Agressões

1751 Words
- O que está havendo aqui? - Bernardo perguntou seriamente. - Pai? Nós não estávamos fazendo nada demais. - Disse Juan. O homem me fuzilou com o olhar e eu baixei a cabeça, não consegui nem encará-lo. - Mas é muita pouca vergonha mesmo! - Disse o mais velho sem tirar os olhos de mim. - Qual, é? Eles são jovens, deixa eles. - Disse Nico. Bernardo o ignorou, me encarou, fazendo todos os meus pelos se arrepiarem, e então saiu, sendo seguido por Júlia, que também me encarou antes de sair. Ficou um clima tenso no ar. - Quer dançar mais um pouco? - Juan perguntou. Eu olhei em silêncio pra ele e quase perguntei "é sério?". - Não, cansei de dançar. - Falei. Fui até a escada e me sentei em um degrau, em seguida Lupita e Flor vieram até mim. - Mar, a gente amou o seu vestido. - Disse Flor. - É, você está linda. - Falou Lupita. - Obrigada, meninas. - Dei um leve sorriso. - Eu vou falar com a minha mãe, tá? Acenei a cabeça positivamente. Flor me deu um beijo no rosto e saiu correndo. - O Bernardo é um bobo, será que ele não percebe que você e o Juan fazem um casal tão fofo? - Comentou Lupita, me arrancando risos. Matteo chamou a menina, que saiu para brincar com ele. Eu fiquei um pouco sozinha, mas logo Euge, Tato, Gastón e até Nano vieram falar comigo e disseram pra eu não dar bola para as merdas que o Bernardo diz e faz. - Mar, é seu aniversário! Vai ficar aí parada ou vai se divertir? - Nano perguntou. - Quer saber? Você tem razão! - Falei. Voltei com os quatro pra festa e fiquei dançando com eles. Não falei mais com o Juan durante toda a festa, ele até tentou, mas eu não dei a******a e inventei algumas desculpas para fugir dele. (...) No dia seguinte, me acordei no susto e com dor, ao sentir alguém me bater. E a primeira coisa que eu vi ao abrir os olhos foi o d***o, digo, o Bernardo, mas dá no mesmo. - Quero você no sótão em cinco minutos. - Falou. - Mas… - Você falou "mas"? - Se aproximou de mim com agressividade. Acenei a cabeça de forma negativa enquanto tentava segurar o choro. - Foi o que eu pensei. - Falou se pondo a sair do meu quarto. Coloquei uma roupa qualquer, pois eu estava apenas de short doll, e então respirei fundo e fui até o sótão. Confesso que eu estava morrendo de medo do que Bernardo estava disposto a fazer comigo, e eu sabia que boa coisa não seria, até porque é impossível vir algo de bom dele. O homem estava em pé me esperando e quando eu entrei, ele veio até mim, me causando calafrios. E então, ele pegou os meus cabelos, fazendo eu começar a chorar. - VOCÊ ENLOUQUECEU? O QUE ESTÁ PENSANDO? QUER SER UMA BEDOYA AGUERO? QUER SER MINHA NORA? - Ok, eu tinha me esquecido desse detalhe. - VOCÊ SÓ PODE ESTAR LOUCA SE PENSA QUE VOU TE ACEITAR NA MINHA FAMÍLIA, E EU NÃO QUERO VER VOCÊ PERTO DO MEU FILHO, ENTENDEU? Aos prantos, apenas acenei a cabeça positivamente. E então, ele soltou os meus cabelos. - Posso ir? - Perguntei, e o homem começou a rir. - Acha que é só isso? - Começou a andar de um lado pro outro. - Acha que já acabou? - Ele riu. O homem pegou um taco de beisebol, que estava escondido atrás da porta e se aproximou de mim. - Bernardo, o que você vai fazer? Não, por favor. - Desabei a chorar. - Por favor… E então, ele começou a me bater com aquele taco, foi h******l, ele me bateu tanto… Eu não sabia que lugar doía mais, acho que o único lugar que ele não havia batido havia sido o meu rosto, porque eu protegi com os braços. (...) Após uma enorme sessão de espancamento, eu sai do sótão sem conseguir caminhar direito, tudo estava doendo, parecia que eu havia voltado de uma guerra. Eu subi as escadas com muita dificuldade e assim que subi no último degrau, notei quando Nano saiu do seu quarto, e me viu. - Mar? O que houve? - Perguntou assustado. - Nada. - Falei com os olhos marejados. Entrei em meu quarto, me joguei em minha cama, abracei o meu travesseiro e comecei a chorar. Nem notei que Euge estava no quarto e que Nano havia me seguido. - Ai, meu Deus! Você está h******l! - Disse Euge. - Obrigada, mas não está ajudando. - Falei. - Desculpa, amiga. - Sentou ao meu lado. - O que aconteceu? Você está… toda machucada. Quem fez isso? - Adivinha. - A olhei com os olhos lacrimejados. - Não. Ele não pode ter feito isso… - Bingo! - Filho da p**a! Como… Como ele teve coragem? - Por que ele não bateu em mim ou no Gastón ou no Tato? - Nano perguntou. - Mas bater em mulher? Isso é covardia, isso não se faz… - Pena que ele não pensa assim. - A loura fez um cafuné no mais novo, que sorriu timidamente. - Vou tomar banho, e colocar uma roupa de frio pra não verem os machucados. - Falei. - Quer ajuda? - O menino perguntou. Euge e eu olhamos seriamente pra ele. - Ajuda da Euge, é claro. - Falou meio sem jeito. - Eu sei que você adoraria a minha ajuda, mas você é muito velha pra mim, e sabe como é, prefiro as da minha idade. - Brincou, nos fazendo rir. - Só você mesmo. - Falei, fazendo o garoto sorrir. - Mas acho que eu consigo tomar banho sozinha. Deixei os dois no local e fui até o banheiro, que tinha em nosso quarto, e pude ouvir os dois conversando e falando muito m*l do infeliz do Bernardo. Ah, eu estava com tanto ódio dele… Como Juan consegue ter um pai assim? E como ele não percebe o monstro que o pai é? Mas acho que o que mais dói é saber que Juan ama e idolatra o pai, achando que ele é uma ótima pessoa, ah, se ele soubesse… sofreria tanto… A água caia nos meus machucados e doía tanto, chorei e chorei, e as minhas lágrimas iam se misturando com a água do chuveiro. (...) Após tomar banho, coloquei uma calça jeans e uma camisa de manga longa, para ninguém ver os machucados. - Como você está? - Euge me perguntou soando preocupada. - Ah, uma dor ali, outra dor aqui, mas vou ficar bem. - Mar… Isso não pode ficar assim… Ele passou de todos os limites. - E o que podemos fazer? Denunciá-lo? Acho que eu ainda sou jovem pra morrer. - Mar, é verdade o que o Nano me disse? - Gas perguntou ao entrar no meu quarto. - Por favor, me diz que é mentira, porque se ele… Euge e eu nos olhamos em silêncio. - É mentira, não é? - Indagou. Neguei com a cabeça e pude ver o ódio nos olhos do louro. - Desgraçado! Eu vou matá-lo… Gastón saiu furioso do quarto, Euge e eu chamamos por ele, mas não adiantou. Eu até tentei ir atrás dele, mas quando eu estava saindo do quarto, dei de cara com Juan, que abriu um imenso sorriso ao me ver, e nisso, Euge saiu, nos deixando a sós. - Eu sonhei com você essa noite, sabia? - Sério? - Perguntei. - Aham. Eu sonhei que estávamos em um lindo gramado e passeávamos de mãos dadas. - Pegou em minhas mãos. - Estávamos felizes, e então, a gente se beijou. - Se aproximou de mim, para me beijar. Eu olhei para ele, olhei para seus lábios e desejei beijá-los, mas eu não podia. Lembrei de cada paulada e me afastei do garoto, ficando de costas para ele. - Juan, não podemos… - Por que não? - Porque… - Derramei uma lágrima. - Porque eu gosto de outro. - Quê? É mentira! A gente se beijou ontem, e… eu sei que você também gosta de mim. - Aquele beijo… - Mais uma lágrima rolou. - Foi um erro. - Quê? Não diga isso, por favor. Eu ainda estava de costas pra ele, mas pude perceber que o garoto estava chorando, o que partiu o meu coração. - Mar… - Pegou em meu braço. - Ai! - Gemi de dor, e me virei para ele. - O que houve? Eu… m*l encostei em você. - Ah, não foi nada… - Tem certeza? O garoto levantou a manga da minha camisa e viu alguns hematomas, obra de arte do papaizinho dele. - Meu Deus, Mar! O que é isso? - Perguntou desesperado. - Hã… Eu… Cai. Fui de madrugada beber água e cai da escada. - Mar, não minta, por favor, isso está me cheirando a agressão. Me diz, quem fez isso? Seja quem for, eu vou acabar com a raça dele. Ah, se ele soubesse… Eu queria contar. Queria muito. Eu adoraria ver a cara do Juan se soubesse que o próprio pai foi capaz de fazer isso. Mas eu não podia. Não podia contar. Bernardo me mataria. - Hã… Não… Estou falando a verdade. Eu realmente caí da escada, pode perguntar pra Euge, ela viu e me ajudou. - Ok… Se você diz, vou acreditar… - Juan, você pode me dar licença? Quero descansar… - Mar, sobre o que você disse… É verdade? - Sim, é. Eu gosto de outro, não podemos ter nada. Nunca mais. O garoto respirou fundo, ficou com os olhos marejados, deu uma leve bufada, e sem dizer nada, saiu do meu quarto. Eu sentei na minha cama e comecei a chorar. Nisso, Euge entrou em meu quarto, sentou ao meu lado e perguntou o que havia acontecido. Deitei na cama, colocando a minha cabeça no colo da loura, e então, eu contei o que tinha acontecido entre mim e Juan. (...) Era por volta de 16h, estávamos roubando. Eu m*l conseguia caminhar e tinha que estar "trabalhando". Fui até uma lancheria e tinha algumas mesinhas na calçada. Notei quando uma mulher colocou o celular em cima da mesa, e pouco depois, entrou na lancheria, deixando o aparelho no local. Me aproximei, e sem que me vissem, peguei o objeto. Porém, quando eu me virei, avistei Juan, que estava com um olhar surpreso e confuso.
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