Capítulo 06

1268 Words
Larissa narrando Minha perna doía horrores, quando eu me dei conta de que quem estava me carregando era o marido da minha mãe eu já fiquei tensa na hora, primeiro que simplesmente nesses últimos três anos ela cagou pra mim como filha, e agora estava fazendo esse escândalo a troco de que? Pra se amostrar pra ele ? Me poupe. Os crias estavam desesperados preocupados comigo, e eu só querendo sair daquela merda de hospital pra ir ajudar a tia Zefa a fazer a comida dos meninos. Meu celular já era por isso eu pedi pra avisar ela, mas os meninos brigaram até comigo porque eles nem queriam saber de comida, de nada, tava geral desesperado porque eu apaguei. Minha cabeça estava doendo sim, mas o que estava doendo de verdade era aquela queimadura horrível na minha perna, e eu não sabia se eu tinha quebrado ou se a dor era apenas da queimadura. Quando aquele homem mandou a Andressa ir pra casa fazer comida me deu uma vontade de rir, ainda mais com o comentário do i****a do Dino, que eu apesar de estar com dor eu não me aguentei caindo na risada também — aí cara tá doendo, para de rir…— eu peço a ele achando aquela cena cômica já que a Andressa não sabe fritar um ovo, e é capaz de queimar até um miojo — eu não tô entendendo p***a nenhuma, o Dino bora lá fora agora — o guerreiro chama ele e a enfermeira vem limpar a queimadura — isso vai doer tá — ela fala e antes deles sairem o guerreiro me dá maior encarada e eu ignoro a olhada dele porque eu nem conheço esse macho pra ele me encarar desse jeito eu hein — p**a merda, isso tudo é castigo por que eu não fui na igreja ontem ? Minha nossa senhora…— eu tava me contorcendo na maca enquanto ela raspava aquele ferimento e quase arrancava a minha alma junto — eu vim pra cá assim que soube — a Kelly, filha da dona Zefa chega correndo — minha mãe tá doida vindo pra cá também junto com o meu pai, o que aconteceu? — ela pergunta toda abafada ofegante como quem veio realmente correndo pra me ver — eu atropelei o dono do morro — eu falo e até a enfermeira para de tentar arrancar a minha alma me encarando — que ? Como assim ? — a Kelly pergunta confusa e eu conto tudo pra ela — meu Deus, eu ouvi os fogos também, mas como não chegou aviso nenhum eu fiquei tranquila, mesmo assim cancelamos as aulas de hoje preventivamente — ela me conta — mas como tu atropela justo ele sua doida, tua mãe deve ter surtado né ? — ela fala sabendo bem como é a peça e quando eu conto todo o rolo pra ela até ela rola de rir A Kelly não é muito de ficar nas rodinhas, não é de sair, principalmente por conta da igreja, mas ela vive nas fofocas comigo e com a mãe dela, ela também vive contando as fofocas de amante e fiel que dão até na escola, e assim como eu e a minha tia, ela também tem ranço da minha mãe — eu daria o mundo pra ver o que ela vai aprontar, porque cozinhar…— ela fala e o guerreiro entra junto com o Dino que já tenta se achegar nela todo se querendo Um cachorro esse meu amigo, e ela nem dá confiança, mas eu bem fiquei sabendo que ela tava flertando com um missionário que veio aqui pra igreja, sonsa toda vida essa daí… — aí hoje tem culto ? — o Dino pergunta pra ela que já revira os olhos me encarando — pra tu só se for de libertação dessa vida insalubre que tu leva — ela responde afiada e o guerreiro segura o riso e eu não me contenho — vai queimar assim que botar o pé na igreja — eu completo e ela tenta não rir mas nem ela se aguenta — aí p**a que pariu, isso dói demais — eu falo quando a enfermeira passa a escova na minha perna e eu vejo Jesus na cruz — qual foi vai devagar nessa p***a ai, ta vendo que ela tá com dor não ? — o guerreiro se aproxima bolado E o senhor que me perdoe, eu odeio pecar, sei que ele é marido da minha mãe, mas minha nossa senhora, esse homem deveria continuar preso e o maior pecado dele é a beleza, p***a… que homem lindo, n***o de presença mesmo, agora eu sei porque meu corpo tá todo dolorido, ele caiu em cima de mim com tudo, e desse tamanho comparado ao meu, dei sorte dele não me quebrar no meio — desculpa patrão, temos que fazer a raspagem pra garantir que ela não tenha nenhuma infecção — a enfermeira fala e nessa hora os meus tios entram doidos de preocupação comigo, e foi maior tempo até eles verem que eu estava bem, que eu não estava tãoooo machucada quanto esse povo já estava falando, o pior era os meninos do morro, eles estavam desesperados de uma forma que parecia que eu tinha morrido, tamanho alarde que eles fizeram, e tudo bem que com um armário desse caindo em cima de uma coitada como eu isso era provável, mas eu estava bem, na medida do possível, mas estava… — eu tô bem tia, relaxa, foi só um susto, na verdade a errada fui eu…— eu falo e olho pro guerreiro — me desculpa, eu nem perguntei se você se machucou— eu falo intimidada pela presença dele, mas tento não deixar transparecer — eu vou pagar o prejuízo da sua moto tá, fala com o Dino o valor que eu dou meu jeito, eu pago — eu falo com ele que n**a sério — não preciso disso, quero saber de você, inclusive sai geral do quarto — ele solta do nada e fica aquele silêncio, todos sem entender nada, principalmente eu — estão surdos ? Fora geral — ele fala grosso e o Dino bota meus tios e a Kelly pra fora, até a enfermeira foi levada pra fora da sala — qual foi irmão, deixa esse desenrolado pra depois — o Dino tenta falar com ele que só encara o Dino bolado — amigo…— eu chamo ele meio assustada quando ele ia saindo, até porque eu não sabia o que eles tinham conversado lá fora, e nem o que ele poderia querer falar comigo Será que era por eu ter atropelado ele ? Ou sobre a minha mãe ? Eu estava perdida, sem entender nada, minha garganta estava seca, e eu assustada, mas assim que o Dino negou com a cabeça e saiu, eu voltei a encarar aqueles olhos negros que pareciam de alguma forma esquentar o meu corpo, talvez pelo medo das histórias que eu já ouvi dele, ou por ele ser marido da minha mãe, ou simplesmente por ele… Mas eu mantive a pose encarando ele nos olhos com aquele silêncio que preenchia o ambiente da forma mais barulhenta possível me deixando muito desconfortável — o que você quer ? Se for sobre a moto eu já falei que eu pago — eu falo tentando parecer o mais firme possível e ele vai se aproximando de mim com passos firmes e sem quebrar o contato visual comigo me deixando ainda mais nervosa e desconfortável com a sua presença intimidadora mas que não me dava medo, era outro tipo de sensação…
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