A casa de Nozomu, a algumas quadras da casa das garotas, seus amigos se reuniam, insistentes a não dar um fim ao dia. Os garotos, todos espalhados pelo quarto do coreano, conversavam e bebiam Soju, a medida que acabavam com a terceira caixa de pizza.
– O terceiro acorde é pior do que o primeiro. – Oliver havia começado uma discussão aleatória sobre teorias musicais. Ficou mais zangado ainda por ninguém conseguir formar um argumento contra ou a favor.
– Vai discutir com seu professor, não conosco. Anda. – Nozomu reclamou.
– Os americanos falam apenas sobre músicas também? – Hiroki indagou rindo.
– Claro que não. – Respondeu em seco.
– Então, falemos sobre outra coisa. Vamos pedir outra pizza? – O mais velho já carregava o celular na mão. Pronto para fazer outra ligação.
– Você vai pagar? Estou duro. – Oliver, com seus cabelos loiros sobre o rosto, disse sério, mas com um fio de esperança para uma resposta positiva.
– Sim. Pago dessa vez, mas depois me devem.
– Certo, pago quando você precisar de dinheiro. – Nozomu mordiscou o ultimo pedaço.
– Fui na casa das garotas há um tempo atrás. Ana gosta de filmes de terror, dica para você. – Continuou, se virando para o amigo.
– Por que filmes assim? Aigo. – Hiroki colocou a mão sobre o rosto, decepcionado.
– Wo, não entendo. Não devia estar feliz, pelo menos não são filmes de romance. – Nozo não compreendia.
– Pensem comigo: Filmes de terror me dão calafrios. E todas as garotas gostam de filmes de romance. Eu não curto esses gêneros. Vou sofrer duas vezes mais.
– E ela vai sofrer com você, vendo filmes que ela não goste também. Equilíbrio mútuo. – Oliver concluiu.
– Filósofo você. – Hiroki falou, com a boca amarga.
– OK pessoal, vamos arrumar a bagunça. Meus pais chegam daqui a meia hora. – Nozomu deu a ordem.
Os três se levantaram de seus lugaram e começaram a arrumar a bagunça que haviam começado desde que chegaram. Hiroki pegou as caixas de pizza e as levou para a lixeira do quintal, enquanto isso, Nozomu colocava os moveis em seus devidos lugares, Oliver apenas observava.
– Não vai ajudar? – Perguntou o moreno junto a ele.
– Não. Da ultima vez, arrumei tudo sozinho. – Oliver havia parado.
– Mas te ajudei a arrumar tudo, fui o único. – Nozo estava perplexo.
– Você tem o Hiroki. – Levantou a mão, fazendo sinal de aprovação.
– É minha casa!
A discussão interrompeu-se com o som da campainha tocando na porta da frente.
– Seus pais chegaram mais cedo? – O loiro deu um pulo.
– Não, eles não costumam tocas a campainha.
Junto a Oliver, Nozomu seguiu para a porta da frente, olhou pelo olho mágico sem dizer nenhuma palavra. Do outro lado, o visitante desistiu de tocar o aparelho, e então começou a bater na porta. Batidas leves.
Ao ver pela fresta, ficou surpreso.
– Quem é? – O loiro estava curioso. Nozomu pediu para que o mesmo fizesse silencio.
– É a Ana. – Sussurrou com uma face mergulhada no pânico.
– d***a, o que ela quer aqui?
– Não faço ideia.
Hiroki, sem ter ouvido as batidas, entrou na casa fazendo barulho. Andando vagarosamente e limpando sua roupa suja pelos resíduos da comida, se aproximou dos garotos reclamando.
– Nozomu, você pode me emprestar uma camiseta? – O mais velho estava concentrado em ver a mancha que havia se formado em sua camiseta, que não percebeu a preocupação no rosto dos amigos.
Oliver correu e tentou calar o garoto com as próprias mãos. Assim que o moreno olhou assustado para Nozomu, percebeu o esforço que o amigo estava fazendo para calar a boca do garoto.
Nozo gesticulou com a boca, sem emitir nenhum som, que a garota estava do lado de fora.
Do lado de fora, a menina esperava impaciente para que abrissem a porta. Estava frio, e seu casaco preto não ajudava em nada.
– Ei, Nozomu! Está frio aqui fora! – Perdeu a paciência.
A porta se abriu logo em seguida, com Nozomu olhando para o chão, meio perdido. As palavras do garoto estavam presas, estava prestes a gaguejar.
– Desculpe a demora, estava no banho... – Gaguejou.
– No banho? Mas está com a mesma roupa que te vi mais cedo. – E de fato estava.
– E que... a roupa estava limpa, e gosto de preservar... as arvores... digo, a natureza.
– Você está bem? – Perguntou preocupada.
– Sim, não podia estar melhor. O que está fazendo aqui?
– Posso entrar? Está frio aqui fora. – A garota suplicou.
Os outros ouvintes, assim que ouviram as palavras da garota, correram para se esconder no quarto do amigo.
– Claro, entra. – Nozomu deu espaço para que a garota entrasse.
Ana Luiza entrou na casa, tirou os sapatos e o casaco, e envolveu o garoto em um abraço. Nada normal para Nozomu, aquele ato de afeto foi m*l compreendido. No país, a maioria de atos brasileiros, considerados amigaveis, sinalizavam, no estrangeiro, uma partida de intenção amorosa.
E o coreano não estava pronto, e nem reconhecia aquele ato, como amigável. Se afastou lentamente, logo que teve a chance.
– Me desculpe, esqueci que isso não é comum na Coreia. – Disse a garota, percebendo o desconforto.
– Isso é normal no Brasil? Oh, eu não sabia. Apenas me senti desconfortável e confuso. – O garoto coçou a nuca. – Preciso de tempo para me acostumar.
– Quer algo para beber? – Perguntou ele.
– Água quente seria uma boa. Como vocês conseguem aguentar o frio?
– Nunca pare
i para pensar. – Nozomu respondeu, enquanto caminhava para a cozinha, acompanhado pela garota.
Sua cozinha, com paredes amarelas, soava como um comodo alegre e bem decorado. A pia branca com ladrilhos brancos ilustrados, portava os três copos recém lavados dos garotos. Ana olhou para os recipientes e começou a refletir. Os dois sentaram na mesa de centro, feita a pedra com o mesmo tom dos ladrilhos.
– Seus pais acabaram de sair? – Perguntou curiosa.
– Oh, como? – O garoto se espantou com a pergunta. – Aish, me esqueci, vou preparar chocolate quente para você. Minha mãe fez hoje de manhã.
– Os copos na pia. – A garota riu.
– Ah, não. Eu costumo usar muitos copos. Então os limpei. – Nozomu não conseguia pensar em outra desculpa. – Sobre o que quer conversar?
O copo já estava no micro-ondas, ao longe, o cheiro doce da bebida agradava a Ana.
– Estou preocupada. Como vamos continuar com isso? O Hiroki nem parece se preocupar com nosso namoro.
– Talvez seja porquê não ficamos muito tempo juntos. E não é algo que todos saibam. – Nozomu não acreditava que estava dizendo aquilo.
– E você nunca namorou? Digo, nunca ficou com alguém? – Finalmente Ana disse o que a incomodava.
– Não.
– E se descobrirem que seu primeiro relacionamento foi uma farsa?
– Não ligo, minha formatura é daqui a dois dias. Não precisa se preocupar. – Respondeu calmamente.
– Tinha me esquecido.
A pessoa que preciso que saiba, já sabe
– Se algo lhe incomodar, por favor, me diga. – Ana continuou.
– Bom, está ficando tarde. Fiquei preocupada, e queria poder falar sobre isso com você. Agora que está melhor, já vou indo. – A garota sentia se desconfortável.
– Certeza? Mas não bebeu nem o chocolate. – Nozomu ficou espantado com tal decisão.
– Não precisa, fico te devendo essa. – Sorriu sem graça.
A garota seguiu novamente para a saída, calçou seus sapatos e colocou o casaco. Ao invés de abraçá-lo novamente, apenas o reverenciou, deus as costas e seguiu pela rua.
Nozomu fechou a porta aliviado. Os meninos, vendo a saida da garota pela janela, desceram correndo as escadas.
– O que ela queria? – Oliver perguntou curioso.
– Nada demais. Ela queria saber como me sentia em r*****o a ser meu primeiro namoro. E ainda ser uma farsa. – O coreano deu de ombros.
– Que cheiro é esse? – O loiro levantou o nariz.
– Chocolate quente, ela não quis beber. Pode pegar, se quiser.
O americano não perdeu a oportunidade e foi para a cozinha, enquanto isso, Hiroki estava pensativo.
– O que foi? – Nozomu estranhou o silêncio.
– Estou pensando, consegui ouvir algumas partes. Não está muito tarde?
– Sim, são quase onze.
– Vou tentar alcançá-la. – Hiroki pegou seu casaco e colocou rapidamente seu tênis branco.
– Mas e a pizza? E por que? A casa dela é perto. – Mais uma vez, Nozomu ficou confuso.
– Até mais Nozomu! – O garoto saiu com um sorriso no rosto.
Hiroki saiu dali e virou a esquina, seguindo o caminho que a outra havia feito.
– Ué, ele vai deixar o carro para traz. – Disse Nozomu olhando pela janela.
Mais a frente, Ana Luiza caminhava cabisbaixa, as mãos enterradas no casaco. Não sabia o que estava fazendo por medo de conhecer alguém, e no final, acabara atrapalhando outra pessoa. Será que Nozomu a detestava? E Hiroki? A experiencia no novo país parecia ficar pior com o tempo.
A garota não queria voltar para casa. A noite estava bonita, e sua mente precisava de distração.
– Talvez um passeio – Pensou consigo mesma. A estação de ônibus não ficava muito longe dali.
Sentou se no ponto de espera, não havia ninguém além da garota ali. O lugar perfeito.
Perfeito, até a chegada de um garoto.
O homem se sentou ao lado dela, um pouco distante. Suas mãos permaneciam nos bolsos de seu casaco vermelho. A face do estranho era fechada, Ana rezava para que não fosse um assaltante.
– Ei, você sabe que horas o ônibus passa? – Ela perguntou na esperança de alguém para conversar.
– Acho que não vai demorar muito. Vai para onde? – Respondeu ele. Sem ao menos olhar para a garota.
Algo estava errado. Ana Luiza começou a observar o garoto, não parecia ser muito mais velho que ela. E seu olhar, fixado na rua, matinha um mistério.
– Está tudo bem? – Disse ele se virando para ela, a face inexpressível.
– Oh. – A garota se surpreendeu com o que viu. O rosto do estranho estava com um pequeno corte sangrando no rosto, enquanto que em suas roupas, algo parecido a chantilly se misturava e manchava os tecidos.
– Eu que pergunto. – A estrangeira não segurou o riso. Então, pegando a mochila, tirou um de seus lenços azuis e passou no rosto do estranho. Ele, por sua vez, ficou sem reação.
– O que está fazendo? – Perguntou sem se afastar. Aquilo parecia diferente ao seus olhos.
– Isso vai ajudar a parar de sangrar. Aqui, tome outro para limpar sua roupa. – Ana ofereceu gentilmente.
– Essa noite vai para o álbum de coisas aleatórias. – Ela continuava rindo.
O homem estava sem graça, até que analisou a situação, e sorriu de cabeça baixa. Como poderia sorrir para uma estranha?
– Então? Vai me contar o que estava tramando? – A garota perguntou curiosa.
– Bom, festa de aniversário do meu irmão. Ele ficou bravo e me deu um soco. – O sorriso fraco no rosto demonstrava vergonha.
– Não se preocupa, irmãos são assim mesmo. – Ela olhava para ele com um olhar compreensivo. – Mas nada te impediria de ter devolvido.
– Não seria bom, as coisas ficariam piores. Nem sei se estaria aqui.
– Então... hum... feche os olhos. – Ana pediu.
– O que? – Ele não entendeu.
– Apenas fecha. Pode confiar.
O garoto fechou. O que ela queria com aquilo?
– Então, o garoto de casaco vermelho golpeou o irmão bem no rosto. Assim deixando o afetado com o mesmo machucado no rosto. E ele disse para ele ''Você não ouse me bater mais, ou vou comer seu bolo'' – Ela disse com intonação.
– O que foi isso? – O garoto perguntou rindo.
– Sua vingança. Viu? Não doeu nada.
– Isso foi a coisa mais estranha que já ouvi. – Ele gargalhava. – Mas obrigado. – Cessou o riso. Estava realmente agradecido.
– O poder da mente. Isso não deixa de ser divertido. E nem te torna ganancioso. – Ana aconselhou.
– Obrigado. Vou pensar em refazes isso.
– Melhor do que pagar um psicologo. – A garota brincou.
O ônibus chegou logo em seguida. Ana subiu, e o estranho ficou. De seu acento, ela se perguntou o por quê.
– Não vai subir? – Ana Luiza perguntou da janela.
– O meu é o próximo. – Ele disse sorrindo.
– Oh, tinha me esquecido. Sou péssima nisso. – Bateu a palma da mão na testa.
– Qual é o seu nome? – Ele perguntou curioso.
– Ana Luiza, e o seu? – O barulho do motor atrapalhava o dialogo.
– JungKookie. Tome cuidado com o frio, foi bom te conhecer. – Ele parecia realmente feliz.
Ana se virou para dentro do ônibus, e colocou seus fones de ouvidos. Estava mais relaxada para um passeio agora, mas confessaria que o garoto do ponto era um tremendo mistério.
O ônibus estava começando a aumentar a velocidade, até que foi obrigado a parar, mais um passageiro atrasado. A garota estava concentrada em seu smartphone, até olhar para frente, e se deparar com a ultima pessoa que queria ver naquela noite.
Suas bochechas coraram.
Com seu gorro, tentou afundar a cabeça na cadeira.
Deus, espero que ele não me veja.
Hiroki, por sorte, havia conseguido alcançar o veículo. Assim que entrou, procurou disfarçadamente pela presença da garota. Percebeu ao vê-la esconder o rosto. Sorriu bobo.
– Posso me sentar aqui? – Perguntou se aproximando.
– Oh, ola. Pode, claro, pode. – Respondeu meio atrapalhada. O ônibus começou a rodar novamente.
– Apenas dando uma volta... – Evitava olhar o rosto do garoto.
– Nozomu não vai ficar preocupado com você?
– Oh, não. Ele nem precisa. – Se lembrando do assunto, a garota ficou cabisbaixa.
– Onde pretende ir? – Ana tentou mudar de assunto.
– Acho que tomar algo quente, o tempo está muito frio. – Ele olhava para frente, sorrindo.
– Quer ir comigo? – Hiroki fez a pergunta, esperançoso.
Ouve um silêncio por algum tempo.
– Está bem. – Enfim cedeu.
O ônibus demorou alguns minutos para chegar ao ponto que Hiroki havia citado um pouco antes enquanto conversava com Ana. Desceram logo que o movimento cessou, o garoto foi gentil e auxiliou a mais baixa a descer.
– É logo ali. – Hiroki estava ao lado da garota, com as mãos dentro do casaco.
– Estou morrendo de frio. – A garota reclamou. – Deveria ter pego luvas.
Aproveitando a chance que tinha, o mais velho não exitou, pegou uma das mãos da garota, entrelaçou na sua e a enterrou no bolso de seu casaco. Novamente, as bochechas da garota estavam coradas.
Deveria se preocupar com os sentimentos de Nozomu? Não, não era real. Por fim, deixou se aquecer pelo conforto das mãos pesadas da compahia.
Se sentaram em uma mesa perto das grandes vitrines de vidro. Do outro lado do viro, era se possível ver o movimento dos carros pela extensa rua m*l iluminada. Era uma bela madrugada.
Com a permissão da garota, Hiroki a surpreendeu com alguns doces quentes que, segundo ele, eram os melhores de todo o país.
Agora, sentado um ao lado do outro. Os dois provavam dos alimentos, enquanto conversavam.
– Você tinha razão. São muito gostosos. – Disse Ana com a boca suja. O outro riu em resposta.
– O que foi? – Perguntou inconformada.
– Vem cá. – Hiroki levou a mão até o canto da boca da garota, e a limpou. – Sua boca estava suja.
– Oh. – Luiza estava em choque.
– Bom, o que você gosta de fazer no tempo livre? – Disse Ana tentando mudar de assunto.
– Nunca pensei por esse lado. Talvez viajar para vários lugares, treinar. Aprendi com um amigo que devo me sentir vivo quando posso.
– Tecnicamente estamos vivendo tempo todo. – A mais baixa brincou.
– Apenas tecnicamente. A vida é mais que uma rotina, sem surpresas ou bifurcações não dá para viver.
– E quando não tenho escolha de sair da rotina?
– Você tem. Se você não tem estradas, cave para baixo. Talvez ache um lugar completamente diferente.
– Não sei como responder isso, Hiro. – Ela riu, uma bela reflexão.
– Você vai se formar junto com o Nozomu? – Continuou ela.
– Sim. – O garoto respondeu. – Finalmente vou terminar, é muito trabalho. As vezes me parece que estou fazendo tudo duas vezes.
– Imagino. Engenharia não é algo muito fácil, e quando terminar? Vai sair da lanchonete?
– Não sei. Queria poder dar aulas, mas por enquanto, vou continuar na lanchonete e dar aulas particulares.
– Também tenho o sonho de ser professora, mas desisti da graduação. Achei mais interessante poder fazer esse intercâmbio.
– Eu teria feito a graduação. – Hiroki riu. – Assim poderia escolher um lugar para ir.
– Você me diz como se eu fosse me arrepender.
– Talvez porque vai se atrasar para se formar na graduação, mas aproveita a estadia. Tenho certeza que com o Moogang, vai sair com um ótimo currículo.
– Podemos não falar da universidade? – Ana tentou não parecer grossa. – As pessoas as vezes me percebem apenas quando o assunto são livros ou colégio.
– E quando eu falaria apenas sobre isso, quando tenho esses belos doces e uma brasileira aqui. – O garoto brincou.
– Quer saber sobre o Brasil? – Sorriu.
– Claro. O país do futebol e do samba.
– Meu deus, até você conhece apenas isso. – Ana gargalhou.
– Não tenho culpa se eu não sabia que conheceria uma brasileira. – Ele riu junto.
– Vamos lá. – A garota tentava conter o riso. – Primeiro que brasileiros falam português, e segundo que não são todos que sabem sambar.
– E você sabe sambar?
– Claro que não, não danço nem normalmente. – A conversa fluía lentamente.
– Então somos dois. – Hiroki brincou.
Os dois passaram o resto da noite conversando enquanto pequenos flocos de neve caiam sobre as calçadas. A estação branca.
– Oh, a neve é muito bonita, mas porque é muito fria? – A garota disse se virando para fora.
– Conheço muitos que diriam o mesmo. Ela parece mais bonita por uma tela.
– Podemos fazer um boneco? – Ana estava animada.
– A neve está caindo aos poucos, temos que esperar mais alguns dias para o nível aumentar. – Hiroki riu com a falta de conhecimento da garota.
– Podemos fazer daqui a alguns dias. – Continuou ele.
– Claro, vou querer. – Ela sorriu.
A brisa fria batia contra o rosto dos caminhantes enquanto passavam pela calçada. Ana e Hiroki mantinha o mesmo nível de proximidade. E agora, mais a v*****e, os dois mantinham as mãos entrelaçadas por baixo do grosso tecido do casaco.
Enfim pararam no mesmo ponto de ônibus que desceram.
Sentaram se um do lado do outro, enquanto esperavam pelo meio de locomoção.
– Que horas são? – Ana perguntou, sonolenta.
– Três da manhã. Vou pedir um táxi, os ônibus já pararam de passar. – Ana acenou com a cabeça em concordância a proposta do mais velho.
Enquanto esperavam pela chegada do meio de transporte, a garota lutava para ficar acordada. Não estava sendo uma tarefa fácil. Hiroki apenas sentia a mão quente da garota sobre a sua, era reconfortante.
Então, a cabeça da mais nova caiu sobre o ombro do garoto. Hiro estremeceu, pela primeira vez também ficara vermelho. Muitas coisas vieram a sua mente, aqueles sentimentos, os medos de que não fosse real, as vontades de proximidade. Isso seria o real amor? O amor que nunca havia realmente experimentado?
Que seja amor, e eu não esteja errado.
O taxi chegou em alguns minutos, os dois seguiram primeiramente para a casa de Ana Luiza. Hiroki queria se certificar que ela estaria em casa no tempo certo. Assim que o veículo parou, Ana desceu do carro e acenou para entrar.
– Ei Ana. – Um silencio veio a medida que a outra se virou para ouvi-lo.
– Por favor, vá a nossa formatura. Ficarei feliz por vê-la. – Enfim disse.
Ana respondeu acenando a cabeça e sorrindo, precisava de uma boa noite de sono.