo santo dia, na real, todos os moleques da boca, são os nossos maiores clientes, pagam certinho por semana, um ou outro que tem dor de cabeça, mas eles fazem o nosso mês. Eu me formo semana que vem, e passei no vestibular pra direito, só que eu vou fazer duas faculdades juntas, a dona Zefa já falou que eu sou doida, mas se eu desse conta ia fazer até três, porque eu quero ser uma empresária tão boa quanto eu descobri que o meu pai era, eu ainda vou ser o orgulho dele, ele pode ter certeza disso — fala minha boneca — o Dino chega do meu lado e eu estava sentada no alto do Borel vendo a vista Já era noite, hoje tinha baile, eu já tinha deixado tudo preparado pra fazer o jumbo do guerreiro, mas vim relaxar um pouco a mente, a correria do dia a dia é grande, e eu dou graças a Deus por isso, mas tem hora que o medo do futuro bate e eu não consigo encarar. — Oi Dino, qual o k.o que tu arrumou hoje ? — eu pergunto porque como ele diz, ele é o rei delas e é mesmo, cachorro toda vida — boneca tu não viu as p**a saindo na mão na praça não ? — ele fala rindo e me mostra o vídeo — e tu acha isso lindo né ? Tu é mais sem vergonha que elas — eu falo e ele me entrega um lanche de carrocinha que eu amo — sabia que eu tava aqui ? — eu pergunto devorando o lanche e ele concorda — Zefa falou, fui lá acertar a semana dos cria — ele fala e morde um pedaço do meu lanche e eu mordo o braço dele — aí trouxa, minhas mulher vai ver po — ele fala rindo e eu não aguento — quase dezoito em — ele fala e eu suspiro pesado Ninguém sabe da responsabilidade que eu vou ter que assumir depois do meu aniversário, eu nem fico comentando não, ninguém tem que se preocupar com os meus problemas os problemas são meus. — pelo menos no teu aniversário tu vai no baile comigo, prometo pagar tudo fechar um camarote pra tu, mas tem uma condição — ele fala e eu já sei a condição dele — amizade comigo não tem né, tá doido pra comer a minha amiga — eu falo com ele que gargalha e o celular dele toca — visão patrão — ele atende roubando mais um pedaço do meu lanche e eu encho ele de tapas Ele é doido pra comer a filha da dona Zefa, doido, mas ela é da igreja, professora, quase formada, toda certinha, nunca deu confiança pra ele, e por incrível a única amiga que eu fiz aqui, mais um motivo de piada com a minha mãe, porque ela não aceita que eu não quero uma realidade como a dela e que eu tô muito bem assim. — k.o patrão, papo reto mesmo, não, jae jae — ele fala todo empolgado e eu só queria saber do meu lanche tava bom demais — jae tá no esquema, valeu — ele fala e desliga pulando em cima de mim, se jogando e eu entalo com o cachorro quente, quase não completo dezoito anos — c*****o boneca, amanhã o patrão tá aí de volta, p***a boneca, nem acredito nisso, agora o p*u vai torar, c*****o boneca — ele começou a me balançar feliz da vida — isso significa que eu não preciso ir pra cozinha hoje ? — eu pergunto e ele concorda aí sim eu comemoro — tu vai no baile comigo amanhã né ? Comemoração do retorno do homem po — ele fala e eu n**o na hora — c*****o namoral tu é muito chata p**a merda — ele fala bagunçando o meu cabelo — amanhã é dia dele comemorar com a minha mãe, e eu tô fora — eu falo com ele que n**a — tu vai ver o estrago que ele é, aí tu vai ver loira ficar morena de novo — ele sempre fala isso porque ele diz que o cabelo da minha mãe é igual de Barbie de criança que molha é o cabelo apodrece — eu vou embora que já que não tem jumbo eu vou na igreja — eu falo com ele que desce comigo ainda enchendo o saco pra eu ir pro baile amanhã Eu nunca fui, não gosto porque minha mãe é um inferno e eu tenho maior vergonha da forma como ela se comporta Fui pra casa e eu até ia pra igreja mas eu acabei tomando banho e pagando, estava muito cansada e aliviada que não ia ter jumbo pra fazer. Acordei já era de manhã com um monte de mensagem da minha mãe me cobrando as coisas do guerreiro pra ela levar e não entendi nada e já liguei pro Dino pra entender — boneca, fala nada com ela não, fica na tua Jae ? Depois nós desenrola essa fita aí, é mais tarde tu vai tomar uma comigo nem que eu te enfie goela abaixo, tenho uma fofocona pra te contar, mas só se tu prometer tomar uma comigo — ele fica me perturbando já cedo e eu corri pra ir no mercado Tomei um café com a dona Zefa e seu José, a Bruna já tinha saído pra faculdade e eu fui no mercado, levei um tempão lá fazendo tudo o que precisava até que quando estava subindo ouvi muitos fogos, achei que fosse invasão, eu estava perto da boca quando apressei um passo e só ouvi um berro do Dino — O BONECA — foi muito alto mas não rápido demais de me impedir de atropelar uma moto que vinha na direção e voar com tudo no chão Sim, fui eu que atropelei a moto. Os crias vieram tudo gritando na minha direção e eu olhei pra frente vendo um armário gigante na minha frente que eu tentava focar e aquele homem só ia ficando cada vez maior em cima de mim
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