De Volta!

1290 Words
d***a! Era tudo culpa do Juan, se ele não tivesse aberto aquela boca dele… - O que vocês estão fazendo aqui? - Nano perguntou. - Como nos acharam? - O fofoqueiro nos entregou. - Falei ao dar um olhar fuzilante para Juan. - Sim, porque ele se preocupa com vocês. - Falou Cielo. - Vamos sair daqui. Rápido! - Disse Gastón. A gente tentou sair correndo e fugir deles, mas foi em vão. Nico, Emilia e alguns policiais que estavam com eles, conseguiram nos pegar antes que a gente fugisse. E em saída, acabamos tendo que ir com eles, fomos metade no carro do Nico e a outra metade no carro da polícia. Ah, eu estava com tanta raiva! Se Juan gostasse mesmo de mim como ele disse, não teria me dedurado, aposto que fez isso para ficar bem com o seu papaizinho, tenho certeza que ele faz tudo o que o pai fala, odeio garotos assim. Fomos o caminho todo em silêncio, ninguém disse nada. E Lupita estava tão assustada, não desgrudou um minuto sequer de Gastón e não parava de chorar, provavelmente pensando no castigo que a gente receberia, e eu também estava com medo, deixei uma ou duas lágrimas escaparem, mas as limpei imediatamente, porque não queria que ninguém me visse dessa forma, pois não gosto de demonstrar as minhas fraquezas. (...) Assim que chegamos ao abrigo, Bernardo e Júlia já foram logo vindo na nossa direção. - Meus querubins! - O homem disse ao abraçar Euge, e fingindo preocupação. - Onde vocês estavam? - Por que fugiram? - A mulher perguntou. Nos olhamos e não falamos nada. E em silêncio, eu subi as escadas, indo para o meu quarto. E fui seguida pelo i****a do Juan. - Mar… - Falou assim que chegamos em meu quarto. - Qual é o teu problema? Por que fez isso? Por que não cuida da tua vida? - Porque eu me preocupo com vocês, a rua é perigosa. - E o que você entende disso? Já dormiu uma noite na rua? - Aumentei o meu tom de voz. - Não. Mas… Eu… Eu fiquei com medo que algo te acontecesse. - E você acha o quê? Que o teu papai e a Júlia vão deixar barato? Claro que não, aposto que vão nos castigar. - Por que está dizendo isso? - Perguntou. - Ah… - Cocei a nuca enquanto eu pensava em uma desculpa. - É que eles devem estar furiosos porque fugimos. - Escuta… - Se aproximou de mim. - Ninguém vai castigar vocês. Eu prometo! E enquanto eu pensava no que responder, Euge entrou no quarto e pareceu meio perdida ao nos ver, como quem diz "o que está havendo aqui?" Juan e eu apenas nos olhamos em silêncio. E nisso, Emilia entrou em nosso quarto. - Juan, será que eu posso conversar com as garotas a sós? - Claro. O garoto me deu uma última olhada e saiu do nosso quarto. Euge e eu nos olhamos em silêncio, já imaginando que viria algo r**m. Quer dizer, Emilia não era má como Bernardo e Júlia, eu sabia que ela não nos castigaria, mas com certeza, nos daria um belo sermão, acho que até já estava preparada para isso. Euge e eu nos sentamos na cama da garota, e Emilia se sentou em minha cama, ficando de frente pra gente. - Ah meninas, eu fiquei tão preocupada com vocês, com os meninos, com as crianças. - Ficou um pouco em silêncio, e com os olhos lacrimejados. - Eu sei que trabalho aqui há pouco tempo, mas… Eu me apeguei muito em vocês, eu os amo como se fossem meus filhos. - Desculpa, Emilia. - Disse Euge cabisbaixa. - Desculpo, meu bem. Mas me digam… - Pegou nas nossas mãos. - Por que fizeram isso? Euge e eu nos olhamos em silêncio, acho que ela também estava pensando o que dizer, afinal, por mais que a gente quisesse, não podíamos dizer a verdade. - Seja o que for, podem me contar, prometo que acreditarei em vocês. - Disse a mais velha. E nesse momento, eu pensei muito em falar toda a verdade, eu confiava na Emilia, e sabia que ela e Nico iriam nos proteger, mas ao mesmo tempo, eu tinha tanto medo do Bernardo e da Júlia. E enquanto eu tentava criar coragem para falar tudo o que eu sabia, eu avistei o pai do Juan parado em pé na porta do meu quarto, e como Emilia estava de costas, acabou não vendo-o. E nesse momento, a coragem que eu estava adquirindo, foi embora de vez. - Porque estávamos cansados, queríamos ser livres, não precisar acordar cedo, nem ir pra escola, poder fazer o que a gente quisesse, na hora e como quiséssemos. - Falei. - Só isso mesmo? - Claro. - Disse Euge. - O que mais poderia ser? - Eu entendo vocês, mas não é assim que as coisas funcionam. Preferem mesmo dormir nas ruas e terem que se virar pra comer e tomar banho do que seguir algumas regras? Ah, do que adiantava ter um teto, comida, banho quente e roupas limpas e ter que roubar e entregar drogas? Eu não era criminosa. Quer dizer, eu não queria ser. Ah, se Emilia soubesse de toda a verdade… A mulher pediu para não fugirmos mais, e ainda disse que qualquer coisa que a gente precisasse, poderíamos falar pra ela, pois sempre estaria do nosso lado. Sabe, as vezes eu sentia que Emilia já sabia que algo de grave acontecia nesse lugar, mas estava apenas esperando a nossa confirmação. Emilia nos deu um beijo no rosto e saiu do quarto. Euge me abraçou e ficamos um pouco em silêncio, acho que ela também estava assimilando tudo isso. (...) À noite, jantamos todos à mesa. Júlia e Bernardo ainda não haviam falado nada conosco sobre o ocorrido, e isso estava me assustando, quer dizer, eles falavam com os olhos, o que nos dava medo da mesma forma. - Ai, estou tão feliz que vocês voltaram! - Disse Flor ao abraçar Lupita. - É, vocês fizeram falta. - Disse Tomás. Fiquei vendo os pequenos e dei um leve sorriso, eram tão fofos! Mais tarde, fomos para nossos quartos. Euge e eu ficamos conversando um pouco até pegarmos no sono. Era de madrugada, eu estava dormindo quando acordei assustada com alguém pegando o meu braço à força. Era Bernardo. - Se acha muito espertinha, não é? Aposto que a ideia de fugirem foi sua. - Neguei com a cabeça. - Sabe, o que eu queria fazer? -Apertou o meu braço e eu tentei segurar o choro, o que foi inútil. - Eu queria bater tanto, mas tanto, mas tanto em vocês, que jamais vocês pensariam em fugir de novo, e eu os deixaria sem conseguirem sentar por uma semana. Mas infelizmente, o meu filho fez eu prometer que não iríamos castigar vocês. Você fez a cabeça do Juan, hein. - Neguei com a cabeça enquanto tremia de medo. - Se safaram dessa vez, mas se isso se repetir, eu não deixarei barato, e nem pense em falar algo para quem for. Fui claro? - Acenei positivamente com a cabeça. - Ótimo! E dá o recado pros seus amiguinhos. O homem soltou o meu braço com brutalidade e saiu do meu quarto. E sem me conter, chorei. E chorei muito, porém, baixinho, pois não queria acordar a Euge, que estava muito cansada. Ai, que ódio! Como eu odeio esse homem! Como ele pode ser tão c***l? As vezes me sinto m*l por desejar que ele morra, porque não se deseja a morte de ninguém, mas ele… Ah, ele consegue tirar o pior de mim. O que será que eu fiz para merecer?
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