Um Trabalho Honesto

1107 Words
Ainda estávamos tomando banho de mangueira quando Júlia e Bernardo chegaram. Paralisei ao vê-los. Estavam tão sérios. Pareciam furiosos. - Eu posso saber o que está havendo aqui? - Júlia perguntou. - Algum problema, mamãe? - Flor questionou. - Não, meu amorzinho. É que… Você e o Tomás podem tomar banho de mangueira, mas os outros precisam estudar. Euge e eu nos olhamos, já imaginando que viria bomba. Queria estar errada. O infeliz do Bernardo mandou a gente se secar e irmos para o seu escritório. A gente se secou e depois fomos ver o que nos aguardava. E assim que entramos no escritório do Bernardo, pudemos ver o homem e Júlia sérios, o que aumentou o medo que eu estava sentindo. - Eu posso saber o que vocês estavam fazendo? - O homem nos perguntou ao caminhar pela gente para nos intimar. - Estávamos tomando banho de mangueira. - Disse Gastón. - Somos proibidos de usar a piscina com esse calor que está fazendo, será que seremos proibidos de tomar banho de mangueira também? Júlia e Bernardo se olharam e começaram a rir. O que será que tinha de tão engraçado? Ah, como eu odeio esses dois! O homem parou de rir e voltou a ficar sério, e disse: - É claro que não podem. Eu odeio ver vocês sorrindo e se divertindo. Vocês não merecem um segundo de diversão. - E vocês não merecem ter os filhos que têm, pois a Flor e o Juan não merecem pais tão podres. - Falei. O homem deu um t**a no meu rosto muito forte, porém, tentei não chorar para não dar esse gostinho a eles. - Mar! - Disseram Gastón, Euge e Tato assustados com o ocorrido. Covarde! Como ele podia bater em uma mulher? Isso não se faz! Como ele pode? Como tem coragem? Como é capaz? É um ser sujo, c***l, repugnante… E ele me dá nojo. Muito nojo! Poucas vezes na vida eu senti tanto ódio como sinto dele. Pude ver Lupita chorando, muito assustada, o que me deu mais raiva ainda. Gastón abraçou a irmã, tentando acalmá-la. O homem mandou a gente para os nossos quartos para trocarmos de roupa, pois já estávamos com as roupas molhadas, e falou que após isso era pra gente ir trabalhar e deveríamos trazer o máximo de coisas que a gente pudesse, pois do caso contrário seríamos severamente castigados, apenas por termos nos divertido um pouco. Euge e eu fomos para o nosso quarto, tomamos banho e colocamos uma roupa seca na força do ódio. - Como pode existir uma pessoa tão r**m assim? - Euge perguntou. - O mundo é feito de pessoas ruins. - Falei. Já com roupas secas, fomos para as ruas para fazermos o que aqueles dois haviam mandado. Ah, como eu estava cansada disso. Ficamos horas roubando, e a cada novo roubo, me dava mais e mais vontade de chorar, eu odiava ter que fazer isso com pessoas inocentes, eles não mereciam. Assim que cansamos, resolvemos parar um pouco, já que Bernardo e Júlia não estavam nos vigiando. - Tive uma ideia! - Falou Tato. - Lembram quando fugimos e começamos a cantar nas ruas? Todos acenamos a cabeça positivamente. - E se fizéssemos isso? - O garoto sugeriu. - Assim, conseguimos dinheiro e não precisamos roubar. - Isso! - Falei empolgada com a ideia. - É perfeito! - E eu, a Lupita e o Matteo podemos nos encarregar de pegar o dinheiro enquanto vocês cantam. - Disse Nano. Eu tinha amado a ideia, assim como os demais. Ah, eu amava cantar, era super divertido e claro que eu não era uma Madonna da vida, mas até que eu não cantava nada m*l. Fomos para uma praça, que tinha não muito distante do abrigo, e tinha bastante gente passeando no local, era a nossa oportunidade. Nos posicionamos e começamos a cantar. Logo no início da música, várias pessoas pararam para nos ver, e os menores começaram a recolher o dinheiro que as pessoas estavam dando. Em um certo passo, tinhamos que fazer duplas, Euge fez com Tato, obviamente, e eu fiz com Gastón. O garoto pegou em minha mão com os nossos braços esticados, e eu girei indo até ele, que me envolveu em um abraço, como fazia parte da coreografia, porém, o loiro ficou me olhando com aquele par de olhos claros, e eu também fiquei olhando-o, até que chegou a hora da minha parte da música, e eu cantei enquanto via as pessoas pulando e dançando, era tão legal, eu sentia como se eu fizesse parte de uma banda super famosa. Ao fim da 3° música, decidimos parar e conferir quanto havíamos conseguido e até que fizemos uma quantia muito boa, com certeza, conseguimos muito mais do que conseguiríamos roubando, e dessa vez foi de uma forma limpa e honesta, sem precisar roubar. (...) Entregamos todo o dinheiro que havíamos conseguido para Júlia e Bernardo, e os dois se surpreenderam ao ver a quantia que havíamos conseguido. - Fizeram um belo trabalho hoje! - Disse Júlia com um largo sorriso. - Titia Ju fica tão feliz assim. Cruzei os braços e revirei os olhos, pois até quando Júlia tentava ser engraçada, acabava sendo irritante. Ah, claro que não contamos para eles sobre termos cantado para conseguir dinheiro, pois como os dois são muito ruins, era possível que ficassem bravos por isso. Em seguida, o homem pediu que todos se retirassem, exceto eu, o que me deu um imenso frio na barriga, achei que eu fosse ser punida por algo. Mas não. Os dois pediram para que eu entregasse drogas para um sujeito. Ah, eu odiava isso, além de nos obrigar a roubar, ainda eram traficantes e queriam que a gente participasse do serviço podre deles. Mas sem saída, fui obrigada a fazer o que haviam mandado. Quando cheguei ao local, o homem já estava lá, ele devia ter cerca de uns 30 anos, era barbudo e fedia a álcool e cigarro, tinha um odor muito forte, e parecia bêbado, pois caminhava trocando as pernas. Entreguei aquelas merdas pra ele e fui embora correndo. E assim que entrei no abrigo, avistei Gimena, que parecia estar procurando algo ou alguém. - Ah… Oi. Você viu o Nico? - Perguntou a mulher. - Não. - Ah, d***a! - Me deu as costas, indo em direção da cozinha. - Deve estar fugindo de você. - Falei. Fui para meu quarto, onde Euge estava e deitei em minha cama. Fiquei lembrando de quando estávamos cantando e foi tão legal, acho que eu não me importaria de dar dinheiro para aqueles dois se fosse assim.
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