A Patricinha

1072 Words
Era uma segunda - feira. Euge me acordou bem cedo, pois precisávamos ir para nossa falsa escola. Ah, como eu detestava acordar cedo pra fazer um belo nada. Após acordar, eu precisava de uma meia hora só pra lembrar o meu nome e Euge precisava me empurrar até o banheiro para eu fazer a minha higiene matinal e tomar banho, pois só após um belo banho pra preguiça ir embora (não totalmente). Euge esperou eu tomar banho e depois descemos para tomar café. Alguns já estavam postos à mesa e outros foram chegando aos poucos. Nos sentamos à mesa, Euge ao lado do Tato e eu sentei de frente para minha amiga e ao lado de Gastón. Pouco depois, Juan apareceu e sentou do meu outro lado, me deixando meio sem graça e sem saber o que fazer. - E aí, como está a escola? - Juan me perguntou. - Está gostando? - Aham. Está legal. - Menti. - E tem alguma matéria que você não é boa? - Hã… Português. - Ah, é minha matéria preferida, se quiser posso te ajudar. - Não precisa, ela é minha colega, eu a ajudo. - Disse Gastón se intrometendo na conversa. - Não estou falando com você, dá licença. - Voltou a se dirigir para mim. - E qual a matéria que você é melhor? - Matemática! - Sério? Que ótimo! Eu sou péssimo em exatos, você podia me ajudar, né? Merda! E agora? Como eu sairia dessa? Era verdade que eu não era boa em português (na real, eu era péssima), mas eu também não era tão boa em matemática, e eu nem sabia o que Juan estava aprendendo na escola, e se eu não soubesse ensiná-lo? Ah, e sem falar que Bernardo me mataria se soubesse que estou mais perto do Juan do que ele permite. - Ah, quem sabe… - Falei ao coçar a minha nuca, como eu fazia cada vez que estava nervosa ou mentindo. Nisso, Bernardo e Júlia apareceram e eu comecei a comer, ficando em silêncio imediatamente. Quando Nico ou Emilia não estavam por perto, todos faziam silêncio durante as refeições, inclusive Juan, Tomás e Flor, pois eles também sabiam que Bernardo e Júlia odiavam falatório durante as refeições, mas claro que com eles, os dois falavam de forma mansa e educada, por incrível que pareça. Após o café da manhã fomos para o sótão para fingirmos que estávamos na escola, e isso me dava tanto tédio, as vezes eu até dormia um pouco, assim o tempo passava mais rápido. (...) À tarde, Gastón e eu estávamos sentados em um banco no pátio quando avistei Juan entrando no abrigo, e ele estava acompanhado de uma garota, e infelizmente ela era linda. - Quem é? - Perguntei, me referindo à garota. - É a chata da Dolores, ela mora na casa da frente, é amiga e colega do Juan. - Amiga? - Sim. Quer dizer, eu acho. É evidente que ela gosta dele, mas não sei se eles têm algo, nunca os vi de mãos dadas ou se beijando, por exemplo. - Ah, entendi… - Falei enquanto observava-os. - Ela é um nojo, e também é amiga do Márcio, daí quando se junta os dois já viu. - Não quero nem ver. - Nem queira mesmo. - Riu. Fiquei observando os dois, que conversavam em outro banco do pátio. A garota ria o tempo todo e mexia no cabelo, provavelmente, tentando jogar charme para ele. Revirei os olhos com a cena patética daquela garota. Eis que ela me viu, e eu disfarcei o olhar. Nisso, escuto Gas me chamando. - Quê? - Me virei para ele. - Você não estava me ouvindo, né? - Perguntou meio chateado. - Ai, desculpa, perdão… - Tudo bem… - Falou cabisbaixo. - Mas, e aí? O que você dizia? - Eu queria saber se você quer ir ao cinema comigo hoje à noite. - Ah… Eu… Hã… Temos dinheiro pra isso? - Deixa comigo que eu dou um jeito. - Sorriu. - Mas você quer? - Ah, pode ser. - Legal! - Deu um sorriso maior do que o anterior. Assim que Júlia fez sinal para o garoto, que foi até ela, eu resolvi ir até a cozinha para beber algo, pois estava morrendo de sede. Tomei um copo de suco de abacaxi, e assim que me virei para sair, dei de cara com a tal Dolores. - Você deve ser a tal Mar, né? - Me encarou dos pés à cabeça. - Mariana pra quem eu não conheço. - Falei. - Dolores. Sou amiga íntima do Juan. - Que legal! Aproveite! Fiz menção em sair, mas ela parou em minha frente, trancando a minha passagem, o que fez eu dar uma suspirada profunda. Ah, m*l a conhecia e já não gostava dela. - O Juan me falou de você, e espero que você não se meta no nosso caminho, porque eu sempre consigo o que quero, e eu quero o Juan, e pode ter certeza que eu faço o que for preciso para alcançar o meu objetivo. A garota me encarou muito séria, o que me deu um certo medo, parecia até filha do Bernardo e da Júlia. Nisso, Juan apareceu. - Ah, você está aí. - Falou para a cobrinha. Logo olhou para mim. - Vejo que já conheceu a Mar. - Sim, estávamos conversando, ela é muito simpática, até me ofereceu um copo d'água, ah, eu aceito. - Falou com um falso sorriso. Me encarou. Eu sorri de maneira cínica e servi o copo d'água e dei para ela, como a garota havia pedido. Ah, que menina insuportável! Deixei os dois sozinhos e depois fui para meu quarto, e assim que entrei, avistei Euge sentada em sua cama se penteando. - Ah, como ela é insuportável! - Falei ao sentar na minha cama. - Júlia? - Euge perguntou. - Ela também. Mas eu estava falando da Dolores. - Revirei os olhos ao falar o nome da garota. - Ah sim… Ela é super metida, se acha superior que todos e é uma patricinha de quinta. Mas não dá bola, amiga. Ah, eu queria não ligar, mas não consigo, e estava começando a me arrepender de não ter falado poucas e boas pra ela. Ah, mas se ela vier me encher, ela vai ver só, não vou ficar calada, não, odeio gentinha como ela. E se ela quer guerra, guerra terá.
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