Tavares narrando Andressa saiu do hotel sem olhar para trás, mas eu fiquei alguns segundos parado na janela da suíte, observando o reflexo dela desaparecer na rua molhada pela chuva fina da madrugada. Não havia despedida carinhosa, não havia promessa, não havia nada além do que sempre houve entre nós: interesse, necessidade e um acordo silencioso sustentado por poder. Eu não sou homem de romance, nunca fui. O que me move é controle, é domínio, é a certeza de que tudo ao meu redor gira dentro da órbita que eu determino. E Andressa sempre soube disso. Desci pelo elevador privativo, ajustando o paletó no corpo, já com a mente voltada para a empresa. Não era noite de descanso. Era noite de organização, de cálculo, de antecipação. A cidade dormia, mas eu funciono melhor quando o resto do mu

